No evento Sul for Export, promovido pelo Grupo Amanhã, com o apoio das federações de indústria do Sul, presidente da FIESC destacou que são barreiras não só à exportação, mas à competitividade da indústria

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Florianópolis, 7.8.2018 – A agenda de internacionalização possui muitos desafios e barreiras envolvendo a infraestrutura, a logística e a tributação. “Em Santa Catarina, a infraestrutura e a logística são, provavelmente, os maiores gargalos que temos não só em relação à exportação, mas à competitividade da indústria. O nosso custo logístico é maior que a média brasileira. De cada R$ 1 faturado, R$ 0,14 é destinado à logística”, disse o presidente da FIESC, Glauco José Côrte, durante o evento Sul for Export, realizado pelo Grupo Amanhã, nesta terça-feira (7), em Florianópolis, com o apoio das federações de indústria do Sul. No encontro, o superintendente da FIEP, Reinaldo Tokus, o vice-presidente da FIERGS, Cezar Luiz Müller, a coordenadora do Centro Internacional de Negócios da FIESC, Tatiani Leal, e o coordenador do Observatório FIESC, Sidnei Manoel Rodrigues, participaram de um painel sobre comércio exterior. Também foram premiadas empresas com maior valor exportado na região Sul nas faixas acima de US$ 100 milhões, entre US$ 50 e 100 milhões, entre US$ 10 e 50 milhões, entre US$ 5 e 10 milhões e entre US$ 1 e 5 milhões.

“É um desafio que para ser superado precisa da união do setor exportador na defesa dos interesses da indústria brasileira. É um tema tão complexo que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lançou a Coalizão Empresarial para Facilitação de Comércio e Barreiras”, informou Côrte. Levantamento atualizado da CNI, em parceria com associações e federações da indústria, identificou 20 barreiras comerciais no exterior contra produtos brasileiros. Desse total de barreiras, 17 são de membros do G20 – grupo que reúne as 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia.

Côrte destacou que em julho a FIESC lançou a Análise do Comércio Internacional Catarinense que sinaliza para um cenário otimista quanto ao crescimento das relações empresariais internacionais. “A FIESC tem oferecido um conjunto de soluções para orientar as empresas a gerenciar suas operações, eleger mercados, promover produtos no exterior e incrementar suas receitas. Esse esforço temos feito em parceria com a CNI e o Sebrae. Há um grande enfoque no sentido de preparar as pequenas e médias para o mercado internacional. Essas empresas, de modo geral, têm produtos de qualidade destacada, mas têm dificuldade se projetar no mercado internacional”, disse. 

Ainda durante o evento, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, disse que há espaço para ampliar as vendas no mundo. Ele informou que o consumo brasileiro por habitante por ano de carne de ave é de 42 quilos, 30 quilos de carne bovina e 14 de carne suína. “Na Índia são 4 quilos de proteína animal por ano e já está com sinais para abrir. Há 400 milhões de habitantes começando a consumir”, disse, salientando que o Brasil pode ampliar as vendas para países como China, Indonésia e México. 

O Brasil exporta proteína animal para 160 mercados abertos e se destaca pelo status sanitário. As empresas aprenderam a atender as exigências dos mercados compradores, disse Turra, citando como exemplo a técnica de abate Halal, exigida pelos países islâmicos. “Nos especializamos e entre todos os países do mundo somos o primeiro na exportação do produto Halal”, relatou, destacando que só em 2017 o Brasil recebeu mil missões examinando os produtos e as boas práticas. 

Apesar das boas perspectivas, Turra lembrou que desde o ano passado o setor tem passado por uma série de desafios e citou o embargo da Rússia, acusação de dumping pela China, mudança nas regras da técnica Halal pela Arábia Saudita, maior importador de carne de frango do Brasil, greve dos caminhoneiros, além de operações que afetaram algumas empresas. “Estamos em recuperação, mas jamais passou pela nossa cabeça uma revisão de projeção. Se o Brasil não continuar errando, vamos nesse ano atingir números superavitários em volume e receita. Apesar do embargo Russo de carne suína, aumentaram os volumes para a Coreia do Sul e América do Sul. Isso nos ajudou a abrir caminhos sem depender tanto da Rússia, o que temos que fazer, efetivamente”, declarou.

O presidente da ABPA disse ainda que as empresas estão implementando programas de compliance. “Hoje estamos levando esse instrumento adicional às empresas, pós-operação Carne Fraca. Estamos efetivamente agindo com mais transparência, demandada pelos mercados e pelas empresas. A integridade, mais do que nunca, é uma exigência gerencial das nossas empresas. Hoje compliance é vital para que nosso setor continue exportando e se fortalecendo”, afirmou. Inclusive o Ministério da Agricultura (Mapa) criou o selo Agro+ Integridade, concedido mediante o cumprimento de um conjunto de regras. 

Ele também destacou a importância do trabalho da Embrapa para a melhoria genética dos animais. “Em 1930, o frango precisava de 105 dias para chegar à mesa do consumidor e em 1960, de 56 dias. Agora, são 42 dias. A genética é o milagre que a gente não vê. 
 

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