Florianópolis, 29.01.26 - Santa Catarina encerrou 2025 com a criação de 59,2 mil postos de trabalho formais. Na comparação com os demais estados, SC encerrou o ano na sétima posição na geração de empregos. A indústria foi responsável por 6,9 mil vagas abertas no ano passado, segundo dados do Novo Caged. A despeito do resultado positivo, o cenário reflete uma desaceleração da economia do estado. Em relação a 2024, SC foi um dos estados que registrou o menor crescimento (2,3%), o que coloca o estado na 23ª posição entre os que mais criaram postos.
O presidente da Federação das Indústrias (FIESC), Gilberto Seleme, explica que a elevada taxa de juros tem cumprido seu papel de reduzir a atividade econômica e o consumo.
“A indústria acaba sendo o setor em que essa perda de ritmo é mais visível. O emprego industrial de SC também foi afetado por questões externas, como o Tarifaço, que teve impacto negativo no saldo de empregos em setores como madeira e móveis, que encerraram o ano com perda de 2,8 mil vagas”, afirma.
Segmentos industriais
Na indústria, o segmento de alimentos e bebidas liderou a criação de oportunidades, com 3,8 mil vagas em 2025, segundo dados do Observatório FIESC. Esse desempenho reflete não só o impacto do elevado consumo das famílias no mercado doméstico, mas também um esforço na busca de novos parceiros comerciais no exterior e a ampliação de exportações.
A construção civil apresentou o segundo maior saldo de vagas (3,7 mil), refletindo o atual momento do ciclo construtivo e também o dinamismo do setor no litoral catarinense. O segmento da construção em SC é menos impactado pela alta de juros do que outros estados, dada a característica do mercado imobiliário catarinense.
O setor de máquinas e equipamentos gerou 2,8 mil vagas no ano passado, impulsionado em parte pela safra recorde e também por incentivos como a depreciação acelerada. Além disso, foi impulsionado pela recuperação da economia argentina e pelo aumento das exportações para o país vizinho.
Do lado das quedas, o Tarifaço foi o principal fator negativo, com impacto no setor de madeira e móveis (-2,8 mil vagas). Dados do Observatório FIESC mostram que o setor têxtil, de confecção, couro e calçados também registrou queda no número de empregos (-1,7 mil).
Comércio, Serviços e Agropecuária
Para o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, a dinâmica econômica atual afeta mais fortemente a indústria, já que os juros elevados encarecem o crédito, comprimem o consumo de bens duráveis - como máquinas e equipamentos - e impactam cadeias produtivas mais longas.
O setor de serviços e o comércio tendem a ser favorecidos nesse cenário: o primeiro registrou saldo positivo de 38,7 mil vagas em 2025, e o segundo, de 12 mil vagas. Já a agropecuária encerrou o ano com 1,5 mil empregos criados.
Confira a análise do emprego em 2025
Dezembro
Os dados de dezembro corroboram a tendência de arrefecimento da economia catarinense, quando o estado perdeu 48 mil empregos. Todos os grandes setores da economia tiveram saldo negativo de empregos, mas a indústria foi o segmento que mais perdeu vagas em dezembro: 27,1 mil.
“Embora a queda em dezembro seja esperada, o recuo ficou acima do esperado e reflete clara perda de tração da atividade industrial”, explica Bittencourt.
O segmento de serviços perdeu 15 mil vagas, o comércio registrou saldo negativo de 3,8 mil e a agropecuária queda de 2 mil postos de trabalho em dezembro.
