Negociação coletiva e características de cada setor precisam ser levadas em conta, diz Federação

Florianópolis, 14.10.26 - A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) defende que o debate sobre o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho precisa ser conduzido de forma técnica e sem contaminações políticas. Segundo a entidade, a imposição de uma mudança generalizada por via constitucional ignora a diversidade do setor produtivo e pode desequilibrar a sustentabilidade financeira das empresas.

"A FIESC avalia que a discussão precisa ser aprofundada e que o momento próximo das eleições contamina o debate, indo para a parte ideológica da questão. Temos muitos setores industriais em Santa Catarina e cada setor tem a sua peculiaridade, que precisa ser considerada", afirmou o presidente da entidade, Gilberto Seleme.

Seleme também ressaltou que diversos segmentos industriais no estado já adotam espontaneamente modelos mais flexíveis de trabalho, como o regime 5x2, demonstrando que os arranjos funcionam melhor quando respeitam a realidade operacional de cada empresa. No entanto, o presidente da FIESC alertou para os impactos econômicos diretos que uma alteração compulsória pode causar no orçamento das famílias e no mercado. "O setor produtivo vai pagar, mas a vai repassar esses custos para os preços de seus produtos e serviços, então o produto vai ficar mais caro no mercado, nas lojas”, explicou o presidente da Federação.

Outro ponto crítico destacado pela FIESC é o impacto direto sobre a competitividade da indústria catarinense e a economia do consumidor final. Em um cenário marcado pela escassez de mão de obra qualificada no estado, a obrigatoriedade de novas contratações tende a inviabilizar pequenos e médios negócios, além de pressionar os preços dos produtos, alimentando a inflação. A entidade alerta ainda que o encarecimento do emprego formal pode gerar o efeito inverso ao pretendido, estimulando a migração para a informalidade e a perda de postos formais de trabalho.

Por fim, a FIESC reitera a necessidade de preservar a negociação coletiva entre sindicatos de empregadores e de trabalhadores como a via adequada para avanços nas relações trabalhistas. Para a entidade, mudanças sustentáveis na jornada só são viáveis quando atreladas a ganhos reais de produtividade, inovação e automação. 

O Senado Federal debate o tema na tarde do dia 14 e a expectativa é de que a proposta que acaba com a escala 6x1 (PEC 221/2019) seja votada ainda hoje. 


Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação

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