FIESC propõe parceria com governo para consolidar política de transporte

Federação sugere centralização das estratégias para a área na Secretaria de Planejamento, com apoio da iniciativa privada na formulação e acompanhamento das políticas
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  • Côrte apresentou projetos que a FIESC considera prioritários. Foto Fernando Willadino
  • Schaefer (e) foi homenageado por Glauco José Côrte. Foto Fernando Willadino

Florianópolis, 11.12.2015 – A FIESC entregou na manhã desta sexta-feira, 11, ao governador Raimundo Colombo, correspondência em que pede o apoio do governo estadual à agenda de infraestrutura da indústria catarinense. A primeira sugestão foi de que o governo centralize na Secretaria de Planejamento o planejamento sistêmico e integrado da logística de Santa Catarina, com a instituição de um comitê composto por integrantes dos setores público e privado. “Temos grande experiência na articulação de várias entidades que podem contribuir para melhorar a política de transporte e logística em Santa Catarina”, defendeu o presidente da FIESC, Glauco José Côrte. 

O industrial ressaltou a urgência do encaminhamento das soluções para os aspectos que prejudicam a competitividade da indústria. Ele defendeu, por exemplo, mudanças no modelo de concessão das rodovias BR-153 e BR-282, pois o formato apresentado tende a facilitar o embarque de cargas em Paranaguá-PR, em detrimento dos portos catarinenses. Outra sugestão foi para a atualização do plano aeroviário catarinense, tendo em vista que o atual é de 1990, quando o Estado tinha 4,6 milhões de habitantes, registrava 500 mil passageiros e um total de cargas de 6,5 mil toneladas. Hoje, o Estado possui 6,7 milhões de habitantes, 6 milhões de passageiros e demanda para cargas aéreas de 12,9 mil toneladas. Côrte ainda salientou a necessidade de projeto para ampliação do trecho norte da BR-101, a solução para os entraves que impedem a construção da Ferrovia Litorânea, além de adequações nos calados, bacias de evolução e acessos aos portos catarinenses.

Côrte citou estudo da FIESC mostrando que o custo logístico da indústria catarinense é de 14%, sendo que metade desse montante é gasto com transporte. “No Brasil a média é de 11%. Em outros países que competem conosco é da ordem de 9%, então nosso produto já sai da porta da fábrica em desvantagem em relação aos outros Estados brasileiros e a outros países”.

O presidente da FIESC também fez referências ao impacto das tarifas da energia elétrica ao setor produtivo, criticando a política da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que resulta em custos elevados do insumo à Celesc. “Além disso, recentemente o Congresso Nacional aprovou a renovação de tarifas subsidiadas para indústrias eletrointensivas do Nordeste, Centro-Oeste e o Sudeste, deixando de fora o Norte e o Sul”, observou.

Côrte reafirmou a importância do projeto de previdência do setor público estadual. “Apoiamos a iniciativa do governo para evitarmos que no futuro um novo custo recaia sobre a sociedade. Na medida em que o déficit for acumulando, quem vai pagar a conta serão os contribuintes catarinenses. A receita que o governo tem é da sociedade, dos que empreendem e geram riqueza”. O industrial abordou ainda o apoio da entidade ao plano de educação, também lançado pelo governo do Estado e destacou a parceria que resultou na agência de atração de investimentos.

O governador Raimundo Colombo reafirmou sua disposição de não elevar impostos e salientou que o Brasil precisa de “mudanças estruturais, de impacto no longo prazo”. Citou como exemplo o projeto encaminhado por seu governo para a previdência dos servidores públicos estaduais. “Precisamos de uma mudança da conscientização; construir um caminho mais consolidado do Brasil que queremos fazer”. 

“O Estado brasileiro está se tornando inviável de ser administrado”, disse. Ele criticou o excesso de burocracia e o que chama de judicialização das decisões. “Este ano tivemos mais de R$ 300 milhões em pagamentos de decisões judiciais. Hoje quem dá remédio para doente não é mais o médico, mas o advogado e o juiz que dá a sentença”, exemplificou.

Conforme Colombo, pela primeira vez nos últimos anos Santa Catarina está fechando o ano com um déficit de arrecadação – da ordem de R$ 1,2 bilhão. Mas assegurou que o governo fechará as contas de 2016 “com absoluto equilíbrio”.

O secretário de Estado da Fazenda, Antônio Gavazzoni, destacou ações do governo catarinense para evitar aumento de impostos e para reduzir o custo da máquina administrativa. “Temos a ambição de uma carga tributária justa e estamos evitando que ela continue crescendo. Este ano, 18 Estados brasileiros elevaram o ICMS”, disse. “Em 2015, a administração pública indireta do Estado reduziu em 1/3 o número de profissionais contratados e, na administração direta, extinguimos 200 cargos comissionados”, afirmou.

Homenagens

O presidente da FIESC, Glauco José Côrte, prestou homenagem ao presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), o desembargador Nelson Juliano Schaefer Martins. O TJSC é parceiro da FIESC no Programa Novos Caminhos, iniciativa lançada em 2013 que tem o objetivo de capacitar para o mundo do trabalho jovens que participam de programas de acolhimento do Estado. “Queremos registrar que nós provamos em Santa Catarina, através do esforço e engajamento dos seus empresários e a colaboração e participação do poder Judiciário, que é possível, sim, encontrarmos um mundo melhor de oportunidades. O Novos Caminhos permite não apenas benefícios para os jovens e adolescentes que são efetivamente treinados, mas também para a própria sociedade que poderá contar com a criatividade e a energia dessas pessoas e com a oportunidade de participar do desenvolvimento e do esforço que buscamos empreender”, disse Schaefer .

A homenagem FIESC 65 Anos também foi outorgada ao governador João Raimundo Colombo.

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