Confira artigo do presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar, publicado no jornal Diário Catarinense nesta terça, 12 de março.

O Contorno de Florianópolis gera inquietude e manifestações que exigem reflexão. Chamamos a atenção para três aspectos: Primeiro, não existe obra sem transtornos, independentemente da complexidade. Segundo, evoluir é aceitar mudanças, e por último, a expectativa exagerada é a raiz da frustração.

Sobre o primeiro aspecto, a anunciada ação civil pública da prefeitura de Palhoça será mais um entrave para a obra, que já tem muitos. Melhor do que judicializar, seria buscar um plano de mitigação de impacto, uma prática corrente em obras em áreas urbanas. Cabe reiterar que o maior obstáculo do Contorno é um condomínio residencial construído no percurso do traçado original, em Palhoça. Isso exigirá a adição de 7,2 quilômetros de túneis, estimados em R$ 800 milhões, o que irá onerar o usuário.

O segundo aspecto diz respeito à mudança cultural. Persiste ainda a resistência e até animosidade em relação à participação privada em obras de interesse público. Porém não há outro caminho para atender a demanda de transporte do País. Por isso, deve-se buscar uma convivência harmônica, fundamentada no equilíbrio entre os interesses, tanto do usuário quanto do investidor. 

Sobre as expectativas, devemos ressaltar que o Contorno pouco contribuirá para a mobilidade da Grande Florianópolis. Terá, sim, efeito positivo no tráfego de passagem com destino ao Norte e Sul, e na segurança e fluidez deste eixo estratégico.

Para a melhoria da mobilidade, todos os esforços deveriam estar focados na concretização de investimentos não inclusos no contrato, propostos pelo Grupo Paritário de Trabalho da ANTT. A proposta, discutida e validada por especialista contratado pela FIESC, no âmbito do seu Grupo Técnico BR-101 do Futuro, prevê melhorias em toda a extensão da rodovia, inclusive na zona metropolitana da Capital.

Além disso, e para realmente atender às expectativas, a solução para mobilidade da Grande Florianópolis passa também pelo planejamento integrado, melhoria da qualidade e diversificação da matriz do transporte público.
 

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