Demandas foram apresentadas pelo setor produtivo e pelo governo de SC ao embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Scioli. Ele participou de reunião nesta quinta-feira, dia 19, na FIESC, em Florianópolis, com o setor empresarial e autoridades estaduais

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Florianópolis, 19.11.2020 – O setor produtivo e o governo de Santa Catarina defenderam a instalação de um consulado da Argentina em Chapecó, cidade que fica próxima à fronteira com o país vizinho. Durante encontro com o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Scioli, lideranças catarinenses também destacaram a importância da melhoria da ligação entre SC e Argentina, por meio da ponte sobre o Rio Peperi-Guaçu, que liga o município de Paraíso, no extremo-oeste, a San Pedro, província de Missiones. O encontro foi realizado na Federação das Indústrias (FIESC), em Florianópolis, na manhã desta quinta-feira, dia 19. Além da FIESC, participaram do evento a Fecomércio-SC, FACISC, a Secretaria-Executiva de Assuntos Internacionais, a Casa Civil e o Consulado da Argentina em Florianópolis, e de maneira virtual a governadora interina Daniela Reinehr. À tarde, o diplomata participa de reunião na sede do governo e vai receber o documento com as demandas catarinenses.  

“Estamos discutindo há anos a melhoria da ligação de Santa Catarina com a Argentina. Temos a ponte em Paraíso que pode ser uma porta de entrada para desafogar o acesso que temos por Dionísio Cerqueira”, disse o presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar. Ele observou que o Brasil está fazendo um esforço para realizar a concessão da aduana de Dionísio Cerqueira e, com isso, agilizar o recebimento de mercadorias do Mercosul, mas, principalmente, da Argentina. É um trabalho conjunto dos governos do Brasil e da Argentina para que possamos melhorar aquela operação. Santa Catarina tem uma política fiscal agressiva e, no nosso estado, entram muitos produtos que nem sempre ficam aqui. Então precisamos melhorar esse acesso”, explicou. 

Aguiar também destacou a forte relação cultural e comercial com o país vizinho. “Isso é histórico. Essa aproximação fortalece nossas relações comerciais, culturais e sociais. Somos uma economia forte, diversificada e temos um importante comércio com a Argentina, que pode ser incrementado”, completou.

O embaixador disse que está ampliando o diálogo com o Brasil e defendeu uma agenda de integração em diversas áreas como energia, alimentos, turismo, tecnologia e inovação. “Tem empresários que me acompanham hoje e que também têm interesse em contribuir para um maior intercâmbio comercial. As perspectivas são de crescimento à medida que aumentamos esse tipo de encontro. Estou aqui para ouvir os problemas e trazer soluções. Estou convencido que juntos vamos nos recuperar mais rápido”, declarou. Em relação à economia argentina, Daniel disse que o país vem buscando um acordo com o Fundo Monetário Internacional, que a classe média foi bastante afetada pela crise, a inflação cresceu muito, mas que há um esforço na recuperação econômica, com perspectivas de 4% de crescimento do PIB em 2021.

Por videoconferência, a governadora interina, Daniela Reinehr, destacou o interesse em estreitar as relações que podem beneficiar o desenvolvimento especialmente da região Oeste. “Temos diversos pontos para discutir visando esse aprimoramento das relações entre os governos, o desenvolvimento econômico, das nossas fronteiras e a melhoria da infraestrutura e do comércio exterior”, disse. Ela também chamou a atenção para a importância de criar um corredor para o transporte de grãos, especialmente do milho. 

Em outubro de 2018, a FIESC, a Fecomércio-SC e a FACISC assinaram um convênio com o Consulado da Argentina em Santa Catarina para fortalecer os laços bilaterais, as relações econômicas e atrair investimentos para os dois mercados. Ainda no encontro desta quinta, o presidente da Fecomércio, Bruno Breithaupt, observou que há alguns anos, o varejo catarinense fazia rodadas de negócios com a Argentina, iniciativa que deve ser retomada. Também demonstrou preocupação com o turismo nesse momento de pandemia, o retorno dos voos por aeroportos do estado e a necessidade de criar protocolos de segurança para receber da melhor forma possível os turistas que vêm para o estado, especialmente no verão. O presidente da Facisc, Jonny Zulauf, destacou a abertura catarinense para o comércio internacional e defendeu uma maior aproximação entre Santa Catarina e o país vizinho, além de uma solução para as barreiras na fronteira, principalmente no que se refere à logística.

Balança comercial: De janeiro a outubro, Santa Catarina exportou US$ 321,5 milhões para a Argentina. O valor é 11% menor do que o exportado no mesmo período em 2019. Entre os principais produtos destacam-se papel e cartão kraft, carne suína, motores e geradores elétricos, ladrilhos, placas e cerâmicas. No mesmo período, o estado importou US$ 768,5 milhões. O resultado é 34,6% inferior ao registrado nos primeiros 10 meses do ano passado. Entre os principais produtos comprados estiveram polímeros de etileno, produtos hortícolas, automóveis de passageiros, alumínio em formas brutas e inseticidas, fungicidas e herbicidas. 
 

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