Brasil e Alemanha devem liderar conclusão do acordo Mercosul-UE

Nesta terça-feira (14), presidente da FIESC participou da Reunião da Comissão Mista de Cooperação Econômica, que integra o Encontro Econômico Brasil Alemanha, em Porto Alegre
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  • Reunião da Comissão Mista é realizada dentro da programação do Encontro Econômico Brasil Alemanha
  • Encontro Econômico Brasil Alemanha é realizado em Porto Alegre (foto: Dudu Leal)
  • Encontro Econômico Brasil Alemanha é realizado em Porto Alegre (foto: Dudu Leal)

Porto Alegre, 14.11.2017 – Mercosul e União Europeia devem alcançar um bom acordo de livre comércio ainda neste ano. Foi o que defendeu a indústria brasileira durante o 35º Encontro Econômico Brasil Alemanha (EEBA), que se encerrou nesta terça-feira (14), em Porto Alegre. “O EEBA é o fórum em que a agenda de negócios dos dois países é discutida anualmente e nesta edição sentimos um clima mais favorável ao avanço do acordo entre União Europeia e Mercosul. Isso reflete também as mudanças de governo no Brasil e na Argentina", disse o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), Glauco José Côrte, referindo-se às negociações que já duram 17 anos.

Cotas europeias para importação de etanol e carnes estão entre as questões discutidas nas últimas semanas entre diplomatas de ambos os blocos. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, destacou o apoio dos setores privados de Brasil e Alemanha, as duas maiores economias dos blocos, para conclusão do tratado entre o Mercosul e União Europeia.

Côrte acompanhou o evento desde domingo (12) e nesta terça-feira (14) participou da Reunião da Comissão Mista Brasil-Alemanha de Cooperação Econômica, encontro que integra a programação do EEBA. “Os empresários alemães mantêm-se confiantes na recuperação da economia brasileira. Vários contatos foram feitos no âmbito da Investe SC, a agência mantida pela FIESC e pelo governo do Estado. Santa Catarina tem condições de ampliar o intercâmbio comercial com a Alemanha”, resumiu.

O EEBA é o maior evento da agenda bilateral brasileira e ocorre pela iniciativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Federação das Indústrias Alemã (BDI), em parceria com a Associação das Câmaras de Comércio Alemãs no Brasil (AHK) e a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS). Nesta edição, o encontro abordou a “Parceria Brasil e Alemanha: novas oportunidades de cooperação" e reuniu mais de dois mil empresários e membros dos dois governos.

Acordo de tributação – A CNI avalia que a celebração de uma Convenção para evitar a dupla tributação da renda entre Brasil e Alemanha é medida prioritária, devido ao potencial de aumentar a segurança jurídica e a competitividade das empresas nos negócios bilaterais. De acordo com Robson Braga de Andrade, o momento atual, com a formalização do pedido de adesão à OCDE, apresenta oportunidades para negociar um novo acordo para evitar dupla tributação, ao permitir a rediscussão de cláusulas do modelo brasileiro, que deve aproximá-lo do alemão.

Entre os participantes da edição 2017 do EEBA estiveram o presidente do Conselho da Indústria Alemã para América Latina (LADW) e membro do Conselho Administrativo da Volkswagen AG, Andreas Renschler; o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira; o secretário-geral das Relações Exteriores das Ministério das Relações Exteriores, embaixador Marcos Galvão; o vice-ministro de Assuntos Econômicos e Energia da Alemanha, Matthias Machnig, o governador Rio Grande do Sul, Ivo Sartori e o presidente da FIERGS, Gilberto Petry.

O Encontro debateu oportunidades de parceria e cooperação sobre: internet das coisas e startups na área de manufaturados; eficiência energética industrial; infraestrutura e cidades inteligentes; segurança no trabalho; ambiente de negócios e facilitação de comércio e seus impactos para pequenas e médias empresas, saúde e educação. Ocupa um espaço de mais de 14 mil metros quadrados e terá mais de 80 expositores entre brasileiros e alemães.

Ainda no evento, 97 empresas alemãs e 532 empresas brasileiras participam de rodadas de negócios. A proposta é que ocorram mais de 400 reuniões empresariais, com expectativa de US$ 10 milhões. As empresas participantes são principalmente dos setores de alimentos, couro e calçados, energias renováveis, química e petroquímica, saúde e Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). O evento é realizado em parceria com a Rede Enterprise Europe Network (EEN), coordenada pela Comissão Europeia, e tem apoio da Apex-Brasil.