“O Brasil não pode parar”, afirma Côrte, em cerimônia de homenagens

No discurso durante a entrega da Ordem do Mérito Industrial, presidente da FIESC defendeu continuidade das reformas e das investigações
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  • Colombo, Côrte, Thiesen, Fischer, Schneider, Weiss, Sapelli e Campagnolo (da esq. para a dir.) em cerimônia da FIESC (foto: Marcos Campos)

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Florianópolis, 19.5.2017 – “O Brasil não pode parar. Precisamos valorizar as empresas sérias e transparentes. E encontrar uma fórmula para voltar a avançar, o mais rápido possível, com as reformas, para criar um ambiente que permita o crescimento. Se temos pela frente grandes desafios, sabemos também que há muitos brasileiros do bem trabalhando por um País melhor”, afirmou o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina, Glauco José Côrte, nesta sexta-feira (19), em Florianópolis, durante a cerimônia de entrega da Ordem do Mérito Industrial e do Mérito Sindical. O evento marcou o encerramento da Jornada Inovação e Competitividade da Indústria Catarinense. 

“Nesta semana um novo terremoto político surpreendeu o País. Chegou num momento em que as reformas tão esperadas pelo setor produtivo e pela sociedade avançavam e as estatísticas confirmavam aquilo que a maior parte dos empresários já sentia no dia a dia de suas fábricas: sinais positivos, ainda modestos, mas claros, da melhora do ambiente econômico. Quando as nuvens começavam a se dissipar, a cena política novamente se agravou de maneira dramática, trazendo insegurança sobre a recuperação  econômica, sem a qual não será possível gerar os postos de trabalho que o Brasil e os brasileiros tanto precisam”, afirmou o presidente da entidade em seu discurso.

À uma plateia de 400 pessoas, Côrte salientou que apesar de parecerem um balde de água fria, as novas notícias sobre as investigações e o combate à corrupção estão num contexto que representa oportunidade para enfrentar de vez os desvios de conduta, com os quais o País não pode concordar. “O Brasil precisa ser passado a limpo, de uma vez por todas”, reforçou, lembrando que depois de anos de crise política, econômica, ética e social, os equívocos na condução do Brasil levaram a um recorde lamentável: 14 milhões de desempregados.

Ao cumprimentar os homenageados, Côrte fez referência à trajetória deles e disse que em comum elas têm muito trabalho, perseverança, capacidade de empreender, liderar e engajar equipes, profundo envolvimento com as suas comunidades e, principalmente, a fé inabalável num futuro melhor. Os industriais Ademar Sapelli, de Brusque, Álvaro Weiss, de São Bento do Sul, Carlos Rodolfo Schneider, de Joinville, José Samuel Thiesen, de Saudades, além do governador Raimundo Colombo, receberam a Ordem do Mérito Industrial de Santa Catarina, o mais alto reconhecimento da indústria do Estado. O industrial Ingo Fischer, de Brusque, recebeu a Ordem do Mérito Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o reconhecimento máximo da indústria nacional.

“A travessia nesse período tem sido dolorosa. Os industriais que hoje recebem a nossa homenagem sabem disso. Tiveram que fazer inúmeros sacrifícios e foram obrigados a adotar medidas duras para sobreviver a uma contração econômica jamais vivida antes”, declarou o presidente da FIESC, salientando que, apesar de tudo, seguem em frente.

Fischer, que discursou em nome dos homenageados, disse que representar os empresários de Santa Catarina em nível nacional é muito mais do que a realização de um sonho. “Esta iniciativa da CNI e da FIESC é uma forma de reconhecimento do esforço e dedicação de pessoas que lideram e mobilizam equipes em favor de uma causa, gerando riqueza, empregos e qualidade de vida”, resumiu, referindo-se aos homenageados como a síntese do modelo industrial de Santa Catarina: indústrias que nasceram pequenas, foram crescendo, ganhando mercados e transformando vidas. “Assim foi construída uma indústria forte, pujante, que com seus produtos está presente em todos os continentes. A indústria do Estado foi forjada com a dedicação dos empreendedores e o compromisso dos trabalhadores. Todos determinados a fazer o melhor da melhor forma e buscando os melhores resultados”, finalizou.  

O presidente da FIEP, Edson Campagnolo, que na cerimônia representou o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, destacou a persistência dos empreendedores diante da crise pela qual o País atravessa e convocou a sociedade a participar mais da política. “Enquanto nos silenciarmos, nos omitirmos e não participarmos um pouco mais na política nacional, local e estadual e não tivermos essa coragem, vamos continuar enfrentando crises como essa que estamos vivendo”, alertou, lembrando que para estar mais presente na política não precisa ser um candidato.

