Em Chapecó, imigrantes venezuelanos reconstroem suas vidas, reúnem suas famílias e passam a enxergar um horizonte de prosperidade que parecia impossível há poucos anos - Por Suellen Santin.
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Davier (esquerda): objetivo de trazer a família alcançado. Esther (direita) se sente abençoada por auxílio e emprego rápido - Fotos: Suellen Santin

Em busca de estabilidade, emprego e melhores condições de vida para suas famílias, os venezuelanos Davier Jesus Camacho Palma e Esther Gabriela Nunez Figuera escolheram o Brasil para recomeçar. Hoje, trabalhando em uma grande indústria em Chapecó, eles representam uma realidade cada vez mais comum: a de imigrantes que encontram na cidade oportunidades de crescimento profissional e prosperidade.

Natural de Maturín, no nordeste da Venezuela, Davier chegou ao Brasil em 2018, acompanhado da irmã. O objetivo era construir uma base financeira para, futuramente, trazer a esposa e a filha. “Quando se tem filhos, precisamos começar do zero por eles, se for preciso”, afirma.

Após três anos trabalhando como pedreiro em Boa Vista (RR), ele conheceu um programa que conecta imigrantes a empresas em busca de mão de obra. Foi assim que descobriu vagas na agroindústria de Chapecó. Mudou-se para Santa Catarina já com contrato assinado para atuar como operador. Em pouco tempo conquistou duas promoções e hoje trabalha como auxiliar no Serviço de Inspeção Federal (SIF).

A história de Esther também é marcada pela busca de oportunidades. Depois de deixar a Venezuela, ela viveu seis anos na Colômbia com o marido e as duas filhas. Quando perceberam que as perspectivas por lá eram limitadas, decidiram tentar uma nova vida no Brasil. A família entrou pelo Estado de Roraima e permaneceu apenas dois meses em Boa Vista. Em seguida, Esther e o marido foram contratados pela mesma agroindústria em Chapecó. “É muito difícil para quem chega a outro país conseguir emprego. Me considero muito abençoada por ter recebido auxílio e encontrado trabalho tão rápido”, relata.

A rapidez na inserção profissional foi decisiva para a adaptação da família. Esther destaca que a mudança cultural e o idioma não foram obstáculos tão grandes quanto imaginava. “Nossa vida melhorou muito e ainda conseguimos ajudar familiares que ficaram na Venezuela.”

Além da oferta de trabalho, a qualidade de vida encontrada em Chapecó foi um dos fatores que mais impressionou os dois imigrantes. Recentemente, Davier con­seguiu reunir novamente a família ao trazer ao Brasil a esposa e a filha para morar com ele. “Chapecó é um dos melhores lugares para se viver porque tem muitas empresas e empregos”, afirma.

Fora do ambiente de trabalho, ambos valorizam a tranquilidade da cidade, os passeios em parques, as caminhadas pelo centro e a receptividade encontrada no Brasil. Os planos para o futuro também são semelhantes: crescer profissionalmente, conquistar a casa própria e permanecer no País. “Hoje estamos estáveis. Daqui a alguns anos me vejo comprando um carro, um apartamento, e crescendo no trabalho”, diz Davier. “Aqui não nos falta nada. Temos emprego, oportunidades e condições de construir uma vida melhor. Não pretendemos voltar”, diz Esther.

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