Produtos catalogados ganham credibilidade num mercado de mais de 31 milhões de potenciais consumidores e indústria catarinense pode impulsionar vendas incluindo itens neste sistema

Florianópolis, 18.03.2026 - Empresas brasileiras da Base Industrial de Defesa têm à disposição um caminho para acessar o mercado internacional: a inclusão de produtos e serviços no Sistema OTAN de Catalogação (SOC). O passo a passo para integrar este portfólio foi apresentado nesta quarta-feira (18) a indústrias catarinenses em evento promovido pelo Conselho de Desenvolvimento da Indústria de Defesa (Condefesa), da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC).

Adotado pelas forças armadas de dezenas de países, o sistema é o padrão global para identificação, classificação e gestão de itens de defesa. A catalogação no sistema OTAN viabiliza negócios de alto valor. Exemplo disso é a expansão das vendas do KC-390 Millennium, da Embraer, para forças aéreas de 11 países — Brasil, Portugal, Hungria, República da Coreia, Holanda, Áustria, República Tcheca, Suécia, Uzbequistão, Eslováquia e Lituânia.

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KC-390 Millennium, da Embraer, já foi adquirido por forças aéreas de 11 países. Foto: Divulgação/Embraer

“O Brasil não é um desconhecido no mercado internacional de defesa. Temos empresas indutoras que consolidaram produtos reconhecidos e adquiridos por países membros da OTAN. A venda do KC-390 pela Embraer à Coreia do Sul é um exemplo dessa capacidade”, destaca o Contra-Almirante Intendente Marcello Nogueira Canuto, diretor do Centro de Apoio de Sistemas Logísticos de Defesa (CASLODE).

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Canuto: “O Brasil não é um desconhecido no mercado internacional de defesa". Foto: Filipe Scotti 

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O catálogo

Entre os principais benefícios da catalogação estão o rastreamento preciso das fontes de aquisição, a interoperabilidade internacional entre forças armadas, a redução de estoques por meio de uma gestão mais eficiente de itens, o desenvolvimento da indústria nacional com maior inserção em cadeias produtivas globais e a identificação de itens recicláveis, contribuindo para práticas mais sustentáveis na gestão de materiais de defesa.

Para as empresas catarinenses, a catalogação pode ampliar sua presença no mercado internacional de defesa. Segundo o diretor de Inovação e Desenvolvimento Industrial da FIESC, José Eduardo Fiates, este é um setor que exige adaptação a padrões rigorosos, mas que oferece em contrapartida credibilidade, reputação e acesso a compradores de alto valor.

"Incorporar tecnologia ao que produzimos é uma mudança de patamar. Países que exportam tecnologia constroem reputação, abrem mercados e ocupam posições estratégicas na economia global. O Brasil tem capacidade para isso, mas ainda precisa superar uma cultura historicamente voltada à exportação de commodities", afirma Fiates.

No evento, a CEO da Connectree Elaine Rodrigues apresentou os serviços da empresa que atua como Unidade de Catalogação (UniCAT) habilitada para apoiar empresas interessadas em integrar o sistema de catalogação da OTAN. O advogado André Vieira, coautor do livro "Inovação e Contratos de Tecnologia: temas de interesse da Defesa Nacional", lançou a obra que examina temas atuais e relevantes relacionados à propriedade intelectual e à inovação tecnológica, com especial enfoque no setor de Defesa. 

Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação

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