Indústria perde 160 postos e puxa para baixo resultado de julho, com destaque para recuo de vagas nos setores de vestuário e têxtil; desempenho acumulado do ano é positivo com a geração de 62,7 mil empregos formais no estado

Florianópolis, 28.08.26 — O mercado de trabalho catarinense está perdendo ritmo, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) e registrou um recuo de 248 vagas formais em julho, uma queda de 0,01%. O resultado representa um recuo de 3.433 postos de trabalho em relação a julho de 2025, quando haviam sido gerados 3.185 empregos.

Apesar do desaquecimento pontual no mês de julho, o balanço acumulado nos primeiros sete meses de 2026 permanece favorável. De janeiro a julho, Santa Catarina acumula a criação de 62.658 empregos formais.

"A desaceleração observada em julho reflete diretamente um ambiente econômico pressionado pela manutenção da taxa de juros em patamares elevados por um período prolongado e também os efeitos do segundo tarifaço norte-americano sobre alguns setores”, afirma o presidente da FIESC, Gilberto Seleme. 

Emprego industrial

A indústria catarinense foi responsável pelo maior saldo negativo entre os grandes setores da economia, com o fechamento de 160 postos de trabalho em julho. O estado teve o segundo pior desempenho no emprego industrial do período. O economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, explica, no entanto, que o comportamento setorial foi heterogêneo. 

A maior queda veio do setor de vestuário, com recuo de 945 vagas, seguido do setor têxtil, com queda de 203 postos. Setores afetados pelo segundo tarifaço norte-americano também puxaram para baixo o resultado da indústria. O setor de madeira perdeu 197 vagas e o de móveis teve saldo negativo de 143 empregos. A construção civil também colaborou para a desaceleração do mercado de trabalho no período, com 111 desligamentos. 

Do lado das altas, o setor de  Veículos, Carrocerias e Peças, que liderou a expansão no mês com a criação de 947 vagas formais . Também se destacaram Materiais Elétricos (+237 vagas), Equipamentos de Transporte (+228 vagas) e Metalurgia (+163 vagas). 

"O comportamento divergente entre os setores industriais mostra como as taxas de juros e a demanda global afetam os segmentos de formas distintas. Enquanto cadeias como a automotiva e de materiais elétricos mantêm carteiras de projetos de médio prazo e demanda aquecida, setores intensivos em mão de obra, como o têxtil, vestuário e madeira, sentem de forma mais imediata a compressão do consumo das famílias e as dificuldades nas exportações." destaca Bittencourt.

Outros setores da economia

No mês de julho, apenas a agropecuária apresentou saldo positivo de vagas, com a criação de 75 postos. O comércio perdeu 74 empregos, e o setor de serviços teve perda de 89. 

O que esperar?

Para os meses subsequentes, a expectativa da FIESC é de uma recuperação gradual no ritmo de contratações, condicionada a eventuais flexibilizações na política monetária e à manutenção da massa salarial no estado. Caso os juros cedam, o mercado de crédito e o consumo interno deverão reativar os investimentos industriais e recompor as vagas nos setores hoje mais pressionados.

Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação
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