O deputado Silvio Dreveck, presidente da Assembleia Legislativa, disse que Santa Catarina é um Estado diferenciado pela sua gente, pela sua indústria e pelos empreendedores. Lembrou da importância das reformas que o País precisa e ressaltou que a da previdência é um desafio que o Brasil e os Estados precisam enfrentar. “É um grande gargalo que está afundando a maioria dos Estados”, observou, ressaltando que Santa Catarina aprovou a sua em 2015, ainda que sob pressão. “Sem coragem e determinação não se vota a favor de reformas”, opinou. Para ele, “não há mais espaço para privilégios, para conceder o que não conseguimos produzir. E não permitimos aumentar mais impostos”.

Em seu pronunciamento, o governador Raimundo Colombo chamou a atenção para as várias faces da crise e lembrou que a globalização exige competitividade e eficiência. “Temos que nos adaptar a esta realidade, fazer mais com menos, mais rápido e com qualidade. A sociedade brasileira começa a observar a necessidade de sair de um modelo de Estado para construir um modelo de nação e isso não é fácil de fazer. Não se faz com leis, decretos ou discursos”, argumentou.

Segundo ele, é um processo de mobilização da sociedade que mostra uma angústia e não é possível continuar no modelo atual. “Essa é a grande transformação que estamos vivendo e não há porque ter medo dela. Ela é positiva e começa a moldar as coisas que precisam ser corrigidas. Elas vão corrigir o modelo político que todos nós sabemos que é ineficiente, está comprometido e não responde à sociedade”, declarou, salientando o elevado custo do Estado brasileiro. Ao final do discurso, ele compartilhou a homenagem que recebeu da FIESC com a equipe de governo. “Essa comenda, que recebo com muita alegria e num momento difícil para todos nós, sobretudo, para mim, é um incentivo para continuar”, disse.  

Mérito Sindical - Nesta sexta-feira, a FIESC também entregou o Mérito Sindical. A homenagem é conferida aos sindicatos que cooperam para o fortalecimento da representatividade empresarial catarinense e que permanecem filiados à entidade por um longo período. Na categoria Bronze, 25 anos de filiação, foi agraciado o Sindicato da Indústria de Extração de Carvão do Estado de Santa Catarina. Na categoria Prata, 30 anos de associação, foram condecorados o Sindicato de Indústria Cerâmica para a Construção do Vale do Itajaí, Centro, Norte e Planalto Catarinense, o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Sul Catarinense e o Sindicato das Indústrias de Serrarias, Carpintarias, Tanoarias, Madeiras Compensadas e Laminadas, Aglomerados e Chapas de Fibras de Madeira de Caçador. Na categoria Ouro, 40 anos de filiação, foi reconhecido o Sindicato das Indústrias de Cerâmica de Criciúma e o Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário de Jaraguá do Sul.

Perfil dos homenageados

Ademar Sapelli: nascido em Brusque, formado em matemática e filho de um caldeirista de curtume e de uma funcionária pública municipal, Ademar fundou a empresa Sancris, em 1987, nos fundos de sua própria casa, na sua cidade natal. A empresa, inicialmente uma distribuidora de aviamentos, cresceu e hoje trabalha na produção e comercialização de linhas, fios e zíperes. A companhia tem uma carteira de aproximadamente 4,5 mil clientes, emprega mil trabalhadores em suas três unidades fabris e atende o mercado nacional e internacional. Antes de fundar a empresa, Sapelli, que é irmão gêmeo de Ademir e tem mais quatro irmãs, começou sua vida profissional como empacotador em um supermercado, depois trabalhou como almoxarife e vendedor na Irmãos Fischer. Além disso, foi representante comercial na Companhia Industrial Schlosser. Sapelli também tem forte om atuação no associativismo, integra a Associação Comercial de Brusque há 30 anos, é membro do Conselho do Hospital de Azambuja e atua em outras entidade filantrópicas.

Álvaro Weiss: Natural de São Bento do Sul, aos oito anos de idade Álvaro Weiss entregava leite e ajudava os pais na roça para complementar a renda da família de músicos, que formava uma banda liderada pelo pai. Sem deixar de estudar, aos 15 anos ele foi trabalhar na fábrica de chocolate Buschle, onde exerceu as funções de serviços gerais e auxiliar de escritório. Em 1957 foi convidado para trabalhar na Artefama. Iniciou na contabilidade, passou pelas áreas administrativa e de vendas, chegou à presidência e hoje está à frente do conselho de administração. Weiss participou de um dos momentos mais importantes da companhia, que foi o início das exportações de artefatos de madeira, em 1967, para os Estados Unidos. Posteriormente, foram embarcados móveis de jardim para Inglaterra e Austrália. Na década de 1980 aumentou o volume exportado para o mercado norte-americano e no final de década de 1990 o Brasil entrou com mais força no mercado moveleiro mundial. Álvaro também se destacou no associativismo, com a fundação da Associação da Indústria Moveleira e o Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário de São Bento do Sul. 

