Florianópolis, 17.06.2026 - Melhorar a transparência na gestão de resíduos e criar mecanismos mais eficientes para acompanhar os resultados da logística reversa estão entre os desafios de Santa Catarina para avançar na economia circular. Para atender essa demanda, o estado ganhou uma nova plataforma digital que permitirá acompanhar, de forma integrada, todo o fluxo da logística reversa no estado, conectando fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, entidades gestoras, cooperativas e recicladores.
O Sistema de Logística Reversa de Embalagens Pós-Consumo de Santa Catarina (SisREV SC), desenvolvido pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), pretende garantir mais transparência, rastreabilidade e segurança das informações relacionadas ao cumprimento das metas de reciclagem previstas na legislação. A plataforma passa a ser um instrumento de governança ambiental para acompanhar resultados concretos e verificáveis da política de resíduos sólidos em Santa Catarina.
"O grande desafio da logística reversa é transformar uma ideia extremamente relevante em resultados concretos e mensuráveis. O SisREV SC nasce justamente para garantir transparência, confiabilidade das informações e acompanhamento efetivo das metas estabelecidas. É uma ferramenta de governança ambiental que une todos os atores envolvidos nesse processo", afirmou o presidente do IMA, Josué Fernandes.
A implantação do sistema representa mais uma etapa da implementação do Decreto Estadual nº 1.056/2025, que regulamenta a logística reversa de embalagens pós-consumo em Santa Catarina. O decreto foi publicado em 2025 e agora ganha uma ferramenta operacional capaz de monitorar e dar efetividade às ações previstas.
Segundo o secretário de Estado do Meio Ambiente e da Economia Verde, Guilherme Dallacosta, a iniciativa atende a uma demanda histórica dos setores envolvidos e cria condições para ampliar os resultados da reciclagem no estado.
"A logística reversa gera oportunidades de emprego, renda e desenvolvimento econômico sustentável. Temos materiais com valor econômico que ainda estão sendo descartados sem aproveitamento. O decreto foi um passo importante e agora entregamos o sistema que permitirá transformar essa política pública em resultados", destacou o secretário.
Economia circular e competitividade
O presidente do Conselho de Meio Ambiente e Sustentabilidade da FIESC, José Lourival Magri, ressaltou que a indústria catarinense defende mecanismos que tragam mais segurança, transparência e previsibilidade para o cumprimento das obrigações ambientais.
"A logística reversa não é apenas uma questão de compliance. Ela representa a busca pela economia circular. Quando conseguimos reaproveitar materiais e reduzir a geração de resíduos, esses resíduos deixam de ser um passivo e passam a integrar uma nova cadeia produtiva. Isso torna a indústria mais competitiva e fortalece sua inserção nos mercados globais", afirmou o presidente do conselho.
Magri também destacou a importância da segurança jurídica para o avanço da agenda ambiental.
"As empresas precisam de regras claras, simples e transparentes para cumprir suas obrigações. O SisREV SC contribui justamente para essa organização, oferecendo mais previsibilidade e confiabilidade para todos os envolvidos.", complementa Magri.
Desafio é elevar os índices de reciclagem
SC foi o primeiro estado brasileiro a eliminar os lixões, resultado de uma mobilização que envolveu órgãos públicos, setor produtivo e Ministério Público. Agora, o desafio é avançar na recuperação de materiais e fortalecer a economia circular por meio de mecanismos que permitam medir, monitorar e ampliar os resultados da reciclagem.
Para o deputado estadual Marquito, presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa, o SisREV SC representa um passo importante nessa direção.
"Santa Catarina é referência por ter encerrado os lixões, mas ainda temos indicadores muito baixos de recuperação de materiais. Não alcançamos 5% de reciclagem dos resíduos gerados. Ao mesmo tempo, temos cooperativas, associações e trabalhadores que vivem da reciclagem. Precisamos criar instrumentos que fortaleçam essa cadeia e transformem resíduos em oportunidade econômica, social e ambiental", disse o deputado.
O evento também debateu o papel das cooperativas de catadores, das entidades gestoras e dos municípios na implementação da logística reversa, reforçando a necessidade de integração entre os diversos elos da cadeia.
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação
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