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Programa propõe a união de esforços para Santa Catarina reinventar sua economia e se tornar um modelo de desenvolvimento sustentável em um mundo modificado pela pandemia.

Imagine-se em um navio em meio a uma tormenta que surgiu de forma inesperada. O nome do navio é Santa Catarina. As ondas quebrando no convés assustam, mas não são mais perigosas do que as avarias no casco. No porão, o navio começa a fazer água, ameaçando a casa de máquinas. Imagine que a casa de máquinas é o setor produtivo. A nau perde tração, mas não pode parar e ficar à deriva no mar revolto. É preciso concluir a travessia.

Diante da grave situação, a tripulação se dá conta de que precisa desenvolver novas habilidades e criar soluções para os problemas que não param de surgir. A sobrevivência não depende apenas da resistência, mas, mais do que nunca, da resiliência, da adaptação. Apesar da insegurança e do medo, existe um sentimento comum, forte, de que é possível enfrentar os desafios. União é fundamental. A tripulação ganha confiança, e o navio ganha um pouco de tração.

De repente, é possível um vislumbre de céu azul, longe no horizonte. Mas é necessário ajustar a bússola. Tamanho foi o estrago causado pela tempestade que a rota anteriormente traçada não existe mais. A nau Santa Catarina terá que encontrar um novo caminho para seguir navegando em direção ao seu destino.

Mas qual é o destino?

Deixando a alegoria do navio de lado, o destino de Santa Catarina é atravessar a crise provocada pela pandemia da Covid-19, reinventar a sua economia e se tornar uma referência mundial em desenvolvimento sustentável.

São esses os objetivos a serem alcançados por meio do Programa Travessia, elaborado pela FIESC e lançado no Estado como um movimento, envolvendo todos os setores da economia, trabalhadores, setor público, academia e os demais segmentos da sociedade. Para chegar lá, é preciso estratégia, foco e união. Se em vez de um navio imaginássemos um barco, seria o caso de dizer que todos têm de remar para o mesmo lado.

A inspiração do movimento é o New Deal, um grande pacto econômico, social e político que permitiu aos Estados Unidos superar a grande crise econômica iniciada em 1929. “Temos que nos reestruturar e encontrar mecanismos para integrar as entidades, Governo e setor produtivo na busca de soluções e novas oportunidades”, afirma Mario Cezar de Aguiar, presidente da FIESC.

É um desafio monumental, mas os tripulantes do navio Santa Catarina têm motivos para acreditar que podem atravessar a crise e sair fortalecidos do outro lado. Um dos motivos para o otimismo é que os impactos na área da saúde pública se demonstraram menos graves em Santa Catarina do que em outros centros industriais importantes do País, como São Paulo e Manaus. O Estado foi o primeiro a adotar medidas restritivas e, por consequência, o número relativo de infectados e de vítimas fatais no Estado situa-se abaixo da média nacional e das regiões citadas.

A condição permitiu a manutenção de parte da atividade industrial com consistência e segurança – mesmo assim, houve queda na produção de 28% nos cinco primeiros meses do ano, em relação a igual período de 2019 (veja o quadro). Apesar da extrema dificuldade, não houve quebra generalizada de empresas, o que é fundamental para projetar uma retomada.

Nacionalização | A atividade econômica foi profundamente afetada por transformações que sinalizam para a conformação de uma nova economia. Algumas das principais indústrias de Santa Catarina rapidamente iniciaram processos de reposicionamento e de busca de oportunidades. “Esta é uma crise sem precedentes, que afetou ao mesmo tempo oferta, demanda e força de trabalho”, diz Fernando de Rizzo, presidente da Tupy, de Joinville. “Mas teremos novas oportunidades de fornecimento para os Estados Unidos e Europa e poderemos nos beneficiar da tendência de nacionalização de componentes industriais e com uma retomada de investimentos em infraestrutura básica”, afirma o executivo.

Sua visão ilustra algumas das vantagens estruturais de Santa Catarina para a retomada em novas bases. O Brasil como um todo – o Estado em particular – pode aproveitar a tendência de busca de novos fornecedores que indústrias e países desejam ter como alternativas ao fornecimento chinês. As carências da pandemia escancararam os riscos de excessiva dependência asiática de insumos e componentes industriais, e grandes grupos ao redor do mundo já iniciaram o processo de dual sourcing – o termo refere-se à prática de se ter fornecedores diferentes para um mesmo componente ou produto. Além disso, a nacionalização de produtos industriais já é por muitos considerada uma questão estratégica, e tende a influenciar políticas industriais em favorecimento da produção nacional.

Para ambos os casos, a posição geográfica e a capacidade e a diversidade industrial de Santa Catarina se traduzem em oportunidades de inserção nos novos arranjos das cadeias produtivas globais que se articularão.