Carlos Rodolfo Schneider: Bacharel e mestre em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em São Paulo, Carlos Rodolfo dirige o Grupo H. Carlos Schneider, de Joinville, que tem entre suas empresas a Ciser, companhia fundada em 1959 e atualmente líder na América Latina na produção de fixadores. A empresa tem capacidade produtiva de 6 mil toneladas por mês e 27 mil produtos agrupados em 436 linhas para atender 20 mil clientes em mais de 20 países. Carlos Rodolfo presidiu a Associação Empresarial de Joinville (Acij) e a Celesc. Atualmente, o industrial é coordenador nacional do Movimento Brasil Eficiente, que busca melhorar a eficiência da gestão pública, é membro do Conselho Superior de Economia da FIESP, do Conselho Político e Social da Associação Comercial de São Paulo e do Conselho Empresarial da América Latina (Ceal). Também é articulista em diversos jornais e revistas do País.

João Raimundo Colombo: O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, é natural de Lages e iniciou a vida pública aos 26 anos. Em sua carreira política, acumula experiências como secretário de Estado, presidente da Celesc e da Casan, deputado estadual, federal e senador, além de três mandatos como prefeito de Lages. Quando senador, recebeu o prêmio Mérito Legislador 2008, do Instituto de Estudos Legislativos Brasileiro (Idelb). Raimundo Colombo foi eleito governador do Estado em 2010 e reeleito em 2014. Como governador, cumpriu o compromisso firmado nas campanhas de 2010 e 2014 de não aumentar a carga tributária em Santa Catarina. A crise financeira e fiscal que afeta praticamente todos os Estados brasileiros levou grande parte dos governos estaduais a aumentar impostos. Colombo manteve-se fiel à convicção de que elevar carga tributária atrasaria a retomada da economia e focou os esforços do governo no corte das despesas.

José Samuel Thiesen: Filho de agricultores e vindo de uma família de 13 irmãos, Thiesen é natural de Rio Pardo (RS). Mudou-se para Saudades aos quatro anos de idade, em 1948, e no final da década de 1960 foi morar na Suíça, onde viveu por quatro anos. De volta ao Brasil, em 1974 fundou junto com líderes cooperativistas a Ceraçá (Cooperativa de Eletrificação Rural Vale do Araçá), empreendimento que nasceu com a missão de levar energia elétrica para as propriedades rurais de Saudades e outras cidades da região. Ao longo dos anos, a organização foi crescendo e diversificando os negócios e hoje emprega cerca de mil trabalhadores. Atua nas áreas de distribuição de energia, elaboração de projetos de energia para indústria, construção civil e agricultura, execução de obras de construção civil residenciais, comerciais e industriais, além de possuir uma rede regional de lojas que comercializa materiais de construção, elétricos e eletrodomésticos. Ele também fundou as empresas Finestra, que fabrica móveis de madeira maciça, e a Mauê, que é composta por Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH’s). No total, José tem 11 empresas em diversos segmentos.  

Ordem do Mérito Industrial da CNI

Ingo Fischer: A modesta oficina de conserto de bicicletas aberta por Ingo Fischer, aos 17 anos, em 1961, se transformou em um conglomerado industrial de 150 mil metros quadrados, que gera 800 empregos. Com faturamento anual bruto superior a R$ 575 milhões, a empresa, localizada na cidade de Brusque, é líder nacional no mercado de fornos elétricos domésticos. Com espírito empreendedor, Ingo e seus irmãos Nivert, Norival, Egon e Edemar, desde cedo perceberam e aproveitaram as oportunidades que surgiram. Eles diversificaram os trabalhos na pequena oficina, até começar a produzir equipamentos para a indústria de alimentos e, mais tarde, linhas em série, levando a Irmãos Fischer ao atual portfólio de mais de 200 produtos, em linhas de eletrodomésticos, equipamentos para construção civil, bicicletas e até casas modulares de metal. Além de liderar o surgimento e o desenvolvimento da indústria, Ingo Fischer se destaca pela liderança empresarial e pelas ações sociais e comunitárias, sendo, por exemplo, provedor do Hospital Azambuja, desde 1997, entre outras atividades, além de ser vice-presidente da FIESC para o Vale do Itajaí Mirim.