Com aumento do protecionismo, parceria SC e União Europeia ganha mais relevância

Presidente da FIESC recebeu representantes de 12 países do bloco ligados às áreas comercial e econômica. Chefe da delegação vê possibilidade de fechar o acordo Mercosul-União Europeia até o final do ano
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  • Representantes de 12 países-membros da União Europeia participaram do seminário na FIESC (foto: Filipe Scotti)

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Florianópolis, 12.9.2017 – Em um cenário em que o protecionismo tende a ganhar relevância, as parcerias entre a União Europeia e Santa Catarina podem contribuir para a organização dos fluxos internacionais de comércio e investimento, disse o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), Glauco José Côrte, durante encontro com representantes de 12 países-membros da União Europeia ligados às áreas comercial e econômica das embaixadas no Brasil. “Embora sejam necessários grandes esforços para que as oportunidades de negócio sejam efetivadas, nosso Estado, felizmente, já possui uma base humana e econômica sólida para alicerçar o aprofundamento das relações internacionais, transformando semelhanças culturais e cordialidade em resultados benéficos”, declarou. O encontro foi realizado na FIESC, na manhã desta terça-feira (12), em Florianópolis. Nesta quarta-feira, dia 13, a delegação da União Europeia visitará o Porto de Itapoá e em Joinville visitará o Perini Business Park, Siemens e o Instituto SENAI de Inovação em Sistemas de Manufatura.

O chefe da seção de assuntos comerciais da delegação da União Europeia no Brasil, Nicola Ardito, destacou o crescimento do protecionismo no mundo, influenciado pelos Estados Unidos. Contudo, lembrou que o bloco europeu tem sinalizado contra essa situação e responde com o fechamento de acordos com o Canadá e o Japão. O diplomata chamou a atenção para a vontade política de fechar até o final do ano o acordo Mercosul-União Europeia. Ele acompanhou em Bruxelas, na semana passada, as negociações com representantes do governo brasileiro. Porém, ressaltou que as negociações não são fáceis por várias razões. Uma delas é a coordenação interna. “O Mercosul não é só o Brasil. Tem outros países que fazem parte. E tem outras questões. Estamos falando da agricultura mais competitiva do mundo, onde nos defrontamos na União Europeia com algumas sensibilidades que têm que ser levadas em conta”, pontuou, lembrando que o bloco tem um setor industrial e de serviços altamente competitivo.

Ardito disse ainda que apesar de o Brasil, no geral, ser favorável ao acordo, há receio em alguns setores, como é o caso de máquinas. “Tem pontos sensíveis na discussão. Os tempos são curtos, mas a vontade política e dos negociadores é muito forte. Então, a intenção é de concluir essa negociação que começou em 1999. Está mais do que na hora de fechar porque agora tem um alinhamento político e empresarial para isso. Com esse contexto, as dificuldades técnicas devem ser superadas”, concluiu.

Côrte, da FIESC, ressaltou que a entidade tem acompanhado de perto as negociações. “Estamos otimistas. Já estivemos muito mais longe da possibilidade de assinar esse acordo”, relatou, lembrando que, no ano passado, integrou comitiva, chefiada pela CNI, que esteve em Bruxelas. “No último ano tivemos bons avanços, apesar das dificuldades e interesses dos dois lados. Mas nossa esperança é de que até o final do ano tenha, se não a assinatura, pelo menos a concretização de mais avanços”, observou.  

Ainda durante o encontro, o presidente da FIESC apresentou os principais números da economia e da indústria catarinense e salientou que o Estado tem a indústria mais diversificada e desconcentrada do País. Além disso, registra o sexto maior PIB entre as unidades federativas, sendo que a indústria responde por 30% do total, acima da média brasileira. Também ocupa o terceiro lugar no ranking de competitividade entre os Estados do Brasil.

Em relação às exportações, 17% das vendas externas catarinenses vão para a União Europeia, principal destino dos produtos do Estado, com um fluxo de US$ 1,3 bilhão em 2016. No mesmo período, Santa Catarina importou US$ 1,8 bilhão do bloco, o segundo principal fornecedor do Estado, atrás da China.

Ainda em sua apresentação, Côrte salientou o esforço para elevar a qualidade da educação em Santa Catarina e citou o Movimento Santa Catarina pela Educação, além das ações da entidade para melhorar o ambiente institucional e fomentar as áreas de tecnologia e inovação, além da saúde e segurança do trabalhador. Também destacou o trabalho da Investe SC.

O secretário de Assuntos Internacionais do Estado, Carlos Adauto Virmond, disse que Santa Catarina tem raízes históricas no continente europeu. “Se olharmos os aspectos econômicos e sociais percebemos a influência da colonização europeia”, disse.

Participaram do encontro representantes da Alemanha, Croácia, Espanha, França, Finlândia, Hungria, Irlanda, Países Baixos, Polônia, Romênia, Suécia, Reino Unido, Itália e Costa Rica. 

 

 

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