FIESC defende política para reduzir ociosidade na cadeia de petróleo e gás

A crise no setor naval em SC cortou 5 mil empregos, alertou o presidente da FIESC no lançamento do Movimento Produz Brasil em SC, nesta quarta-feira (19), em Florianópolis
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  • Côrte, da FIESC: crise no setor naval em SC cortou 5 mil empregos (foto: Filipe Scotti)

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Florianópolis, 19.4.2017 – No lançamento do Movimento Produz Brasil, o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), Glauco José Côrte, defendeu a instituição de uma política industrial urgente para reverter a queda sofrida nos últimos anos pela cadeia que fornece ao setor de petróleo e gás. “Trata-se de um importante momento de direcionamento para o futuro sem que nos esqueçamos dos erros cometidos no passado que atingiram o setor e temos que estar atentos para não repeti-los”, afirmou. O Movimento, instituído em Santa Catarina nesta quarta-feira (19), durante seminário na FIESC, em Florianópolis, é uma iniciativa de 14 instituições representativas da cadeia fornecedora de bens e serviços para o mercado de petróleo e gás natural brasileiro, que defende a manutenção e o aprimoramento da política para o setor.  

Na abertura do encontro, que reuniu participantes de diversos Estados, Côrte disse que a recuperação das encomendas e o restabelecimento das atividades são essenciais para o polo naval localizado em Itajaí e Navegantes e para as indústrias catarinenses que compõem a cadeia. “Há dois anos, a indústria naval de Santa Catarina abrigava cerca de 6,5 mil trabalhadores e 64 empresas. Informações disponíveis dão conta que a crise cortou mais de 5 mil empregos”, alertou. Em 2014, o Estado ocupava a terceira colocação no cenário nacional em número de trabalhadores e era o maior exportador nacional de barcos de recreio e esporte. Dados mostram que o Brasil possui a quarta maior indústria naval, atrás da China, Coreia do Sul e Japão.

Em sua palestra, o presidente-executivo da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, salientou que hoje a indústria brasileira fornecedora para o segmento de óleo e gás tem ociosidade média de 60% a 70%, chegando a 100% em alguns casos. “Então o Brasil pode voltar a produzir imediatamente sem sequer realizar R$ 1 de investimento, pois eles já foram feitos. Desde que a crise da Petrobras começou, o desemprego nesse setor alcançou 1 milhão de trabalhadores”, informou ele, lembrando que integram esse cálculo profissionais dos segmentos de serviços, estaleiros, componentes e eletrônicos. “O setor fornecedor da cadeia de óleo e gás investiu na última década mais de US$ 60 bilhões. Isso tudo será perdido caso não haja uma política”, advertiu.

O vice-presidente da FIESP José Ricardo Roriz Coelho afirmou que alguns países produtores de petróleo construíram uma sólida cadeia de fornecedores nesse segmento, com aplicação de políticas de conteúdo local e citou como exemplo Estados Unidos, Canadá, China, Noruega e Reino Unido. Por outro lado, os países que priorizaram exclusivamente a extração de petróleo e gás em detrimento do fortalecimento de uma cadeia produtiva local não avançaram na geração de riquezas. Entre eles estão Bolívia, Equador, Líbia, Nigéria e Venezuela.

Durante sua apresentação no evento, o coordenador do Comitê de Petróleo e Gás da FIESC, Edgar Cardoso da Silva, declarou que “é imperativo que o Brasil dê andamento à sua política industrial, com contrapartidas econômicas e tecnológicas que beneficiem o País. É urgente a realização de medidas de resgate da cadeia fornecedora para o setor de petróleo e gás”.

No seminário, as empresas Weg, de Jaraguá do Sul, e Altona, de Blumenau, relataram sua experiência como fornecedoras do setor. Pedro Filipe Piva, chefe de vendas da área de energia da Weg, disse que nos últimos anos foram construídos cerca de 200 barcos de apoio e em 80% deles têm equipamentos fornecidos pela empresa, sem contar as plataformas.

“As regulamentações de conteúdo local não devem ser confundidas como uma ferramenta de defesa de mercado, mas sim, como um importante instrumento de política industrial, que busca a formação de uma cadeia de fornecedores internacionalmente competitiva”, afirmou Piva. Segundo ele, a exploração e produção de energia e petróleo nos campos brasileiros constitui uma possibilidade para o fortalecimento da indústria nacional de base. “A ampliação da indústria para uma escala capaz de suprir as necessidades do setor petroleiro elevará a posição brasileira no âmbito internacional, tornando o Brasil um grande player desse setor no mercado mundial”, finalizou Pedro.

Ao final do evento, o representante do polo de Itajaí e Navegantes, Carlos Teixeira, disse que esse mercado deve ter melhora mais significativa a partir de 2020, tendo em vista a ociosidade do setor no mundo, com cerca de 300 navios parados. Segundo ele, neste momento, os estaleiros do Estado não registram novas contratações. “O que está rodando é o que já foi contratado”, ressaltou. Teixeira salientou ainda que a crise, especialmente da construção naval, é de nível mundial e vem puxada pelas transformações no setor, que tem natureza cíclica. 

 

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