Brexit prejudica negociações do acordo Mercosul-União Europeia

Contudo, presidente da Câmara de Comércio Exterior da FIESC destaca que o Reino Unido deve buscar novos fornecedores. Ela recomenda que o Brasil estruture alianças estratégicas para aproveitar essa oportunidade
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  • Presidente da Câmara de Comércio Exterior da FIESC, Maria Teresa Bustamante, em palestra à diretoria da instituição (foto: Fernando Willadino)

Florianópolis, 22.7.2016 – A saída do Reino Unido da União Europeia deve prejudicar as negociações do acordo Mercosul com o bloco, afirmou a presidente da Câmara de Comércio Exterior da FIESC, Maria Teresa Bustamante. “O Reino Unido, ao se desligar da União Europeia, precisa começar do zero a sua participação na Organização Mundial do Comércio (OMC). Isso é mais do que relevante. Todos os compromissos assumidos, como a concessão de redução de tarifas, abertura de novos mercados e facilitação de negócios estão no âmbito da União Europeia”, declarou, lembrando que ao sair, o Reino Unido terá que negociar tudo. “Isso significa que a negociação com o Mercosul, que já não tinha uma perspectiva tão positiva de ser concluída, vai para o último lugar da fila”, alertou, em palestra na reunião de diretoria da FIESC, na sexta-feira (22), em Florianópolis.

Segundo ela, entre os possíveis ganhadores com a decisão do Reino Unido está a China, que tem acordos celebrados com o País europeu há muito tempo. De 2000 a 2015 os chineses investiram cerca de US$ 24 bilhões. “A China é um acionista presente em todos os investimentos da melhoria do transporte público e aeroportos no Reino Unido, mas destaco, especialmente, os investimentos feitos entre o País asiático e o Reino Unido nos convênios para pesquisa, desenvolvimento, tecnologia de informação e entre as universidades e empresas”, explicou. Reino Unido, Alemanha, França e Itália também são países-membros do Banco de Investimentos e Infraestrutura da Ásia.  

Atualmente, 350 empresas brasileiras estão presentes no Reino Unido. Desse total, 40% são de tecnologia; 30% de serviços financeiros e 30% do varejo. O Brasil sedia cem empresas do Reino Unido de áreas como petróleo, gás, energia, mineração e bancos. O País europeu ocupa a oitava posição no ranking de maiores investidores no Brasil.

Segundo Maria Teresa, com a saída da União Europeia, o Reino Unido terá mais liberdade comercial e buscará novos fornecedores. Ela recomenda que o Brasil estruture alianças estratégicas e conduza negociações para aproveitar essa oportunidade.

 

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