Opinião: Questão de prioridade, por Glauco José Côrte

Confira artigo do presidente da FIESC publicado nos jornais Diário Catarinense e A Notícia, nesta quarta (21)
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  • Presidentes da FIESC, Glauco José Côrte (Foto Fernando Willadino)

Cingapura tornou-se independente em 1965. Pequena ilha, com 700 km², no sudeste asiático, em seus primeiros anos, sem recursos naturais, amargava alta taxa de desemprego, enquanto saneamento e moradia encontravam-se abaixo dos padrões desejáveis. Enfim, era uma república pobre. De uma espécie de entreposto comercial, tornou-se um país exportador. A base de tudo foi a educação.

O governo incentivou e preparou professores, atraiu indústrias e preparou  os profissionais que as empresas precisavam. Concentrou esforços em formar cidadãos com boa bagagem técnica, por meio do ensino técnico e das escolas de engenharia e, além disso, preparou os estudantes para a vida, focando em características socioemocionais. Os resultados foram colhidos ao longo de todo esse tempo. Nos primeiros 20 anos, o PIB de Cingapura cresceu em média 13%. O lema “Pensando a Escola, Aprendendo a Nação” traçado para o século XXI, forma estudantes críticos e com alto poder de criatividade.  

A recente divulgação dos resultados do PISA, o teste efetuado pela OCDE a cada três anos e que mede o desempenho de estudantes de 15 anos em 70 países, mostra que Cingapura ocupa a primeira colocação em ciências, leitura e matemática. Nesses três saberes, o Brasil ficou na 63ª, 59ª e 66ª posições, respectivamente.  

O que nos separa de Cingapura? Segundo o relatório, o desempenho dos alunos no Brasil está abaixo da média dos alunos dos países da OCDE em ciências (401 pontos, comparados à média de 493), em leitura (407 pontos, comparados à média de 493) e em matemática (377 pontos, comparados à média de 490). Cingapura obteve média 556 em ciências, 535 em leitura e 564 em matemática.

O Movimento Santa Catarina pela Educação tem o mesmo propósito do lema de Cingapura: formar cidadãos criativos, com formação técnica, dotados de boas características socioemocionais e preparados para atender às necessidades do mundo do trabalho. Não precisamos levar 20 anos, como Cingapura, para trilhar o caminho do desenvolvimento. A tecnologia pode abreviar o nosso salto para o futuro. Questão de vontade política em colocar a educação como a primeira prioridade do Brasil.