A última live da série que o Fundo Social da FIESC realizou entre outubro e novembro ensinou o passo a passo para elaboração de projetos qualificados e para assegurar a aprovação junto aos órgãos reguladores


Florianópolis, 03.11.2020 – Planejamento, organização e a correta prestação de contas. Esses cuidados devem ser observados por entidades que se utilizam de recursos doados por empresas com base nas leis de incentivo. A dica é do especialista em captações Armando Appel, ao participar nesta terça-feira (3) da última livre promovida pela Federação das Indústrias (FIESC), por meio do Fundo Social, com o objetivo de orientar empresas e instituições do terceiro setor quanto aos mecanismos legais de busca de apoio a projetos sociais.

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Iniciada em outubro, a série de lives reuniu profissionais que atuam no assessoramento para a captação de recursos e representantes de organizações da sociedade civil que fazem uso de legislações de incentivo à renúncia fiscal. Além de debater aspectos da legislação, a programação deu visibilidade às boas práticas, demonstrando a qualidade de projetos que impactam na comunidade e que podem servir de inspiração tanto para o aumento dos volumes aplicados com fins sociais quanto para motivar mais empresas a fazer o aporte de recursos das deduções no imposto de renda devido. Com base na legislação, até 9% do imposto de renda devido pode ser aplicado em projetos da área social.

No encerramento da série, Armando Appel lembrou que há muitos recursos disponíveis para captação. No entanto, com a visibilidade que os investimentos sociais têm alcançado no País, o nível de exigências também se acentua. Um dos pioneiros em Santa Catarina em consultorias focadas na utilização de recursos com base em legislação do setor, ele destaca a importância da transparência na relação entre proponentes e doadores. "Todo projeto deve ter uma aliança com a empresa, com valores que considera importantes, essa relação deve ser amigável e de confiança, porque também nas organizações há uma profissionalização, com áreas que passaram a cuidar da responsabilidade social", comentou.

Appel apresentou na live um passo a passo de cuidados que merecem a atenção das entidades na captação de recursos, e sugeriu que busquem a ajuda de especialistas, profissionais que, segundo ele, têm condições de motivar possíveis doadores. Um dos erros mais graves, apontou, é a não prestação de contas sobre os resultados alcançados. "Não se trata da prestação de contas fiscal, essa é prevista na legislação, mas aquela demonstração do que se alcançou com o projeto", reforçou.

Raphael Ribeiro, sócio-fundador da Incentive, empresa que atua na elaboração de projetos, também ressaltou a necessidade de muita atenção com a qualidade das propostas de captação. As empresas estão cada vez mais exigentes em relação ao uso de seus recursos. Segundo ele, há maiores chances de sucesso quando se exemplifica para a empresa doadora onde o dinheiro será aplicado. "A transparência no relacionamento auxilia muito a sensibilizar sobre a importância do projeto", pontuou, assinalando ainda que a apresentação de exemplos de outras empresas que apoiaram projetos sociais também colabora no processo de convencimento.

Na live, também foi apresentado o case do Hospital São José, de Jaraguá do Sul, que faz uso de recursos provenientes de legislações específicas como o Fundo do Idoso. Jeferson Ferrari, coordenador de captação de recursos da instituição, fez um relato dos resultados de investimentos realizados e destacou a importância de sistematizar os processos junto aos doadores. "Olhamos as demandas da instituição e a capacidade de captação de forma profissionalizada. Faz mais sentido buscarmos os recursos nas legislações onde temos um público assistido conforme as nossas necessidades genuínas", afirmou. Para ele, a capacidade de se moldar às características de possíveis doadores, entendendo como funciona a lógica das empresas e como ajustar os projetos a essas características, pode levar ao sucesso nas captações.

Para o vice-presidente regional da FIESC, Célio Bayer, as lives cumpriram sua função de aumentar o nível de conhecimento tanto de entidades proponentes quanto de empresas em relação à potencialidade das leis de incentivo. Ele lembrou que a o Fundo Social tem em sua origem ligações com a região, desde que a ideia começou a ser discutida pela FIESC junto à Associação Empresarial de Jaraguá do Sul em 2017, sendo oficialmente instituído no ano seguinte.

Hoje presente em outras regiões do estado, a iniciativa busca ampliar os volumes destinados por empresas a projetos sociais. Bayer lembra que cerca de 2 mil empresas que tributam pelo lucro real podem fazer uso da legislação, somando juntas um potencial de mais de R$ 200 milhões, sendo R$ 20 milhões somente em Jaraguá do Sul. "São recursos que podem ser aplicados em projetos nas comunidades em vez de ir para Brasília. A capacitação é muito importante para que tenhamos mais empresas e futuramente pessoas que fazem a declaração individualmente sensibilizadas com a causa social", completou Bayer.
 

Com informações da agência Texto Livre


Assessoria de Imprensa
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina

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