Confira artigo do presidente da FIESC, publicado nos jornais Diário Catarinense, A Notícia e Jornal de Santa Catarina na terça-feira, dia 15 de novembro

Santa Catarina destaca-se no cenário nacional por ser um dos Estados que melhor distribui sua renda. Se fosse um país, seria referência internacional em redução de desigualdade. A renda per capita do catarinense saiu de R$ 800,00 em 2002 para R$ 1.339,00 em 2014, alta de 4% ao ano. O crescimento da remuneração do trabalhador, que passou de R$ 1.251,00 em 2002 para R$ 1.905,00 em 2014, foi responsável por 65% desse aumento, segundo dados compilados pelo Instituto Ayrton Senna.

Mas é preciso ver, também, o outro lado dessa moeda. Em Santa Catarina os salários crescem o triplo da produtividade. Enquanto os primeiros aumentaram 4% ao ano, a produtividade avançou apenas 1,5% anualmente, entre 2004 e 2013. É menos que na África, onde a elevação da produtividade tem sido de 2,5% ao ano. Em 2004, Santa Catarina tinha o sexto maior PIB por trabalhador do País. Em 2013, caiu para o nono lugar. Ou seja, estamos perdendo competitividade, o que poderá, no futuro, afetar os indicadores sociais que nos diferenciam.

São os investimentos na saúde e na educação do trabalhador que nos permitirão reverter essa tendência: ambas melhoram a produtividade. No Chile, por exemplo, cada ano de escolaridade gera US$ 3 mil a mais de produtividade por trabalhador; na China US$ 3,5 mil e na Malásia US$ 2,5 mil. No Brasil, esse valor é de US$ 200,00 por série adicional. A produtividade não responde a aumentos na escolaridade. Significa que estamos produzindo muita educação, mas ela está desconectada da produtividade, como ressaltou, na FIESC, recentemente, o economista Ricardo Paes de Barros.

São dados impactantes, que precisam ser avaliados com atenção. E que confirmam a importância do Movimento Santa Catarina pela Educação, que acabamos de apresentar em Washington, a convite do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), como uma iniciativa de destaque na área educacional na região da América Latina e do Caribe. Fica a certeza de que é necessário ampliar, ainda mais, os esforços pela melhoria da qualidade da educação. É a chance que temos de nos aproximar das nações mais desenvolvidas. Mas só teremos sucesso se isso for uma verdadeira obsessão de todos os catarinenses.

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