Se nenhuma obra de ampliação de capacidade for feita, em dez anos o cenário seria ainda mais grave com o colapso da rodovia, afirma engenheiro que fez estudo, cujos resultados foram apresentados na FIESC, nesta quarta-feira (22)

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Florianópolis, 22.8.2018 – Sem a realização de investimentos, o tráfego do trecho concessionado da BR-101 nas regiões metropolitanas de Itajaí e Florianópolis vai parar em três anos e em dez anos o cenário seria ainda mais grave com o colapso da rodovia. O alerta foi feito pelo engenheiro Newton Walter Gava, que conduziu estudo, cujos resultados foram apresentados em reunião da Câmara de Assuntos de Transporte e Logística da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), nesta quarta-feira (22), em Florianópolis. Para a região de Florianópolis, há um conjunto de obras previstas que totalizam cerca de R$ 700 milhões. Contudo, a execução de uma faixa adicional na pista norte, no valor de R$ 93 milhões, daria mais fluidez. “É uma obra fácil, que dá para ser feita em um ano e atende com 50% a mais de capacidade, ou seja, esses congestionamentos crônicos que vemos pela manhã vão diminuir muito com tendência a desaparecer. Quer dizer, é uma obra operacional, de curtíssimo prazo, enquanto não fica pronto o Contorno”, disse, lembrando que a concessionária tem os recursos para começar a obra, o projeto executivo está pronto e encontra-se em fase de orçamento para encaminhar à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Gava disse que junto com o Contorno de Florianópolis, é preciso uma série de medidas para melhorar as condições operacionais do trecho da BR-101 que passa na região. “Essas obras propostas, que devem custar R$ 700 milhões, vão trazer até 2029 uma condição boa de tráfego, com as pistas marginais concentrando o trânsito local e, nas centrais, o tráfego regional da área metropolitana”, explicou. Em relação ao trecho que vai de Itajaí a Navegantes, o engenheiro explicou que com investimento de R$ 280 milhões haverá melhora substancial do tráfego. Mas se nenhum investimento for feito, a travessia Navegantes – Itajaí terá velocidade média de 10 km/h no horário de pico em 2029. Para que o investimento seja executado é preciso autorização da ANTT.

O presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar, destaca que a BR-101 não atende a demanda atual e nem a futura. “Já alertamos várias vezes as autoridades para encontrar soluções. No mínimo fazer projetos para posterior execução do serviço. Dentro do programa de concessão, as grandes obras para a BR-101 já foram executadas. Com o País retomando o seu crescimento, a rodovia não vai suportar todo o tráfego. Quando tivermos as duplicações das BRs 280 e 470 somente isso já será um grande indutor de aumento de tráfego na BR-101”, ressalta.

Aguiar lembra que Santa Catarina tem vocação para ser uma plataforma logística importante para o Brasil. “Já somos o segundo estado em movimentação de contêineres. Nossos portos são eficientes e estão fazendo investimentos porque se acredita que o movimento possa crescer muito. E isso vai ter impacto na BR-101. Temos uma rodovia duplicada, mas ela não atende nossa demanda e nem a demanda futura. Então, há preocupação com a mobilidade, a segurança e a competitividade em Santa Catarina”, disse. Ele também apresentou as principais propostas debatidas no âmbito do Grupo BR-101 do Futuro, que estuda melhorias para a rodovia. Veja mais aqui.

O presidente da FIESC apresentou ainda dados que mostram que de 2008 a 2017 a população no entorno do trecho concessionado da BR-101 cresceu 25%. De 2008 a 2016, o número de estabelecimentos aumentou 34,7%. De 2009 a 2015 o percentual de veículos ampliou-se em 75,8%. Em relação à corrente de comércio no entorno do trecho concessionado, de 2009 a 2017 o crescimento foi de 21,2%.

O engenheiro Newton Gava é um consultor independente e fez o estudo para o Grupo Paritário de Trabalho (GPT) do trecho concessionado da BR-101, liderado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), com a participação da sociedade civil e a função de fiscalizar a concessão. Ainda durante a apresentação ele abordou os benefícios sociais que a execução das obras pode trazer. Segundo o estudo, só na travessia Itajaí-Navegantes a estimativa é de uma economia de R$ 2,8 bilhões em 2029, com redução de acidentes, de gasto com combustível, de tempo parado no trânsito, além de diminuição da emissão de poluentes. No caso da travessia de Florianópolis, com a execução da pista norte, o tempo médio gasto no horário de pico nos quilômetros 192 e 222 cairia de 47 minutos para 28 minutos. “O conjunto dos benefícios será de R$ 4,9 bilhões para um investimento de R$ 93 milhões nesta pista adicional para a região metropolitana da capital”, resumiu.

O superintendente da Autopista Litoral Sul, André Bianchi, disse que a sociedade precisa de infraestrutura e o estudo mensura isso. “É muito importante ter os investimentos o mais rápido para devolver boa condição de trafegabilidade para os usuários. Para Santa Catarina ser competitiva precisa pensar em novas soluções. Não estava no escopo do contrato de concessão. São novas obras que pretendemos incluir. É uma demanda da sociedade. Convertemos essa demanda em estudo para precificar isso”, explicou. Agora a concessionária espera que sejam feitas as audiências públicas para discutir os orçamentos das obras e, depois, aprovação pela ANTT para poder executá-las.

Ainda na reunião, o presidente do Porto de Itapoá, Cássio José Schreiner, destacou a expansão do Porto, e o engenheiro Ricardo Saporiti apresentou análises que mostram a situação das BRs 282 e 158 no Oeste.

Monitora FIESC: O sistema Monitora FIESC, que acompanha o status de 52 obras e projetos de infraestrutura de transporte de Santa Catarina que somam R$ 7,38 bilhões, revela que 59% delas estão com o prazo expirado, 31% estão com o andamento comprometido e 10% estão com o andamento normal. As obras monitoradas são dos modais aeroviário (8 obras), aquaviário (4 obras), ferroviário (7 obras) e rodoviário (33 obras). Em 2018, dos R$ 840 milhões previstos para investimentos em obras de transporte em Santa Catarina, foram pagos só R$ 181 milhões, dos quais 58% são de restos a pagar de anos anteriores, mostram dados do Orçamento Geral da União.

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