Setor defende debate profundo e negociação coletiva como instrumento adequado para mudanças na jornada e na escala de trabalho; FIESC participou do evento em Brasília

Brasília, 01.07.2026 – O Senado Federal realizou, nesta quarta-feira (1º), uma sessão de debates temáticos de caráter não deliberativo para iniciar oficialmente as discussões sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019. O texto, que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, busca redefinir os impactos sociais, econômicos e produtivos da jornada de trabalho no Brasil.

Embora já tenha sido aprovada pela Câmara dos Deputados, a proposta ainda passará pelo crivo dos senadores. O encontro reuniu parlamentares e representantes de diversos setores da sociedade civil, incluindo trabalhadores e líderes empresariais, entre eles a Federação das Indústrias de SC (FIESC), que participou a convite do Senador Esperidião Amin.

Durante a sessão, o setor industrial manifestou suas ponderações sobre a forma como a proposta vem sendo conduzida, por meio da participação do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban. A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) está alinhada com os argumentos da CNI, que reforça a necessidade de um debate profundo sobre os impactos na economia e na produtividade brasileira.

Para o segmento, a negociação coletiva é o instrumento adequado e já disponível para que empregadores e trabalhadores entrem em consenso sobre a escala e a jornada de trabalho. Isso porque essa negociação leva em conta as particularidades de cada segmento. 

Competitividade em xeque

O presidente da CNI enfatizou que o setor produtivo não se opõe ao conceito de discutir a escala de trabalho, mas argumenta que a forma  e o timing em que  processo está sendo conduzido preocupa o setor industrial. Alban salientou o peso do "Custo Brasil" — impulsionado pelos juros altos e pelos custos de energia — e pontuou que o aumento de despesas sem ganho tecnológico ou de produtividade inevitavelmente se converte em inflação de preços.

"Não podemos tapar o sol com a peneira. O compromisso do setor produtivo é discutir e encontrar a solução no tempo e da forma adequada para que a gente possa manter a competitividade", declarou Alban, alertando ainda para o crescimento do déficit na balança comercial de produtos manufaturados no país.

Alerta da FIESC: transição curta compromete o planejamento

Endossando a manifestação da CNI, a FIESC tem alertado sobre os riscos econômicos da medida e criticou a velocidade estipulada pelo Legislativo. Para o presidente da Federação catarinense, Gilberto Seleme, “a redução da jornada de trabalho custará caro ao Brasil". O setor produtivo reforçou a visão de que a mudança seja fundamentada em uma análise de impacto técnica e profunda a, transformando-se em uma conquista real para a sociedade sem desestruturar a capacidade de geração de empregos e a sustentabilidade das empresas brasileiras.


Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação
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