Chapecó, 27.04.2026 - A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) realizou nesta segunda-feira (27), em Chapecó, o primeiro encontro do Circuito FIESC, programa que vai percorrer as 16 vice-presidências da entidade no estado para aproximar sindicatos industriais e indústrias e ampliar o diálogo sobre temas estratégicos para o setor. O evento reuniu empresários, dirigentes sindicais representando SIMOVALE, SINDIPLASC, SINDIALIMENTOS, SIMEC, SICEC, SINDUSCON OESTE, SIMMEX e SINDUSCON AMAI, conselheiros e convidados para debater competitividade, inovação e os principais desafios da indústria catarinense.
A iniciativa integra a estratégia da Federação de intensificar a presença regional e manter um ambiente contínuo de escuta, com foco na construção conjunta de soluções para o desenvolvimento industrial. A proposta é reforçar o associativismo e fortalecer a representação setorial, com encontros direcionados às demandas específicas de cada região. O vice-presidente da FIESC para a região Oeste, Waldemar Antônio Schmitz, frisou que para este momento o foco é presença e proximidade. “Faremos questão de estar em cada regional porque a escuta do empresário é parte importante da nossa missão”, declarou.
Schmitz também apresentou números e a estrutura da regional, que conta com uma escola do SESI, cinco unidades do SENAI, 13 unidades de extensão do SENAI, o campus Chapecó do Centro Universitário SENAI/SC e um Instituto de Inovação e Tecnologia em Alimentos, além de cinco clínicas SESI, cinco unidades Farma SESI e cinco unidades do Alimenta SESI. Segundo ele, a vice-presidência atende e representa oito sindicatos e 5.217 indústrias, que geram 86.084 empregos na região.
Ao tratar do cenário econômico, o vice-presidente citou fatores que pressionam o ambiente de negócios e salientou a relevância do fortalecimento do associativismo, com a união entre sindicatos e indústrias para buscar soluções. “Nosso objetivo é identificar o que mais a FIESC pode fazer e debater temas que impactam diretamente a competitividade.”
DIÁLOGO ESTRATÉGICO
O economista do Observatório FIESC, João Pitta, apresentou as ações do observatório e o especialista econômico, Matheus Rosa, aprofundou a análise de cenários e perspectivas para a indústria e afirmou que, na região oeste, o momento combina crescimento com desafios. A região da vice-presidência oeste da FIESC tem a população estimada em cerca de 640 mil pessoas em 2025 (IBGE) e apresentou trajetória consistente de expansão do PIB entre 2010 e 2020, com aceleração a partir de 2015, sem retração no período.
Rosa abordou que o dado mais recente do IBGE, de 2023, aponta um PIB regional de aproximadamente R$ 38,8 bilhões. Projeções indicam avanço para cerca de R$ 41,5 bilhões em 2025 e entre R$ 46 bilhões e R$ 47 bilhões até 2030, o que representa hoje cerca de 6,7% do PIB catarinense. No perfil produtivo, ele apontou a indústria como eixo da economia regional, com alimentos e bebidas respondendo por 44,3% do valor adicionado industrial em 2024, seguida pela construção civil (14,4%) e outros segmentos.
Chapecó aparece como principal polo, enquanto Guatambu se destaca pela maior industrialização proporcional (cerca de 75,7% do PIB vindo da indústria). No comércio exterior, Rosa observou concentração das exportações, com cerca de 85% sustentadas por poucos produtos, liderados pela carne suína, e citou mercados como Filipinas, além de Chile e Argentina, como destinos relevantes e com potencial de ampliação a partir de uma leitura mais estratégica por produto e mercado.
HUB DE CRÉDITO
O representante da Academia FIESC de Negócios, Ismael Felipe Marcelino, apresentou a iniciativa com o objetivo de compreender o ambiente empresarial catarinense e fortalecer a capacidade das empresas de empreender, gerir e inovar. Na avaliação dele, o empreendedor do estado é estratégico e muito conectado à operação, acompanha o processo produtivo de ponta a ponta, demonstra ousadia para desenvolver produtos e abrir mercados, mas ainda enfrenta limitações na agenda de marketing e mantém forte vínculo com o território e com a cultura familiar nos negócios.
Marcelino também apontou que esse perfil se reflete na relação com o crédito: apesar do interesse em novas tecnologias, predomina uma postura conservadora na tomada de recursos financeiros, o que amplia a necessidade de orientação e informação. Nesse contexto, ele destacou o hub de crédito da Academia, criado para atuar como ponte entre empresas e fontes de capital, sem oferecer financiamento direto. A estrutura funciona por meio de uma rede de parceiros homologados, com atuação junto a instituições como BNDES, BRDE e FINEP.
PANORAMA TRIBUTÁRIO
O advogado, Gustavo Amorim, abordou um panorama tributário. “A discussão sobre reforma tributária no Brasil passa longe de ser simples e talvez esse seja justamente o ponto central. Mais do que uma única mudança estrutural, o que se desenha é um conjunto de reformas acontecendo ao mesmo tempo, afetando diferentes dimensões do sistema”, comentou.
Amorim pontuou o avanço das mudanças tributárias no plano estadual e os impactos práticos para empresas, com destaque para sucessão e patrimônio. A análise apontou preocupação com a forma como o fisco pode interpretar o valor de empresas em heranças e doações, o que pode elevar a incerteza e aumentar o risco de disputas, reforçou a importância de planejamento e organização prévia para reduzir exposição a questionamentos.
Também tratou de ajustes na relação entre contribuinte e Estado, com a ampliação de mecanismos de negociação de débitos, mudanças em regras de julgamento administrativo e uma tendência de segmentar empresas conforme comportamento fiscal. Nesse modelo, contribuintes com bom histórico podem ter tratamento mais simples, enquanto casos classificados como reincidentes tendem a enfrentar maior rigor com o alerta de que essa lógica pode gerar distorções e exigir atenção permanente das empresas.
Com informações da assessoria de imprensa regional
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação
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