Mudanças no consumo e na estratégia de autossuficiência da China desafiam a atual pauta de exportações de SC, mas abrem espaço para a diversificação; estudo da FIESC aponta que produtos como pescados, crustáceos e preparações alimentícias encontram espaço no mercado chinês.

Florianópolis, 25.08.2026 - A transformação dos hábitos alimentares da população chinesa e a estratégia do país para ampliar a produção e a autossuficiência de alimentos exigem atenção da indústria catarinense. Estudo do Observatório FIESC aponta que fatores como a urbanização, a industrialização e o aumento da renda estão no centro da mudança, que pode impactar a atual pauta de exportações de SC para o país asiático. A análise foi apresentada durante reunião do Conselho de Alimentos e Bebidas da FIESC nesta terça-feira (25).

Para a presidente do Conselho, Rosimeri Francener, acompanhar essas mudanças é fundamental para identificar os movimentos com potencial para afetar a economia catarinense. “Nós estamos participando de uma transformação global muito grande de modo de produção e de consumo. O setor precisa estar alinhado, com um objetivo comum de se manter pertinente no mercado”, destacou.

A pesquisadora Tamires Costa, do Observatório FIESC, aponta que a China busca ampliar a produção doméstica e agregar tecnologia à indústria de alimentos. Entre as metas dos planos quinquenais está elevar a produção de grãos de 650 milhões para 725 milhões de toneladas até 2030. Apesar da elevada produção, a China mantém dependência externa em algumas cadeias, como é o caso da soja. Quando o assunto é frango e suíno - principais produtos da pauta exportadora de SC - a autossuficiência chega a 98% e 97%, respectivamente.

Segundo o Observatório da FIESC, enquanto as exportações brasileiras dos produtos analisados cresceram 47% em série histórica, as vendas catarinenses recuaram 34%. A carne suína exemplifica essa relação. Durante a peste suína africana, a autossuficiência chinesa caiu de 97% para 89% em 2020, quando SC ampliou as vendas, chegando a US$ 758 milhões em exportações de carne suína para a China em 2021. Com a recuperação da produção chinesa, no entanto, o Estado perdeu cerca de US$ 490 milhões em exportações entre 2021 e 2024.

Oportunidades

Para além das carnes suína e de frango, o estudo aponta oportunidades de diversificação da pauta catarinense. Entre os produtos que o estado produz e exporta e que apresentam potencial no mercado chinês estão: pescados, crustáceos, preparações alimentícias, miudezas comestíveis, farinha de carne e alimentação animal. O leite em pó também aparece entre os produtos com potencial de mercado.

A estratégia pode avançar ainda para produtos de maior valor agregado, aproveitando a mudança no perfil de consumo chinês e a capacidade da indústria catarinense de transformar matérias-primas em alimentos processados. De acordo com Tamires, a condição sanitária diferenciada de SC é outro fator de competitividade para ampliar o acesso ao mercado asiático.

O desafio, segundo a análise, é reduzir a concentração em poucos produtos e acompanhar as mudanças na política de autossuficiência chinesa. Para a indústria catarinense, isso significa diversificar a pauta exportadora, agregar valor aos produtos e buscar novos mercados, reduzindo a exposição às oscilações de demanda de um único destino.

Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação
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