Um dos pontos centrais do Programa Travessia é a observação sistemática do ambiente, em busca da identificação de ameaças e oportunidades para o Estado, como as citadas anteriormente. Como ponto de partida, foi realizada uma ampla análise de estudos de consultorias internacionais que estão traçando cenários pós-Coronavírus. “Vamos ajustando os instrumentos de comando para continuar a jornada visando o destino vislumbrado”, diz José Eduardo Fiates, diretor de inovação e competitividade da FIESC.

Catalisador | Os ajustes de rota poderão não ser suaves. Para Fiates, o caráter das transformações aceleradas pela pandemia é comparável ao gerado por conflitos como guerras mundiais. De acordo com essa análise, as guerras seriam as catalisadoras de longos processos de tensões e rupturas que vinham ocorrendo ao longo do tempo, envolvendo os mundos das ideias, da cultura, da tecnologia e do ambiente socioeconômico. O mesmo vale para a pandemia. Por isso ela é tida como uma aceleradora de tendências que já eram observadas e comentadas, mas que apenas se insinuavam ou não se realizavam plenamente.

“A pandemia antecipa o futuro, acelera mudanças e acentua prioridades”, diz Fiates. “Daqui a 10 ou 20 anos estará claro que regiões, empresas e pessoas foram capazes de perceber as tendências e se adaptar às transformações. Santa Catarina pode ser um dos vencedores desse processo”, afirma o executivo.

A “carta náutica” que permitirá a realização da travessia engloba transitar por quatro objetivos estratégicos, quatro dimensões principais que precisam ser planejadas, articuladas e trabalhadas para que se possa atingir o objetivo central, que é o desenvolvimento sustentável (veja o infográfico abaixo). São elas:

  • Reinvenção da economia, com empresas competitivas e inovadoras;
  • Ambiente de negócios;
  • Infraestrutura;
  • Capital para investimentos e crédito

Infográfico Programa Travessia

Santa Catarina é reconhecida co­mo estado empreendedor, cuja força econômica e social está fundamentada na empresa privada. Não poderia ser de outro modo, portanto: o programa de transformação tem seu eixo e norte direcionador no setor privado. É ele o protagonista da reinvenção da economia. “É a atividade empreendedora que transforma conhecimento, ideias, energia, trabalho e visão em resultados, em benefício do ser humano e da sociedade como um todo”, diz Mario Cezar de Aguiar.

A reação empresarial já começou. O setor de confecções e têxtil, maior empregador industrial catarinense, está entre os mais afetados pela pandemia. O fechamento prolongado de shopping centers e lojas de rua em todo o País erodiu profundamente as receitas do setor, exigindo inovações e alterações dramáticas de curso. “Temos sido constantemente desafiados a pensar novos formatos que atendam o cenário de isolamento social e aos novos desejos do consumidor. Muitas mudanças vieram para ficar”, diz Thiago Hering, diretor executivo da Cia. Hering (leia mais sobre a empresa na reportagem subsequente).

Reconversão | Uma inovação apre­sentada por outra gigante do setor, a Malwee, também deu o tom de por onde pode caminhar o processo da transformação desta indústria. A empresa de Jaraguá do Sul foi pioneira no lançamento de máscaras e camisetas dotadas de substâncias desenvolvidas na Suíça e na Austrália, com propriedades capazes de combater micróbios, bactérias e fungos, eficazes na eliminação do novo Coronavírus. O uso de tecidos tecnológicos é uma das tendências para o setor, identificada pelo Programa para o Desenvolvimento da Indústria Catarinense (PDIC), da FIESC, que se tornou uma das bases orientadoras para o Programa Travessia.

Já a indústria metalmecânica, afetada pela paralisação do setor automotivo, contempla a aceleração de uma tendência: a chamada civilização do automóvel pode estar com os dias contados. Problemas de mobilidade e sustentabilidade, aliadas a tecnologias que permitem o compartilhamento de veículos e à chegada de uma geração que não entende a posse de automóveis como um valor essencial, já apontavam para um futuro desafiador para o setor.

Nesse contexto, o Programa Travessia identifica alternativas para as fabricantes de autopeças. Uma delas é a reconversão para o fornecimento ao segmento de saúde, para o qual se projeta crescimento e forte avanço tecnológico. A construção de fragatas para a Marinha em Itajaí, projeto que deverá movimentar mais de R$ 9 bilhões, também se apresenta como oportunidade.

Outra constatação é de que a sustentabilidade é um valor central da nova economia. Sua relevância é expressa pelo termo Green New Deal, uma proposta global ainda difusa para o alinhamento em torno de uma economia de fato sustentável. Em um mundo de baixo carbono, a mobilidade elétrica será um dos eixos de transformação da indústria automotiva. É uma oportunidade para a qual indústrias de Santa Catarina já vinham se preparando. A WEG domina a tecnologia de tração elétrica e aguarda oportunidades de aplicação em larga escala. “É fundamental termos políticas e financiamentos públicos para incentivar o desenvolvimento e a demanda de mobilidade elétrica, além de soluções digitais para a indústria 4.0. Esses podem ser vetores de crescimento no Brasil e no mundo”, explica Harry Schmelzer Jr., presidente do Grupo WEG.

