A inter-relação entre saúde e infraestrutura pode ser claramente entendida quando observadas as estradas brasileiras, por onde milhões de motoristas se arriscam

As transformações sempre caminharam ao lado da saúde, que se modifica e evolui de maneira cada vez mais veloz e ampla. Avanços tecnológicos, pesquisas e novas descobertas para diagnósticos e tratamentos, alterações sociais, econômicas e políticas refletem diretamente na saúde, mudando a própria essência do seu significado, que representa muito mais do que curar a doença, mas cuidar das pessoas, gerar bem-estar e felicidade. Diante disso, tratar da saúde inclui saneamento básico, educação, segurança, respeito à cidadania, acesso ao lazer e, mais do que nunca, infraestrutura que garanta o respeito à vida.

Essa inter-relação entre saúde e infraestrutura pode ser claramente entendida quando observadas as estradas brasileiras, por onde milhões de motoristas se arriscam, convivendo com buracos, asfalto desgastado, falta de sinalização e carência na fiscalização, que vão além da imprudência daqueles que estão atrás do volante. As condições das ruas das nossas cidades também envolvem problemas diversos, descuidos inaceitáveis e ameaças aos motoristas e aos pedestres. Assim, por ano, as mortes no trânsito brasileiro ultrapassam 50 mil pessoas, em colisões ou atropelamentos.

As estatísticas em Santa Catarina mostram que 1.554 pessoas foram a óbito em acidentes de trânsito em 2016 (data da última apuração completa realizada no Estado). Além disso, é absurdamente impactante o elevado número de internações hospitalares decorrentes desses acidentes: 8.097, no mesmo ano, conforme dados da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE). O custo dessas internações soma cerca de R$ 18 milhões ao ano, que são ampliados nos casos mais graves, que envolvem UTIs e pacientes com permanência estendida, por múltiplos traumas e sequelas.

Não resta dúvida de que isso torna as emergências dos nossos hospitais em campos de batalha, afetando de maneira direta todo o trabalho de médicos, equipes de saúde, a gestão dos hospitais e o próprio recurso destinado à assistência médico-hospitalar, com financiamento cada vez mais escasso. O custo social também é altíssimo, já que os acidentes com veículos envolvem especialmente homens (80%), entre 20 e 39 anos (44%), e motociclistas (32%).

Portanto, a luta pelas melhorias na infraestrutura perpassa diretamente as causas da saúde, necessitando da união de forças dos segmentos organizados da sociedade. Foi pensando nisso que a ACM foi convidada a integrar o Conselho Estratégico para Infraestrutura de Transporte e a Logística Catarinense, criado pela FIESC e dirigido por empresários com a visão empreendedora e inovadora na busca de soluções que beneficiem a população. Diante da grandeza das ações do Conselho, a ACM vem participando ativamente dos debates, contribuindo com informações e propostas. A missão vem sendo cumprida com empenho e responsabilidade, de forma a contribuir para as conquistas indispensáveis às condições de vida dos cidadãos.


Ademar José de Oliveira Paes Junior
Presidente da Associação Catarinense de Medicina (ACM)
 

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