O Marco da Fragata Mariz e Barros
No dia 9 de janeiro de 2026, o Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT) atingiu um marco histórico e técnico fundamental. No Estaleiro TKMS Brasil Sul, em Itajaí, foi realizado o corte da primeira chapa de aço da Fragata Mariz e Barros (F203). Este evento não é apenas cerimonial; ele sinaliza o início oficial da construção da quarta e última unidade prevista no contrato atual entre a Marinha do Brasil e a Sociedade de Propósito Específico (SPE) Águas Azuis.
Com este passo, o estaleiro entra em sua fase de máxima capacidade operacional, trabalhando simultaneamente em quatro navios de alta complexidade tecnológica, o que coloca Santa Catarina no centro da estratégia de defesa naval da América do Sul.
O Estado da Arte: O Andamento do Programa
O PFCT é atualmente o mais moderno projeto de construção naval em curso no Brasil. O status atual das embarcações reflete um cronograma rigoroso:
- Fragata Tamandaré (F200): A pioneira da classe já concluiu seus testes de mar primordiais e está em fase final de preparação para o comissionamento e entrega ao setor operativo.,
- Fragata Jerônimo de Albuquerque (F201): Lançada ao mar no segundo semestre de 2025, encontra-se em fase avançada de instalação de sistemas de armas e sensores (outfitting).
- Fragata Cunha Moreira (F202): Com o batimento de quilha ocorrido em 2025, a estrutura começa a tomar forma definitiva nos hangares do estaleiro.
- Fragata Mariz e Barros (F203): Agora em fase de corte de chapas, inicia sua jornada física para completar a flotilha.
A Tradição dos Nomes e a Honra Naval
A escolha dos nomes para a Classe Tamandaré segue o critério da Marinha de homenagear oficiais que personificam os valores de bravura e patriotismo. A classe leva o nome do Patrono da Marinha, Almirante Tamandaré, e as unidades subsequentes honram heróis como Jerônimo de Albuquerque e o Almirante Cunha Moreira.
Quem foi Mariz e Barros?
O Primeiro-Tenente Antônio Carlos de Mariz e Barros (1835-1866) é um dos heróis mais emblemáticos da Guerra da Tríplice Aliança. Filho do Almirante Visconde de Inhaúma, Mariz e Barros demonstrou desde cedo um espírito indômito.
Durante o conflito, ele comandava o Encouraçado Tamandaré — uma coincidência histórica que agora une o nome do comandante ao da classe da nova fragata. Em 27 de março de 1866, durante o bombardeio ao Forte de Itapiru, uma granada paraguaia atingiu a casamata do navio, ferindo-o gravemente. Mesmo em agonia, recusou-se a abandonar o posto até que a missão fosse concluída. Sua morte prematura, aos 31 anos, tornou-se um símbolo de sacrifício e honra, eternizada pela mensagem enviada ao seu pai: "Mande dizer ao meu pai que eu sempre soube honrar o seu nome".
Impacto na Base Industrial de Defesa (BID)
Para além do poder dissuasório da Marinha, a construção da Fragata Mariz e Barros e de suas irmãs em solo catarinense é um motor econômico para o estado. O projeto garante:
- Transferência de Tecnologia (ToT): Domínio de softwares de combate e sistemas de monitoramento por engenheiros brasileiros.
- Conteúdo Local: Estima-se que o índice de nacionalização supere os 40% nesta unidade final, movimentando centenas de empresas da cadeia produtiva de defesa.
- Qualificação de Mão de Obra: Consolidação de Itajaí como um "cluster" naval capaz de competir em licitações internacionais no futuro.
O corte da chapa da F203 reafirma que o Brasil caminha para uma Marinha moderna e tecnologicamente independente. A Fragata Mariz e Barros nasce não apenas como um navio de guerra, mas como o testemunho da capacidade da indústria nacional em entregar excelência em defesa e segurança.
Fonte: Agência Marinha de Notícias Acesse: https://www.agencia.marinha.mil.br/
Fotografia: Terceiro-Sargento (ES) Lucas Rocha Dantas