A observação do executivo remete a outra dimensão estratégica do Programa Travessia, que é a construção de um ambiente favorável à reinvenção da economia. Passa, necessariamente, por um pacto institucional envolvendo os setores privado e público, cabendo a este último a formulação de leis, políticas e oferta de recursos na direção certa para o sucesso da travessia.

O setor privado, representado pelo Conselho das Federações Empresariais de Santa Catarina (Cofem), que adotou o Programa Travessia como ferramenta para operar a transição, aprofundou o diálogo com o Governo do Estado ao longo da pandemia. “Temos um objetivo comum, que é construir um estado cada vez melhor. E faremos isso a várias mãos”, afirma Mario Cezar de Aguiar. “Com diálogo, avançamos em projetos que fortaleçam ainda mais a nossa economia”, diz o secretário da Fazenda Paulo Eli (leia artigo do secretário).

O pacto institucional almejado vai além das boas relações público-privadas, avançando para o conceito de ecossistema. Santa Catarina já possui um ecossistema de inovação relevante, destacado nacionalmente, que funciona porque as diversas entidades envolvidas – instituições de ensino e pesquisa, centros de inovação, empresas de diversos portes e várias esferas governamentais – interagem de forma orgânica e em coordenação descentralizada, colaborando entre si. O Programa Travessia almeja propiciar ambiente semelhante por meio de diversas iniciativas, como a instauração de um conselho de governança com representantes de todos os setores e a criação de um think tank para planejamento, acompanhamento e avaliação do programa.

A dimensão estratégica da infraestrutura é fundamental não só para dotar o Estado da base necessária ao desenvolvimento dentro da nova economia, mas também porque o investimento em grandes obras é um poderoso gerador de receitas, rendas e trabalho. Tanto é assim que o New Deal americano foi em parte sustentado por grandes projetos de infraestrutura.

Saneamento | As principais necessidades e oportunidades de Santa Catarina nas áreas de transporte e logística já estão mapeadas. A FIESC elabora anualmente a Agenda Estratégica da Indústria para Infraestrutura de Transporte e Logística. A Federação também publicou o livro Proposta para Inserção de Santa Catarina no Contexto Logístico Nacional e elaborou um planejamento completo para a BR-101. Além disso, mais de 40 instituições e entidades empresariais do Estado se reúnem no Conselho Estratégico para Infraestrutura de Transporte e a Logística Catarinense, com o objetivo de priorizar os projetos mais importantes.

Tamanha articulação demonstra a importância do tema para o Estado. Ainda assim, um levantamento da FIESC identificou que, antes mesmo da pandemia, 98% das obras de infraestrutura estavam com o prazo expirado ou o andamento comprometido. Ou seja, está tudo por fazer, o que revela o tamanho da oportunidade que há nessa frente. “A demanda reprimida é tão grande que qualquer investimento nesta área trará retorno rapidamente”, argumenta Mario Cezar de Aguiar.

Para viabilizar a agenda é preciso tornar a legislação segura e atraente para investidores privados. A exemplo da nova legislação sobre saneamento aprovada pela Câmara dos Deputados, que veio na hora certa e pode viabilizar soluções para a economia e para a saúde dos brasileiros, seriamente afetada pela falta de saneamento básico. O conceito de infraestrutura adotado pelo Programa Travessia é amplo, contemplando aspectos de infraestrutura física (transportes, energia, comunicações), social (saúde, saneamento, segurança, educação), digital (banda larga, inteligência artificial, big data) e empresarial (incubadoras, parques tecnológicos, parques empresariais).

A ideia é elaborar um Masterplan, um planejamento global para o Estado, e um banco de projetos que possa ser apresentado a investidores. “Temos que assegurar que não faltarão bons projetos quando recursos públicos e privados forem disponibilizados”, diz Egídio Antônio Martorano, gerente para assuntos de transporte, logística, meio ambiente e sustentabilidade da FIESC.

A ação se conecta diretamente à quarta dimensão do Programa Travessia, que é a obtenção e a atração de capital, de investimento e crédito. Esta dimensão será tão melhor atendida quanto melhor estruturadas estiverem as outras: empresas com potencial de crescimento, segurança jurídica e bons projetos.

