Tecnologia de ponta e autonomia brasileira no suporte às operações da Defesa Civil no Acre
Drone HARPIA.

O recente emprego do Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT) HARPIA no Acre não foi apenas uma operação de Defesa Civil; foi uma demonstração de maturidade da Base Industrial de Defesa (BID) brasileira. Enquanto o Rio Acre atingia níveis críticos, a tecnologia da ADTECH-SD provou que a persistência de vigilância (algo antes restrito a satélites caros ou aeronaves tripuladas de alto custo) está agora ao alcance do emprego tático e regional.

O Diferencial Tático na Crise Amazônica 

No Acre, o desafio operacional superava a simples inundação; tratava-se de operar em um ambiente de densa cobertura vegetal e logística terrestre severamente comprometida. Enquanto as equipes de resgate enfrentavam a força da correnteza do Rio Acre e do Igarapé São Francisco, o HARPIA atuou como um "posto de observação avançado". Sua capacidade de romper a barreira visual da mata e transmitir coordenadas precisas permitiu que a Defesa Civil mapeasse, em tempo real, o avanço das águas sobre bairros que ficariam isolados horas depois. Essa capacidade preditiva foi o diferencial: em vez de apenas reagir a chamados de socorro, os comandantes em solo puderam antecipar evacuações e otimizar o uso de botes e aeronaves tripuladas, que só eram acionados para pontos já confirmados pelo drone.

1. A Mudança de Paradigma: Por que os Drones são Vitais? A ascensão dos drones no cenário global redefiniu os conceitos de ISR (Inteligência, Vigilância e Reconhecimento). Os principais benefícios incluem:

  • Persistência sobre o Alvo: Diferente de um helicóptero que possui autonomia limitada e alto custo de hora-voo, sistemas como o HARPIA oferecem até 12 horas de "olhos no céu".
  • Redução de Risco Humano: Em desastres naturais ou zonas de conflito, o drone substitui a necessidade de expor tripulações a condições meteorológicas adversas ou fogo inimigo.
  • Multiplicador de Forças: Um único operador de VANT fornece consciência situacional para múltiplas agências em solo (Bombeiros, PM e Exército) simultaneamente via streaming de dados.

2. O Emprego Dual e a Soberania Tecnológica 

O caso do Acre ilustra o conceito de tecnologia dual. A mesma plataforma que identifica uma família isolada por uma enchente é a que rastreia pistas de pouso clandestinas na Amazônia ou monitora o tráfico de armas nas fronteiras.

A versatilidade do HARPIA exemplifica como o investimento na BID gera retornos diretos para a sociedade. Ao desenvolver sistemas de emprego dual, o Brasil otimiza recursos públicos: a mesma ferramenta utilizada para rastrear ilícitos transnacionais e apoiar a vigilância de fronteiras pode ser rapidamente convertida para operações de assistência humanitária e defesa civil. Essa flexibilidade operacional só e possível graças ao fomento da indústria nacional, que projeta soluções sob medida para os desafios logísticos das nossas dimensões continentais.

3. Tendências Globais e o Contexto Brasileiro 

De acordo com relatórios de instituições como o SIPRI (Stockholm International Peace Research Institute) e o IISS, o mercado de drones de defesa deve crescer exponencialmente nesta década. O Brasil, com suas dimensões continentais, encontra nos VANTs de longo alcance a solução para o "vazio de vigilância" em áreas remotas.

FuncionalidadeImpacto na Segurança Pública/Defesa
Vigilância de FronteirasDetecção precoce de ilícitos sem alerta sonoro prévio
Gestão de CrisesMapeamento térmico de focos de incêndio ou inundações
Logística e Comunicação        Possibilidade de servir como retransmissor de rádio em áreas remotas

O sucesso do HARPIA no Acre reafirma que o futuro da defesa brasileira passa pela integração de dados e pela automação. A transição de "vistorias manuais" para "vigilância baseada em dados" é um caminho sem volta que coloca a tecnologia nacional no centro da estratégia de proteção da vida e do território brasileiro.

Foto: Dhárcules Pinheiro/Ascom Sejusp

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