Para o economista, o Brasil está na periferia das cadeias globais de valor 

Florianópolis, 13.3.2018 – O economista Gustavo Franco defendeu, em palestra na Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), nesta terça-feira (13), a ampliação da abertura da economia brasileira. Diretor e presidente do Banco Central no governo Fernando Henrique Cardoso, Franco também defendeu o equilíbrio fiscal. “A sustentabilidade se transmite ao setor privado como sustentabilidade do País, o que, obviamente, favorece investimentos e cria um círculo virtuoso”, disse.

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Franco apresentou um relatório do Banco Mundial que aponta possibilidades de economias do gasto público que recolocariam o País em situação de superávit primário. A conclusão do relatório indica um potencial de economia de 8,36%, dos quais a previdência representa 1,8 ponto percentual. Além da previdência, “a lista é grande e cobra praticamente todas as ações do setor público”, afirmou. 

O economista citou que o serviço público federal paga em média 67% acima da média salarial do setor privado para mesmas funções e profissionais de mesmo grau de escolaridade, gênero, localização e experiência. Um reflexo direto é o custo da previdência pública no Brasil, que fica na ordem de 4% do PIB, o pior em uma lista de 25 países selecionados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O valor representa praticamente o dobro do registrado por Alemanha, Japão, Austrália e Dinamarca. “É uma situação completamente discrepante do qualquer outro País”, disse. 

Gustavo Franco defende ações severas para a redução do gasto público, com atuação em muitas áreas. “Em praticamente toda a extensão do setor público tem o que fazer. É como se a grama tivesse crescido no jardim inteiro. Não tem nenhuma medida isolada que seja determinante para o sucesso. Algumas coisas são mais importantes que outras, mas tudo é importante. A previdência é importante, mas também é importante a reforma salarial do setor público”, disse. “O Estado brasileiro perdeu a funcionalidade e perdeu a capacidade de fazer conta, então desempenha suas funções sem nenhuma noção de economicidade, e por isso precisa mexer em tudo”, completou. 

O economista falou também sobre a falta de competitividade da economia brasileira no plano internacional. Ele entende que o Brasil está na periferia das cadeias globais de valor e que o País deveria criar as condições para ampliar sua abertura econômica.

“Se as empresas multinacionais que estão localizadas no Brasil exportassem como fazem as filiais dos mesmos grupos em outros países, elas poderiam estar exportando o triplo; e importando o triplo, também, porque uma coisa não acontece sem a outra”, afirmou. “Mais danoso para este panorama são os requisitos de conteúdo nacional, espalhados nos mecanismos de financiamento internos, nas compras governamentais e nas atuações de empresas como a Petrobras e o BNDES”, disse.

Assessoria de Imprensa
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina

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