Cooperação | Por fim, o programa se ancora em três princípios para ganhar corpo, se legitimar e apresentar resultados. O primeiro deles, a confiança competitiva, está associado à ideia de que todos devem remar para o mesmo lado, mesmo que sejam concorrentes a nível empresarial. Em outras palavras, cooperação entre os agentes para o alcance de objetivos comuns. O segundo princípio é o da diversidade sistêmica, que deve ser estimulada. É algo que já se observa no tecido industrial catarinense, o mais diversificado do País.

Para completar o quadro, é necessário possibilitar o impossível, de acordo com Fiates. Isso quer dizer que as estratégias devem ser definidas a partir de uma pergunta: “O que poderia ser feito que parece impossível em um primeiro momento, mas que se fosse feito solucionaria muito mais rapidamente um problema?”. “É dessa forma que conseguiremos gerar soluções realmente diferenciadas, surpreendentes e inspiradoras”, afirma Fiates. A missão é árdua, mas inescapável. “O barco vai balançar, água vai correr sobre o convés, as ondas serão grandes e ameaçadoras, mas conseguiremos realizar a travessia”, acredita Fiates.

Tombo Assimétrico

Variação da produção industrial de SC (jan-mai 20/jan-mai 19)

  • Alimentos (2,1)
  • Papel e celulose (-1,6)
  • Plástico e borracha (-11,1)
  • Produtos de madeira (-12,1)
  • Produtos de metal (-14,1)
  • Máquinas e materiais elétricos (-16,6)
  • Produtos têxteis (-17,2)
  • Máquinas e equipamentos (-17,6)
  • Produtos de minerais não metálicos (-23,1)
  • Vestuário e acessórios (-29,3)
  • Metalurgia (-31,1)
  • Veículos automotores (-32,2)
  • Total SC (-28,6)

Fonte: IBGE / FIESC

Inclusão em um novo normal

FIESC desenvolve soluções para melhorar a vida das pessoas afetadas.

A FIESC foi rápida na reação à crise causada pela pandemia. Por meio do SESI e do SENAI criou protocolos de saúde e segurança para indústrias, liderou um projeto nacional para a construção e recuperação de respiradores, viabilizou a produção e aplicação de testes em empresas e criou um fundo para levantar contribuições para aquisição de equipamentos de saúde que movimentou R$ 3 milhões até junho. Para melhorar o ambiente de negócios, atuou na formulação de regras trabalhistas e costurou ações em parceria com o setor público, dentre outras iniciativas.

Todas as ações facilitaram um pouco a vida de empresas e trabalhadores, que ficou muito mais difícil com a instalação da pandemia. Mas há outra dimensão da vida das pessoas que também pode ser contemplada por soluções da FIESC. Uma equipe multidisciplinar da Federação trabalha no desenvolvimento de soluções tecnológicas para pessoas com deficiência. Em meio a entrevistas realizadas com essas pessoas, com o objetivo de conhecer de fato os seus problemas, percebeu-se que várias de suas limitações eram comparáveis às de pessoas limitadas pelo “novo normal” imposto pela pandemia – pessoas de grupos de risco e de baixo poder aquisitivo que passaram a ter dificuldades de acesso e de mobilidade, por exemplo.

A constatação levou a equipe a pensar também em soluções para ajudar essas pessoas diante de novas formas de relacionamento interpessoal e com a própria casa, as empresas e as cidades. “Aprender sobre as limitações e as dificuldades de pessoas com deficiência é entender melhor as transformações sociais que vivemos”, afirma o diretor de inovação e competitividade José Eduardo Fiates.

Pesado demais para navegar

É hora de discutir os direitos adquiridos para poder cortar gastos públicos.

Na metáfora do navio em meio a uma turbulenta travessia, o setor produtivo é a sala de máquinas. Situado no porão, este segmento é o mais ameaçado quando o navio começa a fazer água. “Se não aliviar o peso para quem impulsiona a embarcação, o navio afunda ou avança muito devagar. E nesta hora precisamos de velocidade”, diz Carlos José Kurtz, diretor institucional e jurídico da FIESC.

Desde o início da pandemia o setor privado cobra cortes de despesas do setor público. Calcula-se que uma redução de salários e de jornada de 25% pouparia, em três meses, quase R$ 40 bilhões. Enquanto na iniciativa privada as reduções chegaram a até 70% nos salários e jornada, o setor público sinaliza com aumento de impostos.

Nesse contexto de crise aguda, soluções arrojadas devem ser pensadas para aliviar o fardo do setor produtivo. Para Kurtz, é possível flexibilizar temporariamente direitos adquiridos, como salários, aplicando-se o princípio da escassez (considerando a finitude de recursos, ante a infinidade de necessidades, é preciso priorizar). “Em casos de catástrofe, como a que vivemos, o direito adquirido deve ser exercido dentro das possibilidades existentes. O direito adquirido é o salário digno, que eventualmente pode ser reduzido, ainda que temporariamente, para assegurar um alinhamento com os sacrifícios que o restante da sociedade está fazendo”, argumenta.

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