Florianópolis, 27.08.2026 — A economia de Santa Catarina encerrou a primeira metade de 2026 em ritmo de crescimento, com o Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR-SC) mostrando uma expansão de 1,56% no primeiro semestre do ano. O resultado ficou ligeiramente acima do indicador nacional medido pelo Banco Central, que avançou 1,52% no mesmo período. O índice, que é considerado uma prévia do PIB, confirma a capacidade do estado em sustentar uma trajetória de alta, mesmo sob um ambiente caracterizado por taxa de juros elevada e maior restrição ao crédito.
Análise da Federação das Indústrias de SC (FIESC) aponta que o ritmo positivo foi puxado principalmente por comércio e serviços, favorecidos pelo aumento da renda. “A atividade industrial, apesar de ter mostrado recuperação no segundo trimestre, teve um ritmo de crescimento mais lento do que o esperado, reflexo dos juros altos, crédito restritivo e tarifas comerciais dos Estados Unidos, afetando exportações", explica o presidente da entidade, Gilberto Seleme.
Impulso salarial
O crescimento da massa salarial é o principal motor por trás do bom desempenho econômico de Santa Catarina. Em junho de 2026, a renda total do trabalho no estado avançou 7,16% no acumulado de quatro trimestres — bem acima dos 5,20% registrados no Brasil —, impulsionada localmente pelo aumento dos postos de trabalho e do ganho real dos salários.
Segundo o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, a renda disponível das famílias brasileiras ganhou um reforço extra com a isenção do Imposto de Renda para salários até R$ 5 mil e o reajuste do salário mínimo, fatores que continuam estimulando o consumo no curto prazo.
“No entanto, esse impulso positivo encontra um freio nos juros altos: o crédito encarecido e o endividamento das famílias e empresas pesam no orçamento, limitando principalmente a compra de bens duráveis e desacelerando o ritmo desse crescimento nos próximos meses”, afirma.
Com o resultado do primeiro semestre, a estimativa da FIESC aponta que a economia catarinense deve fechar o ano de 2026 com um crescimento de 2,1%. Embora a projeção indique uma desaceleração em relação ao observado em 2024 (4,9%) e em 2025 (4,2%), o número sinaliza a continuidade da trajetória positiva para a atividade econômica do estado até o fim do ano.
Tendências da economia catarinense
Em seu Boletim de Análise Econômica de Santa Catarina, a FIESC destaca ainda que o nível de emprego informal avança em ritmo bastante superior ao formal: 5,4% contra 1,9%. Tal movimento pode indicar uma nova alta do emprego formal para o terceiro trimestre.
O material indica ainda que as exportações catarinenses cresceram 4,3% no semestre, chegando a US$ 6,13 bilhões. A União Europeia consolidou-se como principal destino, com US$ 751 milhões e crescimento de 11,5%. Também avançaram as vendas para Japão (+41,2%), Coreia do Sul (+72%), México (+15,2%) e China (+10,4%). A maior presença nesses mercados ajudou a compensar a queda de 31,3% nas exportações para os Estados Unidos.
Confira a íntegra do estudo.
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