“Observando os dados desde 1990 para cá, a curva em crescimento mostra que as emissões do setor de energia estão aumentando e nunca diminuindo. Logo a tendência, caso não haja ações sólidas no sentido contrário, é que esta curva siga se acentuando"

Florianópolis, 13.6.2022 - O especialista do Instituto SENAI de Tecnologia Ambiental Charles Leber citou dados da plataforma Climate Watch, um dos principais monitores climáticos do mundo, que demonstram o crescimento constante da emissão de gases que provocam o efeito estufa. “Observando os dados desde 1990 para cá, a curva em crescimento mostra que as emissões do setor de energia estão aumentando e nunca diminuindo. Logo a tendência, caso não haja ações sólidas no sentido contrário, é que esta curva siga se acentuando", aponta. 

O ciclo do ar-condicionado

Leber explica que um dos segmentos que registra uma fatia significativa destes gases - quase 6% (nível mundial) do total - é o de “emissões fugitivas”, que são provenientes, principalmente, de gases de refrigeração. Um exemplo deste tipo de emissão está nos aparelhos de ar-condicionado, quando estes são descartados de forma incorreta, ou então a fuga de gases refrigerantes durante processos de manutenção.

“Antigamente não tínhamos tantos aparelhos, mas há cerca de 10, 15 anos, houve uma popularização e hoje é mais raro encontrar uma edificação que não tenha pelo menos um equipamento desse tipo. Com o aumento no número de aparelhos, aumenta a manutenção e também a emissão desse gás refrigerante, principalmente em aparelhos mais antigos, e o gás tem elevado GWP (Global Warming Potencial)”, explica. 

Soluções

Apesar das preocupações, Leber citou formas de solucionar ou ao menos reduzir a emissão dos gases do efeito estufa. Uma delas é a compra de energia elétrica limpa - usinas eólicas ou solares – cuja oferta vem crescendo. As empresas conseguem adquirir Certificados de Energia Renovável (I-REC) ou mesmo, de maneira mais tímida no momento, a compra de Certificados de Energia Limpa, provenientes também da geração por meio de usinas biogás ou biometano (Gás-Rec).

Outra opção é o reflorestamento, que apesar de parecer uma solução acessível deve ser usado com parcimônia, já que o processo também consome e tem um percentual de emissão de gases. Desta forma, é preciso calcular a viabilidade e se, de fato, há compensação, defende o especialista.  

A terceira forma apresentada pelo especialista é a compra de créditos de carbono. Neste caso, empresas que não conseguem reduzir ou zerar sua emissão de gases podem comprar créditos de organizações que têm esta condição. Este tipo de solução começou a ser discutida em 1997 com a criação do Protocolo de Kyoto; foi aprimorada na COP 21 em 2015 com o Acordo de Paris; e consolidada na última Conferência do Clima, em 2021, no Reino Unido, que regulamentou e criou a orientação para os países elaborarem seus mercados de carbono. Isso possibilitou, inclusive, a regulamentação brasileira. No último mês de maio o governo federal anunciou o decreto - Nº 11075 de 19.05.22,  que regulamenta o mercado de carbono no Brasil. 

Com informações da Presse Comunicação

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