O desenvolvimento de Santa Catarina mostra que a força da indústria vai muito além de máquinas, fábricas ou números. Ela está, sobretudo, nas pessoas e na capacidade que elas têm de se associar, cooperar e agir de forma coletiva. Esse espírito associativo é um dos pilares que explicam a resiliência da indústria catarinense diante de cenários econômicos adversos.
O desempenho das exportações ilustra bem essa capacidade de resistência. Em 2025, Santa Catarina alcançou um novo recorde histórico, com US$ 12,2 bilhões exportados, alta de 4,4% em relação ao ano anterior, mesmo em um ambiente internacional mais desafiador, marcado por barreiras tarifárias, restrições sanitárias e menor dinamismo da economia global. O resultado se mostra ainda mais relevante uma vez que setores importantes para a economia catarinense foram diretamente afetados pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos, além da retração das vendas para a China.
Sustentar esse crescimento não foi resultado de um fator isolado, nem significa que os problemas tenham sido superados. Empresas, sindicatos e entidades atuaram de maneira articulada para pensar soluções, elaborar estratégias e programas de apoio aos setores mais afetados. Iniciativas como ampliar a promoção comercial de SC no exterior e a busca ativa por diversificação de mercados levou a uma ampliação das vendas para países da América do Sul – como Argentina e Chile -, da Europa e do Oriente Médio, o que ajudou a compensar a queda das vendas para destinos tradicionais.
Esse movimento só é possível em um ambiente onde o associativismo é valorizado. A organização coletiva fortalece a troca de informações, amplia a capacidade de negociação e permite respostas mais coordenadas em momentos de instabilidade. Ao unir empresários, trabalhadores e instituições, o setor produtivo ganha escala, legitimidade e inteligência estratégica. E no centro desse processo estão as pessoas. São elas que tomam as decisões, que trazem novas ideias e soluções criativas para as adversidades.
Para 2026, novos desafios se impõem. A elevada taxa de juros no Brasil tem provocado desaceleração do crescimento industrial ao restringir o crédito e postergar investimentos. Embora a produção industrial catarinense tenha crescido 2,8% em 2025 até outubro, já observamos claramente a perda de ritmo.
Somam-se a isso as incertezas geopolíticas globais, que exigem atenção permanente. Diante desse cenário, Santa Catarina reafirma uma convicção construída ao longo de décadas: a indústria é mais resiliente quando se apoia nas pessoas e no associativismo. É essa base sólida que permite enfrentar adversidades, preservar empregos e seguir construindo um futuro próspero para o estado.
Gilberto Seleme
Presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC)
