Evento Radar Tech, realizado na FIESC nesta quinta-feira (16), debateu o impacto da robótica e da transformação digital na indústria, abordando efeitos sobre a competitividade e a qualificação de trabalhadores

Florianópolis, 16.04.2026 - A adoção de tecnologias emergentes e da robotização não é mais uma escolha, mas uma condição para que a indústria catarinense sobreviva e cresça no cenário global. Esse é o recado de líderes industriais e especialistas durante o Radar Tech, evento realizado pela Federação das Indústrias de SC (FIESC) nesta quinta-feira (16). Eles abordaram não só o desafio de elevar a produtividade, mas também a necessidade de reconfiguração do mercado de trabalho. 

O presidente da FIESC, Gilberto Seleme, abriu o evento contrapondo a visão de que a automação e a robotização vão gerar desemprego. Segundo ele, os robôs são aliados essenciais contra o atual apagão de mão de obra.

“Essas tecnologias são uma realidade que precisa estar em nossas fábricas. Na experiência da minha empresa, os robôs não geraram demissões; o aumento da produtividade criou novas demandas”, afirmou o presidente da entidade.

Para o especialista Gil Giardelli, algumas tarefas repetitivas, que consomem muito tempo ou são arriscadas, não precisam mais ser executadas por trabalhadores humanos. A adoção de tecnologias como robotização e soluções de IA pode ser uma alternativa nesses casos, mas irá demandar qualificação da força de trabalho. Ele não acredita, contudo, que haverá redução de postos, mas que eles ficarão mais sofisticados. 

O Abismo da Produtividade
A diferença de produtividade entre Brasil e potências globais foi o alerta de Fabrízio Pereira, diretor regional do SENAI/SC. Ele revelou que, enquanto a China cresceu 488% em adoção tecnológica nos últimos cinco anos, o Brasil avançou apenas 33%.

“Temos 17 robôs para cada 10 mil trabalhadores, contra 400 na China. A tecnologia já está disponível no Estado; falta a indústria se apropriar dela para mudar o ponteiro da produtividade”, provocou Fabrizio.

Lição de casa
Para Luis Liguori, diretor da AWS Brasil, a eficácia da Inteligência Artificial depende de fundamentos sólidos. Ele advertiu que muitas empresas tentam "pular fases" sem estruturar seus dados. 

“Temos que preparar a fundação. Além disso, é preciso priorizar o lado humano e a adaptabilidade das equipes”, pontuou o executivo.

O gerente de TI da DR Aromas e Ingredientes, Rafael Dall'Anese, destacou que a transformação exige "olhar para dentro". A empresa centenária foca em três pilares: analytics (orientação por dados), IA e uma "torre de controle" para monitoramento total da jornada produtiva.

Na WEG, a inovação é tratada como pilar estratégico. Henrique Bresolin, coordenador de Engenharia de Tecnologias Avançadas da companhia, ressaltou que o segredo para vencer a resistência técnica é o engajamento total. 

“Na WEG, do porteiro ao presidente, todos estão focados em melhorias”, afirmou Bresolin.

Na visão do diretor de Desenvolvimento Industrial e Inovação da FIESC, José Eduardo Fiates, quem não der uma virada radical vai perecer. 

“É uma virada em diversos sentidos: vira para os lados para identificar a solução, vira de ponta cabeça para rever os conceitos; vira fora, derrama práticas, processos que não servem mais; é o vira de ‘se vira e resolve o problema’. Vira de se orientar na direção correta, é um vira de se transformar. Essa é a única alternativa para nós,” disse Fiates.

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