A escassez de mão de obra tornou-se um dos principais entraves ao crescimento da construção civil em Santa Catarina. A atividade ainda é percebida como pesada, pouco atrativa e de alto risco, por isso o setor enfrenta dificuldades para atrair jovens, dependendo de profissionais mais experientes, porém mais suscetíveis a doenças ocupacionais, afastamentos e limitações físicas, além de acidentes de trabalho. A idade média do trabalhador da construção no Brasil ultrapassa os 42 anos, de acordo com o Sinduscon-SP.
A falta de profissionais já afeta diretamente o desempenho das empresas, pressionando custos, comprometendo prazos, dificultando a adoção de novas tecnologias e limitando a capacidade de expansão do setor. A situação, que abrange de pedreiros, eletricistas e carpinteiros a engenheiros civis e técnicos, também pressiona os salários – na média, a remuneração no Estado é até 30% maior que em São Paulo. “Hoje falta trabalhador em todos os níveis da construção civil, e reverter esse quadro é essencial para a sustentabilidade do setor”, afirma Fabrízio Pereira, diretor regional do SENAI/SC.
Para enfrentar o problema, o SENAI tem ampliado a oferta de cursos de qualificação, aprendizagem industrial e formação técnica voltados à construção civil, com foco em práticas modernas e tecnologias construtivas. A estratégia inclui atração de jovens, mostrando que o setor hoje envolve tecnologia, engenharia avançada e oportunidades de carreira. Uma iniciativa piloto em Joinville envolve qualificação profissional “sob medida”, em que o SENAI/SC atua junto às empresas para formar trabalhadores de acordo com demandas reais dos canteiros, com foco em acelerar a entrada de novos profissionais, reduzir a evasão e requalificar quem já está no mercado.
As empresas, que vivem uma disputa acirrada por mão de obra, investem em capacitação e valorização dos trabalhadores. No final de 2024, a MS Empreendimentos lançou a MS School, voltada para funcionários e fornecedores. “A ideia nasceu para fazer com que o conhecimento interno se multiplicasse, com cada setor explicando seus processos e impactos nas outras áreas para todos os colaboradores”, explica a CEO da MS, Carla Taynara de Brito. Para 2026, a ideia é expandir os cursos e trazer convidados externos, trabalhando com palestras e “lives”, cursos on-line de curta duração e seminários.
Outra forma de contornar o problema é mexer nos processos. Uma tendência no setor é a industrialização dos processos construtivos, que contempla a produção em série de grandes “blocos” de construção, focando na padronização e na pré-fabricação, ao invés de tudo ser feito no canteiro de obras. Nesse modelo são demandados trabalhadores mais qualificados, porém em menor quantidade que o requerido atualmente. “Há problemas de aceitação disso no Brasil, mas não há outra saída. Seremos cada vez menos artesanais, e isso vai diminuir desperdícios, elevar a qualidade e melhorar a assertividade dos cronogramas”, diz Brito.