Robson Braga de Andrade, empresário e presidente da Confederaçã Nacional da Indústria (CNI) - Foto: Divulgação

A pandemia da Covid-19 nos ensinou a ser mais cautelosos em relação a previsões, mas também ressaltou a necessidade de termos uma atitude mais positiva diante dos acontecimentos. Depois do terrível perecimento de milhões de pessoas no mundo e dos graves prejuízos econômicos, a vida provavelmente deve retornar a algo próximo da normalidade no ano que vem. À medida que a vacinação avança, as atividades estão sendo retomadas com mais segurança. O alívio sanitário trará de volta a confiança, o que, segundo analistas, levará a economia global a reagir.

Governos, empresas, instituições e trabalhadores se mobilizaram para combater o coronavírus, o maior desafio que a humanidade enfrentou desde a Segunda Guerra Mundial. No centro das preocupações sempre esteve o cuidado com as pessoas, especialmente as mais vulneráveis, seja na forma de pesquisas para evitar a infecção, seja de políticas públicas para minimizar os efeitos do afastamento social na renda das pessoas. Nós, do Sistema Indústria, fizemos a nossa parte, com um amplo e bem-sucedido programa de doação de equipamentos de uso hospitalar e conserto de respiradores, entre outras iniciativas.

Após o necessário período de restrição social, que afetou o trabalho e as atividades econômicas, agora o ambiente é de distensão gradual. No Brasil, ainda temos que lidar com problemas sérios, alguns agravados pela pandemia: desemprego alto, inflação e quadro fiscal preocupantes, renda estagnada, consumo fraco, incertezas quanto ao fornecimento de energia e desarranjos nas cadeias produtivas, por exemplo. Estes fatores têm afetado alguns resultados mensais da produção industrial, que ainda está 2,9% abaixo do nível pré-pandemia.

Apesar do quadro conjuntural adverso, há motivos para acreditar na recuperação da economia brasileira, que sempre demonstrou capacidade de reagir de modo mais ou menos rápido. Nas previsões da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Produto Interno Bruto deve crescer 4,9% neste ano, com o PIB industrial aumentando 6,1%. As estimativas de expansão dos segmentos são de: indústria da transformação, 7,9%; indústria extrativa, 4%; e indústria da construção, 5%. No ano que vem, os resultados estatísticos podem ser mais modestos, mas, neste momento, o importante é continuarmos trabalhando para que o País avance na direção correta.

Além da vacinação, as reformas estão caminhando no Congresso Nacional, em especial a do sistema tributário e a administrativa. Outros fatores que merecem destaque, até agora, são a modernização de marcos legais na infraestrutura, avanços nos programas de concessão de rodovias e aeroportos, contas externas positivas e expansão das fontes alternativas de energia elétrica, dentre outros. Todos nós, no setor privado e nos governos, devemos ficar alertas, trabalhar com afinco e aproveitar as oportunidades que virão. Sobretudo, precisamos nos manter confiantes na retomada do crescimento.

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