A construção de edifícios entre os mais altos do Brasil transformou o litoral de Santa Catarina em um laboratório avançado de engenharia vertical. Cidades como Balneário Camboriú e Itapema concentram empreendimentos com mais de 70, 80 e até 100 pavimentos, exigindo soluções técnicas inéditas no País, o que levou o setor a outro patamar. “São obras que exigem engenharia estrutural extremamente sofisticada e um controle rigoroso de todas as etapas”, afirma Marcos Bellicanta, presidente da Câmara de Desenvolvimento da Indústria da Construção da FIESC.
Empresas como a FG Empreendimentos, responsáveis por alguns dos prédios mais altos do Brasil, trabalham com estruturas que ultrapassam 250 metros de altura, volumes de concreto que podem superar 80 mil metros cúbicos por empreendimento e fundações profundas adaptadas a solos litorâneos, sujeitos à salinidade e a elevados níveis de lençol freático. Em edifícios desse porte, o investimento total frequentemente ultrapassa a casa de R$ 1 bilhão, considerando obra, tecnologia embarcada e sistemas de alto desempenho.
Os projetos envolvem cálculos estruturais avançados para cargas de vento, uso de concretos especiais de alta resistência, além de sistemas de amortecimento que reduzem oscilações e aumentam o conforto dos moradores nos andares mais altos. Elevadores de alta velocidade, fachadas de alto desempenho térmico e acústico e automação predial tornaram-se itens praticamente obrigatórios. A complexidade vai além da estrutura, pois a logística de uma obra dessas é completamente diferente: são milhares de toneladas de materiais, operações contínuas de içamento, planejamento milimétrico e gestão de risco permanente.
Para levantar um edifício como o Senna Tower, de 550 metros de altura, a FG teve que desenvolver um know-how próprio, ao mesmo tempo que fazia intercâmbio com especialistas de todo o planeta. A fundação da torre, por exemplo, será feita com uma tecnologia inédita no Brasil, com estacas de 40 metros de profundidade fixadas em um maciço rochoso abaixo do terreno na Barra Sul. O projeto teve a participação do engenheiro Fatih Yalniz, de Nova York, referência mundial em arranha-céus e responsável pelo design estrutural do Senna Tower.
“A FG investiu na formação de um núcleo próprio de engenharia e planejamento, mas sempre buscou conhecimento global. Realizamos missões técnicas, participando dos principais fóruns mundiais de engenharia e construção em altura, promovendo networking com especialistas, centros de pesquisa, projetistas e empresas referência no setor”, explica o presidente Jean Graciola.
Balneário Camboriú concentra mais da metade dos edifícios acima de 200 metros do Brasil, atraindo engenheiros, projetistas e fornecedores de tecnologia de várias regiões do País. Esse movimento criou um ecossistema técnico especializado, com impacto direto na qualificação da mão de obra local. O resultado é um modelo urbano que alia alto adensamento, engenharia de ponta e forte valorização imobiliária, posicionando Santa Catarina como referência na construção de superprédios.