FIESC debate desenvolvimento de novas tecnologias militares

Aliança entre universidade, governo e indústria, debatida em reunião do Comdefesa, deve viabilizar investimentos em projetos do Exército Brasileiro
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  • General Juarez Cunha falou sobre projetos em andamento no Exército Brasileiro que demandam novas tecnologias (foto: Heraldo Carnieri)

Florianópolis, 7.7.2015 – A tríplice aliança entre universidade, governo e indústria, que estabelece redes dinâmicas de cooperação envolvendo diversos atores sociais e econômicos, é a fórmula ideal para avançar no desenvolvimento de novas tecnologias militares. É o que afirma o general do Exército Brasileiro, Juarez Aparecido Cunha, que participou nesta quinta-feira, dia 7, da reunião do Comitê da Indústria de Defesa (Comdefesa) da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC).

A área de tecnologia da informação é uma das mais desenvolvidas em Santa Catarina, que ocupa o terceiro lugar no País em inovação, segundo ranking elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). No Estado, o principal polo tecnológico é a Grande Florianópolis, como destacou o presidente da FIESC e presidente do Comdefesa, Glauco José Côrte, ao fazer um panorama da indústria catarinense. “Somos o Estado com maior diversificação industrial e o sexto maior PIB do País. Somos responsáveis por 22% do produto interno produzido em Santa Catarina, enquanto que no País a participação da indústria de transformação não ultrapassa 10%”, salientou. 

Côrte também falou sobre a repercussão da manufatura avançada, chamada de Indústria 4.0. “O impacto será dramático na indústria. Queremos nos preparar para a quarta revolução industrial que o Brasil enfrenta”, afirmou.

Cunha destacou que o principal objetivo dessa aproximação com a indústria é estimular a cooperação. “O Exército passa por uma transformação, saindo da era industrial para a do conhecimento. Nosso departamento de ciência e tecnologia tem papel fundamental nesse processo de promover o fomento à indústria nacional, à produção de sistemas, produtos, tecnologias e serviços de defesa”, afirmou. Em 2015, o orçamento do Exército Brasileiro para investimento em ciência e tecnologia foi de R$ 586 milhões.

O general revelou que a aquisição de sistemas complexos é uma das maiores dificuldades do Exército, que exige alta qualificação de capital humano. Ele apresentou ainda os sete projetos estratégicos que o grupo está desenvolvendo, entre eles o Amazônia Conectada que prevê a instalação de 7,8 mil quilômetros de fibra ótica nos leitos dos rios daquela região, interligando 52 municípios atendendo 3,8 milhões de habitantes. Com prazo de conclusão até o final deste ano, o projeto tem orçamento aproximado de R$ 600 milhões.

Outro ponto abordado durante o encontro foi o arranjo produtivo de tecnologia da informação e comunicação (TIC) em Santa Catarina. O presidente da Câmara de Tecnologia e Inovação, Alexandre D’Avila Cunha, mostrou que o setor possui 2,9 mil empresas. “Com uma indústria madura e consolidada, com um setor tecnológico inovador e com atualização constante, Santa Catarina é uma ótima opção para fornecimentos convencionais e estratégicos”, assegurou Alexandre ao citar exemplos de inovações criadas no Estado como o Sistema Guardião e IDSeg (Dígitro), CAD para modelagem de Vestuário (Audaces), Software de Gestão de Hotéis (Desbravador), ERP Empresarial (Datasul), Sistema de Automação do Judiciário (Softplan), entre outros.

O presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação (FAPESC), Sergio Gargioni, ressaltou a importância da inserção da indústria e da academia nos projetos estratégicos desenvolvidos pelo Exército. “O fundo de amparo tem sido um braço de subvenção para tudo isso que foi visto aqui. Na medida em que há necessidade de haver recursos da FAPESC, ela se faz presente”, reforçou. “Estabelecemos a Sinapse da inovação, voltada à promoção do tema, e agora temos os centros de inovação do Estado, sendo o primeiro deles entregue em Lages”, completou.  

O general de exército de reserva, Adhemar Machado Filho, afirmou que os maiores aliados das forças armadas são os industriais. “Se tivermos essa união, o País pode ficar tranquilo. O Comdefesa está contribuindo para isso. A sociedade brasileira precisa conhecer a nossa essência e reconhecer o nosso valor e o presidente Glauco tem sido incansável no fortalecimento do nosso comitê”, disse.

Assessoria de Imprensa
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina