Opinião: guerra nas estradas, por Glauco José Côrte

Confira artigo do presidente da FIESC publicado no jornais Diário Catarinense e A Notícia nesta quarta-feira (23)
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  • Presidente da FIESC, Glauco José Côrte (Foto: Heraldo Carnieri)

A FIESC apresentou e debateu recentemente, em Chapecó, propostas  para redução dos acidentes nas rodovias do Oeste. Trata-se do primeiro estudo do “Grupo de Trabalho Rodovias Oeste SC do Futuro”, que pretende contribuir para o planejamento, segurança e fluidez da malha rodoviária da região. Dada a atual crise econômica e o levantamento realizado, que estimou que a região demanda investimentos de mais de R$ 600 milhões anuais para manter e modernizar sua malha rodoviária, decidiu-se priorizar a vida.

Especialistas contratados pela Federação fizeram uma análise dos pontos de maior periculosidade das estradas da região, com base em dados das Polícias Rodoviárias Estadual e Federal. Estimaram um aporte emergencial de R$ 14,1 milhões nesses pontos, a fim de reduzir o grande número de acidentes que se repetem diariamente, parte deles fatais. Tal valor representa apenas pouco mais de 1% da arrecadação anual de ICMS da região. Foram ainda sugeridas ações na área de educação, melhoria na fiscalização e a instituição de projetos de sinalização e de manutenção das rodovias estaduais.

O cenário nas estradas brasileiras é de guerra. São quase 40 mil mortes anuais, sem contar os feridos. Na guerra do Afeganistão (2001-2013), por exemplo, a média anual foi de perto de 10 mil mortes. O IPEA estima que o País gasta cerca de R$ 40 bilhões anuais com acidentes de trânsito. Santa Catarina possui 15 dos 100 trechos mais críticos das rodovias federais do País, ocupando a segunda posição no ranking de número de acidentes (Dados de 2015 da PRF/SC e PRE/SC). Um terço do orçamento dos hospitais dos grandes centros urbanos é gasto com vítimas de acidentes de moto. Só nas rodovias estaduais localizadas no Oeste, nos últimos cinco anos foram mais de 5  mil acidentes, com 199 mortes.

Os catarinenses não podem ignorar essa  tragédia. Por isso,  o tema, como proposto, deve ser objeto de grande mobilização para enfrentar o desafio pela humanização das nossas rodovias.