Em livro apresentado nesta quarta-feira, dia 10, a entidade mostra que o planejamento de transporte nacional está focado na exportação de grãos e minério de ferro, o que tira Santa Catarina, estado que tem uma indústria diversificada, da rede prioritária nacional

Florianópolis, 10.7.2019 – Santa Catarina não está contemplada no contexto logístico nacional, o que determina a pequena participação do estado na distribuição dos recursos federais. Esta é uma das principais conclusões da da obra “Proposta para a inserção de Santa Catarina no Contexto Logístico Nacional”, que foi apresentada nesta quarta (10) pela FIESC à Assembleia Legislativa. O autor do livro, o economista Egídio Martorano, secretário-executivo da Câmara para Assuntos de Transporte e Logística da entidade, destacou que o planejamento da rede prioritária nacional, do governo federal, não contempla as necessidades catarinenses. O planejamento nacional é focado no transporte de grãos e minérios para exportação e não atende as demandas da diversificada indústria catarinense.

O presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar, frisou a importância da obra por alertar sobre as necessidades de investimentos que atendam as demandas do estado. Aguiar lembrou que Santa Catarina tem uma indústria forte e que “precisa de uma estrutura viária, ferroviária e aeroviária compatível com a sua economia”. Segundo ele, a obra tem o objetivo de “auxiliar Santa Catarina a ter uma infraestrutura melhor para que seja mais competitivo e, por consequência, um estado econômica e socialmente mais justo”.

Na obra, a FIESC defende a realização de estudo de viabilidade de um sistema intermodal de transporte, considerando todas as possibilidades (inclusive cabotagem e hidrovias). Para a Federação das Indústrias, é necessário um planejamento integrado, respeitando variáveis macroeconômicas e a distribuição espacial da produção. O trabalho propõe a elaboração de um banco de projetos, que identifique oportunidades para investimentos públicos e privados.

No estudo, Martorano constatou que apenas um porto catarinense possui ligação ferroviária. “Todos os portos importantes do mundo possuem acesso por ferrovia. O único porto em Santa Catarina que tem esse atributo é o de São Francisco do Sul, mas a ferrovia tem curvas de 80 graus e permite, em alguns trechos, a velocidade máxima de 14 km/hora”. Segundo o economista, os cinco portos catarinenses compõem um dos melhores complexos portuários da América Latina.

Martorano lembrou que existem três projetos de ferrovias que atenderão Santa Catarina: a litorânea (que fará a ligação dos portos), a leste-oeste e a norte-sul (que ligará as regiões Norte e Centro-Oeste brasileiras com o porto de Rio Grande-RS). Ele criticou, no entanto, que os projetos estejam sob gestão de órgãos diferentes (DNIT e Valec) e que também não estão integrados. O economista observou também que o Ministério dos Transportes estima que a ferrovia leste-oeste exija investimentos de R$ 16 bilhões. Mas lembrou que somente em 2018 Santa Catarina arrecadou R$ 58,8 bilhões em impostos federais; exportou R$ 34,3 bilhões e manteve uma corrente de comércio de R$ 94,2 bilhões.

O livro destaca que a indústria de Santa Catarina, por ser diversificada e geograficamente distribuída, perde competitividade por causa das deficiências da infraestrutura de transporte. Martorano salientou a necessidade de que haja uma integração de projetos ferroviários que contemplem também o escoamento da produção para os grandes centros consumidores do país, respeitando as potencialidades e vocações da indústria local.

Ele observou que os demais modais de transporte no Estado também apresentam carências. Uma constatação do estudo é que 90% do volume de exportações estaduais realizadas por via aérea (cerca de R$ 1,1 bilhão por ano) ocorrem por meio de aeroportos de outros estados. Além disso, “todos os eixos rodoviários catarinenses estão comprometidos”, disse.

Por fim, Egídio Martorano mostrou que, além de todas as deficiências de infraestrutura, Santa Catarina ainda financiará boa parte da duplicação do eixo rodoviário que levará cargas do oeste do estado ao porto de Paranaguá. “Estão previstas três praças de pedágio em Santa Catarina nas BRs 282 e 153 para financiar a duplicação até a cidade de Lapa-PR”, ressaltou. 

Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESC
Assessoria de Imprensa

 

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