Educação Maker envolve jovens e empresas em projetos inovadores e ajuda a desenvolver as competências essenciais para a economia e a sociedade do século 21

Muitos pais estranham a ausência de apostilas, cadernos e avaliações ao longo do semestre. Aos poucos, no entanto, percebem que os filhos matriculados nos cursos do Espaço de Educação Maker do SESI, em Blumenau, parecem mais concentrados, responsáveis e interessados nos estudos. Inaugurada em março de 2017, a enorme sala de 1.200 metros quadrados equipada com impressoras 3D, placas eletrônicas de prototipagem, furadeiras, lixadeiras e softwares de programação encanta crianças e adolescentes que ali aprendem de um jeito inovador não apenas robótica, matemática, ciências e comunicação, mas também competências essenciais para o futuro do trabalho. 

“No início, me decepcionei um pouco, fiquei me questionando o que meu filho estava fazendo lá. Então notei a evolução tanto na autonomia dele quanto na vontade de fazer as coisas. Percebi que temos de ter a cabeça aberta para o que está acontecendo na educação”, confessou o pai de Lucca Mendes Suhet em um encontro que reuniu em maio os familiares dos alunos da Equipe Techmaker. Um mês antes, eles haviam conquistado três prêmios no Mundial da First Lego League em Houston, nos Estados Unidos. Entre eles, um primeiro lugar na categoria Gracious Professionalism, entregue às equipes que se destacam pelo respeito, profissionalismo e trabalho em equipe.

Desafios

Estes são apenas alguns dos valores que o método aplicado no Espaço de Educação Maker busca desenvolver nos quase 350 alunos das unidades de Blumenau e também Indaial, que conta com uma unidade desde julho do ano passado. No total, há 13 espaços deste tipo espalhados pelo Estado, que oferecem atividades de contraturno a alunos da rede de educação básica. Considerando os espaços Maker, atividades de robótica e o projeto SESI Ciências, 16 mil jovens foram apresentados, no ano passado, a uma nova proposta educacional que é capaz de transformar o modo de pensar das pessoas.

“Trabalhamos com educação e desenvolvimento. Temos uma proposta pedagógica em que os alunos trabalham as competências do século 21, como inovação, trabalho em equipe, criatividade, resolução de problemas complexos. Nosso propósito é desenvolver criadores de soluções para a vida”, ilustra a supervisora do Espaço de Educação Maker, Ketlin Endler Cubas. “A diferença básica do nosso método é que o aluno não fica sentado recebendo informações: ele recebe um desafio e, através de pesquisa na internet e apoio de colegas mais experientes, vai conhecendo as ferramentas e aplicações e desenvolvendo soluções”, complementa o professor e técnico do time de robótica Thiago Bettega Linares.

Agora com 15 anos, Lucca estava em uma das primeiras turmas de robótica do Maker, já em 2017. Ali percebeu que aprendia muito melhor conceitos de física e matemática ao utilizá-los de maneira prática. Filho de engenheiro, já decidiu que deve seguir a carreira do pai, mas de uma maneira um pouco diferente: “Quero trabalhar com algo relacionado a mecatrônica, mas gosto muito de biologia também. Então alguma área que envolva estas duas áreas seria ótimo”, calcula o jovem, que fez parte da equipe que foi a Houston.
Lá eles apresentaram como projeto um aplicativo que está despertando o interesse de empresas como a multinacional austríaca Andritz, que tem filial em Pomerode, e a Blumenau Iluminação. O aplicativo foi desenvolvido para um astronauta isolado no espaço, mas pode ter aplicações muito úteis no próprio planeta Terra. “O astronauta registra informações e também sentimentos no app, que a partir disso cria um protocolo automático baseado em terapias e tecnologias leves para melhorar a qualidade de vida dele. Com inteligência artificial, o app vai aprendendo o que funciona ou não com o usuário”, resume Lucca. As duas empresas querem testar o app com mineradores e também trabalhadores de RH e chão de fábrica, por exemplo.

Adoção
André Augusto Wöstehoff se despediu da equipe Techmaker com a viagem para Houston. Aos 17 anos, ele se prepara agora para se tornar um Jovem Aprendiz dentro do Espaço de Educação Maker. O estudante da Escola João Widemann é um dos primeiros alunos matriculados, e nesses mais de dois anos descobriu o gosto pela matemática e pela programação, além de se sentir mais responsável, focado e extrovertido. “A gente sabe a hora que tem que brincar e a hora que tem que trabalhar. Diante de um problema, a gente não se desespera, analisa o que está errado e o que pode ser feito com ética e profissionalismo”, afirma.

Cerca de metade dos alunos dos espaços em Blumenau e Indaial é apadrinhada por empresas da região, que pagam as mensalidades e, em alguns casos, custeiam o transporte dos alunos até o SESI. A primeira delas foi a Bosch, de Pomerode, através do Instituto Robert Bosch. Hoje, além da multinacional, a Associação Empresarial de Indaial e o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e do Material Elétrico de Blumenau fomentam a adoção de alunos por empresas e indústrias da região.

Por Vladimir Brandão e Leo Laps

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