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Com 28 anos de casa o presidente da Tupy, Fernando de Rizzo, aposta em sustentabilidade e inovação para conduzir a companhia ao futuro

Ao completar dois anos como presidente da Tupy, tradicional metalúrgica fundada em 1938 em Joinville, Fernando Cestari de Rizzo, 48 anos, não esconde o orgulho pela trajetória na empresa. “São quase três décadas que me permitiram conhecer profundamente o nosso negócio, os nossos clientes e, principalmente, a nossa equipe, responsável pelos excelentes resultados que temos alcançado”, descreve. O que Rizzo gosta mesmo de fazer, no entanto, é direcionar o olhar para frente: ele fala de planos e projetos com o entusiasmo de quem está começando.

Valorizar o passado sem deixar de se preparar para o futuro é uma boa síntese da própria Tupy. A corporação octogenária carrega uma marca consagrada, mas não se fia em tudo o que já fez como garantia de que continuará sendo relevante num mercado em permanente transformação.

Evidência dessa inquietação são os investimentos em Pesquisa & Desenvolvimento, área essencial para que a empresa siga firme na trilha que escolheu: desenvolver componentes complexos, com alto valor agregado. Não por acaso, seus produtos têm encontrado grande aceitação no mercado externo, a ponto de 82% da receita se originar de exportações.

Empenhada em adotar cada vez mais os conceitos e as práticas da indústria 4.0, a empresa já conta com 230 robôs. As pesquisas em matemática avançada e data analytics envolvem não apenas as equipes internas, mas também parcerias com universidades e startups, no Brasil e no exterior, além de projetos em conjunto com as equipes de criação dos clientes.

Como resultado da expansão do portfólio ano a ano – hoje são mais de 700 produtos e aplicações –, a Tupy atende indústrias de bens de capital em setores estratégicos para o progresso e o crescimento mundial, a exemplo de infraestrutura, construção, transporte e agricultura. “São áreas com expansão assegurada para os próximos anos”, observa o CEO da Tupy.

“Estamos presentes nas colheitadeiras que contribuem com uma maior produtividade no campo, em motores acionários dentro de data centers e hospitais, em locomotivas e nos trilhos que estas percorrem, nos equipamentos utilitários dentro de portos, aeroportos e outras indústrias, em caminhões que tornam o comércio global possível e em muitos outros lugares”, descreve Rizzo.

Além dos bons resultados financeiros – a empresa faturou R$ 5,5 bilhões em 2019, o que representou crescimento de 15% sobre 2018 –, a estratégia proporciona o alinhamento da Tupy a um propósito maior: contribuir para a qualidade de vida e o acesso à água, energia, moradia e alimentação em todo o mundo.

“Ao fazermos uma aquisição somamos esforços, melhores práticas e ganhamos flexibilidade e sinergias, tornando-nos mais competitivos” | Fernando de Rizzo

Em sintonia com esses princípios, a Tupy desenvolveu uma relação simbiótica com os conceitos de sustentabilidade, tanto que Rizzo costuma dizer que a atividade da empresa é “transformar sucata de aço em tecnologia”.

A Tupy recicla 600 mil toneladas de sucata de aço por ano, material ao qual agrega pesquisa, tecnologia e conhecimento. É um processo que envolve a cadeia como um todo, incluindo fornecedores. “Temos uma parametrização muito específica dos materiais que podemos receber e, por isso, realizamos ensaios de recebimento de todas as matérias-primas para garantir que estejam na especificação adequada aos demais processos”, conta.

A Tupy tem uma trajetória marcada por superações. Em 1981, precisou se reinventar depois da morte abrupta do líder, Hans Dieter Schmidt, filho do fundador Albano Schmidt, em um acidente de avião. Outro momento crítico ocorreu na década de 2000, como decorrência da combinação entre o alto endividamento em curto prazo em moeda estrangeira e a forte desvalorização cambial.

O antecessor de Rizzo, Luiz Tarquínio Ferro, que permaneceu à frente da empresa por 15 anos, comandou uma profunda reestruturação que levou os acionistas a dar um voto de confiança à companhia. A conversão em ações de debêntures no valor de R$ 304,6 milhões ao final de 2007 impulsionou investimentos e iniciou um ciclo de crescimento.

Rizzo acompanhou tudo isso de perto desde o início da década de 1990. Paulistano, formado em Engenharia Mecânica pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), ele iniciou a carreira na Sofunge, que pertencia à Mercedes-Benz e foi adquirida pela Tupy, onde Rizzo deu sequência à carreira. Mudou-se para Joinville e hoje se sente catarinense – embora a paixão original pelo clube de coração, o Palmeiras, permaneça intensa.

Logo o jovem engenheiro passou a atuar na área de desenvolvimento de produtos, depois no planejamento estratégico. Em 2004, assumiu a vice-presidência de vendas e marketing. Desde 2012 atuava como vice-presidente da unidade de negócios automotivos, responsável pela maior parte do faturamento da companhia. Preparou-se para assumir mais responsabilidades com um MBA pela Indiana University, nos Estados Unidos, e especializações na Fundação Getulio Vargas (FGV) e na Stanford School of Business, também nos EUA.

Aquisição | Ao mesmo tempo que tem relevante presença global, a empresa trabalha com 52% de fornecedores sediados em Santa Catarina. Isso representa um grande impulso à economia local, com movimento anual de R$ 1,5 bilhão. “Embora a questão logística seja uma motivação importante para mantermos essa parceria com os fornecedores da região, a qualidade do fornecimento é o principal fator de decisão. E nisso a região é referência”, elogia Rizzo.

A tradição da empresa na formação profissional – a Escola Técnica Tupy marcou época – é honrada com projetos de capacitação como a Escola de Fundição. São duas frentes de atuação: uma em parceria com o SENAI (em que a empresa oferece o curso técnico de metalurgia, com aulas na própria empresa) e outra ministrada por profissionais da Tupy, em que funcionários de áreas não diretamente ligadas ao core business conhecem todo o processo produtivo e adquirem uma visão sistêmica do negócio.

Um dos pilares atuais da estratégia da Tupy é a política de aquisições, a partir da visão de que é mais fácil comprar empresas prontas do que começar do zero. Trata-se de uma política baseada na autoconfiança em relação à expertise que a empresa desenvolveu como gestora.

Um exemplo recente foi a aquisição em dezembro, junto ao Grupo Fiat, do negócio de fundição de ferro da italiana Teksid, especializada na produção de ferro e de fundidos para a indústria automotiva. Rizzo explica que a Teksid ofereceu como grandes atrativos a capacitação do corpo técnico e a presença operacional na Europa e na Ásia, além da atuação em segmentos estratégicos da indústria global de bens de capital, nos quais estão concentrados os interesses da Tupy.

“Quando fazemos uma aquisição, somamos esforços, melhores práticas e, do ponto de vista operacional, ganhamos flexibilidade e sinergias que contribuem para que a companhia seja ainda mais competitiva e possa continuar oferecendo produtos inovadores aos seus clientes”, avalia o presidente.

  • Fundação: 1938
  • Sede: Joinville
  • Unidades: Tupy: Joinville, Mauá (SP) e México (2); Teksid: Itália, México, Polônia, Portugal, China e Betim (MG)
  • Faturamento: R$ 5,5 bi (2019)
  • Exportações: 82% das vendas
  • Funcionários: 12.900

Por Maurício Oliveira.

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