Artigo do presidente da FIESC, Glauco José Côrte, publicado nos jornais Diário Catarinense e A Notícia nesta quarta-feira (18), fala sobre as medidas que tornaram a indústria brasileira menos competitiva

O Brasil vive um momento decisivo para a competitividade e para a própria sobrevivência da indústria, que foi surpreendida por uma enxurrada de medidas duras do governo federal, em nome do ajuste fiscal. Ainda que o ajuste seja necessário, em função de políticas erradas implantadas nos anos anteriores pelo próprio governo, e que tornaram a indústria brasileira menos competitiva nos últimos 10 anos, não é aceitável que o setor produtivo pague uma conta que inclui novos aumentos da carga tributária, que já é uma das mais altas do mundo, e altera regras que orientaram o planejamento das empresas para 2015. 

O aumento dos juros e dos combustíveis e a impressionante elevação dos preços da energia também atingiram a indústria no contrapé, num cenário em que os custos industriais já haviam crescido 41% entre 2006 e 2013 (CNI, Indicador de Custos Industriais). Como se tudo isso não bastasse, o setor produtivo sofreu os efeitos dos protestos de caminhoneiros que paralisaram boa parte do País em fevereiro.

A indústria defende que as medidas de ajuste fiscal venham acompanhadas de uma agenda para a competitividade capaz de restaurar a confiança. Tais medidas é que criarão as condições para a retomada do crescimento, que por sua vez, trará aumento da arrecadação. Essa agenda inclui pontos como a modernização das relações trabalhistas, a manutenção do Reintegra e da desoneração da folha de pagamento, a reforma do sistema tributário e um modelo de concessões que viabilize a participação do setor privado nos investimentos em infraestrutura.

Sem avanços nessas áreas, será inútil o enorme sacrifício imposto ao setor produtivo e aos brasileiros, que acabam de dar um exemplo de cidadania, demonstrando de maneira pacífica, mas com veemência, que esperam mudanças profundas na condução do País.

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