Florianópolis, 14.08.2026 – A velocidade da ultra fast fashion está impondo uma nova régua de competitividade à indústria têxtil. O tema foi discutido nesta quinta-feira (13), em reunião do Conselho da Indústria Têxtil, Confecção, Couro e Calçados da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC). O mercado global de ultra fast fashion deve mais que dobrar até 2033, passando de US$ 62,75 bilhões para US$ 160,91 bilhões.
Presidente do conselho, César Döhler destacou a pressão provocada pelo aumento das importações de vestuário e pelas compras em plataformas digitais. Para ele, a resposta passa por inovação e pela união da cadeia. “O setor têxtil é resiliente e tem capacidade de adaptação. Precisamos transformar os desafios em uma agenda de competitividade, inovação e valorização da indústria brasileira”, afirmou.
O presidente da Audaces, Matheus Fagundes, explicou que a competição deixou de ocorrer em ciclos de meses e passou a ser medida em semanas e até dias. Um dos exemplos apresentados mostra a diferença de escala: enquanto o mercado norte-americano lança cerca de 23 mil novos itens por ano, a China chega a 1,5 milhão.
“A competição se tornou uma questão de velocidade. A tecnologia é um meio para reduzir o tempo, integrar a cadeia e permitir decisões mais rápidas, com base em dados”, destacou Fagundes. Segundo ele, inteligência artificial, digitalização de processos e redução de estoques estão entre os caminhos para aumentar a produtividade.
O cenário também acende um alerta para o mercado brasileiro. Na Argentina, cerca de 70% das roupas vendidas já são importadas, exemplo utilizado para mostrar os riscos da perda de competitividade da indústria local. “Se a gente não for competitivo lá fora, o produto lá de fora vai ser competitivo aqui dentro”, resumiu Fagundes.
Em Santa Catarina, o impacto é significativo. O setor têxtil é o que mais emprega e o segundo em número de estabelecimentos na indústria estadual. Em 2023, concentrava 170.787 empregos formais, equivalentes a 18,9% da indústria catarinense. Em 2024, as exportações do segmento somaram cerca de US$ 288,6 milhões.
Além da tecnologia, o setor defende maior integração da cadeia, qualificação profissional, uso estratégico de dados, diversificação de mercados e aproximação com o consumidor. “A régua mudou. Não basta fazer o que funcionou no passado. É preciso ganhar velocidade e usar tecnologia para competir”, concluiu Fagundes.
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação
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