Com a entrada em vigor progressiva a partir de outubro de 2026, tratado zera tarifas industriais e facilita o acesso ao bloco europeu; SC será 3º estado mais beneficiado

Florianópolis, 12.08.2026 – O recente avanço nas negociações do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), integrada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, estabelece uma nova dinâmica para o comércio exterior do Brasil e para a indústria de Santa Catarina. O tratado prevê isenção tarifária para cerca de 97% das transações de bens do Brasil com o bloco e redução gradual para outros 1,2%, além de cotas agrícolas específicas para produtos como carnes, milho, mel e óleos vegetais.
Os dados do comércio bilateral apontam para um mercado maduro e em fase de equilíbrio.

Em 2025, as exportações brasileiras para a EFTA atingiram US$ 3,8 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 4,0 bilhões, totalizando uma corrente de comércio de US$ 7,8 bilhões. A pauta comercial é predominantemente industrial: os bens intermediários responderam por 68,5% de todas as trocas bilaterais no último ano, impulsionados pela Indústria de Transformação, que representa 93,1% das vendas brasileiras e 99,7% das compras vindas do bloco europeu.

“Santa Catarina posiciona-se como um dos estados mais estratégicos para o aproveitamento do tratado. Mapeamentos da indústria indicam que SC é a 3ª unidade da federação com o maior número de oportunidades de exportação para a EFTA, somando 354 oportunidades mapeadas, atrás apenas de São Paulo e Paraná.”, destacou Maria Teresa Bustamante, presidente do conselho de Comércio Exterior da FIESC. 

Onde estão as oportunidades

Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mapeia 653 oportunidades para 453 produtos industriais brasileiros no bloco aponta para o forte alinhamento com a estrutura produtiva catarinense:

  • Agroindústria e Alimentos (119 oportunidades no total): É o setor com o maior número de aberturas de mercado (50 oportunidades), impulsionado pela concessão de cotas com alíquota zero para carnes de aves (que já respondem por 15,3% das exportações nacionais ao bloco) e suínos, além do café não torrado (18,8% da pauta).
  • Metalmecânico, Eletrônico e Máquinas (53 oportunidades): A eliminação de tarifas beneficia os polos de Jaraguá do Sul e Joinville no envio de motores elétricos, geradores, compressores e produtos metálicos (11 oportunidades em consolidação e 11 em recuperação).
    Químicos e Plásticos (89 oportunidades): Grande potencial de abertura (50 oportunidades) e consolidação para a indústria de transformação química do estado.
  • No fluxo inverso, as indústrias catarinenses ganham acesso a insumos e tecnologias com custos reduzidos. A pauta de importação da EFTA é fortemente concentrada em produtos farmacêuticos e medicamentos (11,1%), compostos organo-inorgânicos (5,2%), fertilizantes e máquinas industriais de precisão.

Avanços operacionais e cronograma

Além do ganho tarifário, o acordo traz diferenciais operacionais que reduzem custos burocráticos. Entre os destaques estão a acumulação de origem estendida com a União Europeia,  permitindo usar insumos da UE em produtos exportados à EFTA mantendo o benefício tarifário, regras sanitárias mais ágeis para a agroindústria, desburocratização técnica e abertura do mercado de compras governamentais.

A entrada em vigor ocorrerá de forma bilateral e progressiva: a implementação com a Islândia está prevista para 1º de outubro de 2026, com a Noruega em 1º de novembro de 2026 e com a Suíça e Liechtenstein durante o primeiro semestre de 2027.

 

Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação

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