Balneário Camboriú, 11.08.2026 - O Brasil tem capacidade produtiva e condições para ampliar sua participação no comércio internacional, mas gargalos de infraestrutura, falta de integração entre modais e processos burocráticos ainda aumentam os custos e reduzem a competitividade dos produtos brasileiros. O diagnóstico foi apresentado durante o painel “O Brasil Produz Bem. Por que Ainda Entrega Caro?”, realizado na Logistique 2026, em Balneário Camboriú.
O Presidente do Conselho para Assuntos de Transporte e Logística da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), Maurício Battistella, defendeu que os investimentos em infraestrutura sejam planejados de forma integrada, considerando as conexões entre rodovias, ferrovias e portos. “Precisamos olhar isso como um planejamento global, com uma discussão de longo prazo”, afirmou.
Segundo Battistella, a expansão da capacidade portuária precisa estar acompanhada de infraestrutura adequada para garantir o escoamento das cargas.
“Não adianta ampliar a capacidade portuária sem garantir que a carga tenha como chegar e sair dos terminais. Os projetos precisam conversar entre si”, destacou. As soluções de infraestrutura demoram. Se não tivermos uma visão de longo prazo, elas não acontecem”, ressaltou.
Para Battistella, o fortalecimento da política de concessões é uma das medidas prioritárias para ampliar a capacidade de investimentos em infraestrutura, especialmente no transporte rodoviário.
Integração e previsibilidade
Representante da General Motors (GM), Fernando Zamperlini destacou a importância de ampliar a previsibilidade para estimular investimentos privados em infraestrutura e em toda a cadeia logística. Segundo ele, a melhoria da competitividade passa não apenas pela infraestrutura física, mas também pela modernização dos processos, digitalização e integração entre os órgãos envolvidos no comércio exterior.
“Se os setores estiverem integrados e a digitalização for potencializada, podemos ter mais previsibilidade e eficiência”, afirmou o executivo da GM.
Compartilhamento de ativos
O Diretor da Movecta, Gustavo Paschoa destacou que o Brasil precisa avançar para uma visão de ecossistema logístico, em que empresas e operadores compartilhem ativos, informações e inteligência para melhorar o fluxo de cargas. “Precisamos ter um olhar para o ecossistema. O compartilhamento de ativos e de inteligência pode melhorar o fluxo e atender melhor os clientes”, afirmou.
Para Paschoa, o país também precisa transformar os atuais instrumentos de planejamento em políticas de Estado, capazes de atravessar diferentes governos.
“Precisamos parar de pensar apenas em planos de governo e construir planos de Estado, priorizando o que é urgente e o que é importante”, defendeu o diretor da Movecta.
O executivo da ONE Brasil, Eduardo Carreira destacou as oportunidades para ampliar a conectividade marítima com diferentes regiões brasileiras, incluindo o Nordeste.
O executivo André Duran, da Tupy, André Duran chamou atenção para a necessidade de reduzir os entraves burocráticos que aumentam o tempo de permanência das cargas nos portos. Para Duran, a solução exige maior coordenação entre os diferentes agentes. “Precisamos trabalhar em conjunto e deixar de atuar de forma isolada”, acrescentou.
Agenda para o futuro
O painel também discutiu as prioridades para melhorar a logística e a competitividade brasileira. Entre os pontos destacados pelos participantes estão a continuidade das concessões, investimentos em rodovias e ferrovias, ampliação da capacidade portuária, digitalização dos processos de comércio exterior, integração entre órgãos públicos e empresas, além da formação de mão de obra qualificada.
Com informações da assessoria de imprensa regional
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação
Quer acesso a mais conteúdos como esse? Receba gratuitamente no seu e-mail, WhatsApp ou no LinkedIn.