A busca pela autonomia tecnológica deixou de ser um discurso institucional para se tornar uma métrica de prontidão operacional. Sob a diretriz de reduzir vulnerabilidades logísticas e fortalecer a Base Industrial de Defesa (BID), o Exército Brasileiro tem acelerado o passo na nacionalização de componentes críticos, focando em nichos onde a dependência externa hoje dita o ritmo da nossa disponibilidade em combate.
Blindado Leopard 1A5 BF

O Papel Estratégico da DF: Muito além da Produção

A Diretoria de Fabricação consolidou-se como o elo catalisador entre o Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação e o braço logístico da Força Terrestre. Diferente de uma estrutura de produção isolada, a DF atua para complementar a indústria nacional, focando em três pilares que mitigam riscos:

  1. Engenharia Reversa e Integração: Domínio de tecnologias que já estão no mercado, mas precisam de integração soberana.
  2. Combate à Obsolescência: Modernização sistêmica para estender a vida útil de ativos sem depender de fornecedores estrangeiros que, muitas vezes, descontinuam o suporte.
  3. Inovação Incremental: Ajustes precisos em projetos de engenharia para adaptar o material às particularidades do cenário operacional brasileiro.

O Gargalo dos Blindados e a Janela de 2026

Um dos pontos mais sensíveis da Estratégia de Defesa reside na frota de blindados. O custo elevado e o longo lead time de componentes importados para o Leopard 1A5 e o M109 são obstáculos que o Exército quer remover.

  • VBC CC Leopard 1A5: O foco está no "cérebro" do carro. A nacionalização do computador de tiro (Placa A9), reguladores de voltagem e baterias blindadas é prioridade zero. Fique atento: Um edital de Diálogo Competitivo está previsto para junho de 2026, abrindo uma oportunidade real de co-desenvolvimento com a indústria.
  • Artilharia de Campanha: O projeto do Obuseiro L119 Light Gun busca não apenas peças, mas a montagem e integração total em solo brasileiro, enquanto o suprimento de morteiros (60mm e 81mm) garante uma demanda contínua de placas-base e reparos pelos próximos dez anos.

Drones de Ataque: A Resposta à Guerra Moderna

O encerramento da etapa de habilitação da RFI para drones de ataque (categorias 0 e 1), em janeiro de 2026, enviou um recado claro ao mercado: o Brasil quer ser protagonista em sistemas não tripulados. Das 37 empresas habilitadas, 33 são brasileiras.

Essa adesão massiva permite que o Exército e os Arsenais de Guerra trabalhem em parceria com o setor privado para desenvolver munições remotamente pilotadas (kamikazes) e lançadores que atendam à nossa doutrina específica, fugindo de soluções de "prateleira" que podem sofrer bloqueios tecnológicos internacionais.

A Vez da Indústria Catarinense

Para as empresas de Santa Catarina, o cenário é de franco crescimento. Além da proximidade logística com grandes centros de manutenção do Sul, os mecanismos de Encomenda Tecnológica permitem que o risco da inovação seja reduzido.

Somado a isso, o uso estratégico do RETID (Regime Especial de Tributação para a Indústria de Defesa) oferece uma vantagem competitiva imediata, com desonerações que chegam a 9% nos custos de contrato. É o momento de a indústria catarinense, já reconhecida pela precisão técnica, consolidar-se como fornecedora estratégica da soberania nacional.

Quer saber como sua empresa pode se posicionar nessas demandas? Entre em contato com a equipe do CONDEFESA.

Confira a reportagem completa sobre o encontro promovido pela FIESC. Acesse aqui.

Imagem: Exército Brasileiro.

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