Florianópolis, 23.07.2026 – A Reforma Tributária representa uma das maiores mudanças estruturais do sistema tributário brasileiro e seus efeitos já mobilizam as empresas que atuam no comércio exterior. O novo modelo altera a tributação sobre o consumo, a gestão de créditos tributários, os regimes aduaneiros e os incentivos fiscais, exigindo uma revisão dos processos internos das organizações.
A presidente do Conselho de Comércio Exterior da FIESC, Maria Teresa Bustamante, destaca que a mudança exige atenção imediata das empresas, especialmente em SC, onde a economia é fortemente integrada ao mercado internacional.
"Santa Catarina construiu sua competitividade combinando vocação exportadora, eficiência logística e políticas estaduais de incentivo ao investimento. A Reforma Tributária altera parte desse ambiente e exige que as empresas se antecipem. Setores estratégicos para o estado, como o têxtil, que já enfrentam desafios concorrenciais, precisarão rever suas estratégias para preservar a competitividade. Ao mesmo tempo, será fundamental fortalecer outros diferenciais catarinenses, como a qualidade da produção, a mão de obra qualificada, a eficiência logística e a inserção internacional das nossas indústrias."
A advogada e especialista em Direito Tributário da Mosimann-Horn Advogados, Luana Regina Debatini Tomasi, ressalta que a adequação vai muito além da área fiscal e impacta diferentes setores das empresas.
"Não estamos diante apenas de uma mudança de tributos, mas de uma reforma estrutural que altera a lógica da tributação sobre o consumo. A adequação envolve muito mais do que o departamento fiscal: contratos, compras, jurídico, financeiro, logística, tecnologia e contabilidade precisarão atuar de forma integrada. A transição será longa, até 2033, e as empresas que ainda não iniciaram esse planejamento precisam começar agora."
Economia catarinense será diretamente impactada
Os efeitos da reforma tendem a ser mais significativos em SC devido à forte participação do comércio exterior na economia estadual. Em 2025, o estado registrou recorde de US$ 12,2 bilhões em exportações, importou US$ 34 bilhões em mercadorias e movimentou 65,7 milhões de toneladas nos portos catarinenses. Apenas no primeiro semestre de 2026, as importações somaram US$ 18,15 bilhões, alta de 7,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Nesse cenário, mudanças relacionadas aos custos de importação, à recuperação de créditos tributários, aos regimes aduaneiros especiais e aos Tratamentos Tributários Diferenciados (TTDs) podem afetar preços, fluxo de caixa e a competitividade da indústria.
Um dos principais pontos de atenção é a perda gradual da relevância dos TTDs, historicamente utilizados em Santa Catarina para estimular investimentos e geração de empregos. Segundo Luana, as empresas precisarão inventariar esses benefícios, identificando seus fundamentos legais, prazos, condições, impactos econômicos e eventuais possibilidades de compensação durante a transição.
Transição vai até 2033
A implementação da reforma será gradual. Em 2026 ocorre o ano-teste, com incidência simbólica da CBS e do IBS. Em 2027 entram em vigor a CBS e o Imposto Seletivo, além da extinção de PIS e Cofins. Entre 2029 e 2032, o sistema atual coexistirá com o novo modelo, com redução progressiva do ICMS e do ISS. A migração será concluída em 2033, com a consolidação do modelo dual.
"Vamos conviver por vários anos com dois sistemas tributários funcionando simultaneamente. Esse período exige leitura cuidadosa de cada operação, de cada tributo e de cada competência. Contratos de longo prazo, políticas comerciais e sistemas internos precisarão prever essas mudanças ano a ano para evitar riscos fiscais e financeiros", explicou Luana.
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação
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