Quatro em cada dez catarinenses participam de algum tipo de cooperativa, uma cultura essencial para a economia do Estado.

O cooperativismo é muitas vezes descrito como o ponto de equilíbrio entre o capitalismo selvagem e o socialismo utópico, por apresentar uma solução mais harmoniosa para as relações de produção e distribuição da riqueza. Pode-se dizer que os cooperados são, ao mesmo tempo, clientes e proprietários graças ao modelo participativo que prevê votações para as decisões mais relevantes e ampla circulação das informações.


“Cooperativa é uma associação autônoma de pessoas que se unem, voluntariamente, para satisfazer aspirações e necessidades econômicas, sociais e culturais comuns, por meio de uma empresa de propriedade coletiva”, diz a definição oficial, estabelecida no Congresso do Centenário da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), realizado em Manchester, na Inglaterra, em 1995.


A cidade inglesa ocupa lugar de honra na história do cooperativismo. Foi ali que nasceu, em 1844, aquela que é reconhecida como a primeira instituição do gênero: a Sociedade Rochdale dos Pioneiros Equitativos, criada por um grupo de 28 operários, a maior parte deles tecelões. O grupo desenvolveu um sistema de compras coletivas de produtos, obtendo por conta disso preços mais baratos. A adesão constante de novos sócios fez o número de participantes chegar, dez anos depois, a 1.400.


A novidade chegou ao Brasil em 1889, ano da Proclamação da República, por meio da criação da Sociedade Cooperativa Econômica dos Funcionários Públicos de Ouro Preto, em Minas Gerais. Com atividades diversificadas, a cooperativa criou também um fundo de socorro para associados em situação de necessidade.


O universo rural catarinense aderiu ao cooperativismo em 1908, com a fundação em Urussanga, no Sul do Estado, da Cooperativa Agrícola de Rio Maior (Cooperprima). Em 1964, o cooperativismo catarinense ganhou sua instituição organizadora, a Associação das Cooperativas de Santa Catarina, atual Organização das Cooperativas de Santa Catarina (Ocesc). “É visível que o IDH dos municípios com tradição cooperativista, especialmente as cooperativas agropecuárias, é mais elevado, pois a renda é mais bem distribuída”, ressalta o presidente da Ocesc, Luiz Vicente Suzin.

 

Construção | Embora a agropecuária seja a área em que o cooperativismo está mais difundido no Brasil, há vários outros setores em que esse tipo de organização também é adotado (veja o quadro). Suzin, afirma que, atualmente, 2,7 milhões de catarinenses – ou seja, 40% da população do Estado – participam como associados de algum tipo de cooperativa. “Isso traz um resultado social e econômico relevante, pois a ligação com o cooperativismo de alguma forma impacta a qualidade de vida de todas essas pessoas”, avalia Suzin.


Ele destaca, também, a diversidade de circunstâncias em que se pode extrair benefícios do cooperativismo. “Por meio dele o associado pode viabilizar uma atividade, obter condições facilitadas ou ter acesso vantajoso a bens, produtos e serviços”, exemplifica.


O segmento da construção civil no Estado descobriu o cooperativismo como caminho para o crescimento a partir da fundação da CooperconSC, a Cooperativa da Construção Civil do Estado de Santa Catarina. A ideia surgiu em 2015, quando o setor começou a se mobilizar no sentido de criar uma instituição que pudesse proporcionar ganhos de negociação coletiva, mas só foi implantada efetivamente em setembro de 2017. Hoje já são 90 associados e 25 indústrias parceiras, que oferecem preços e benefícios exclusivos aos associados.


A principal iniciativa da CooperconSC é uma central eletrônica de compras compartilhadas, que podem ser efetuadas por meio de um portal na internet. Ali também são disponibilizadas ferramentas para acompanhamento da logística até a entrega dos produtos. Uma novidade em 2019 foi a criação de uma plataforma de viagens, seguindo o mesmo princípio de obter descontos em passagens, hotéis e aluguel de carro.


“Nossa meta para este ano é atingir R$ 50 milhões em compras, mas sabemos que nosso potencial imediato é bem maior, de R$ 10 milhões por mês”, afirma o presidente da CooperconSC, José Sylvio Ghisi. “Este é o patamar que será alcançado quando os associados atuais estiverem fazendo a maior parte de suas compras pela cooperativa”, explica.


Outro papel da instituição é zelar pela qualidade dos materiais. “O mercado pode ter certeza de que os produtos ofertados via cooperativa serão sempre adequados às normas de desempenho e segurança. As vantagens financeiras obtidas para os associados jamais implicarão qualquer tipo de sacrifício da qualidade”, ressalta Ghisi.

 

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