Em palestra à diretoria da FIESC, o procurador da operação Lava-Jato disse que a prática criminosa drena investimentos e a qualidade do serviço público, além de gerar um círculo vicioso em que a propina ajuda na permanência no poder

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Florianópolis, 28.9.2018
– O procurador da República Deltan Dallagnol, que ganhou notoriedade por integrar e coordenar a força-tarefa da operação Lava-Jato, disse, em palestra à diretoria da FIESC, nesta sexta (28), que a corrupção drena recursos para investimentos e a qualidade do serviço público. “Quanto maior o índice de corrupção pior é a competitividade das empresas no cenário global e pior é o índice de efetividade do governo. Ou seja, mais lento, mais burocrático, pior presta serviços, pior é a infraestrutura, pior é o ambiente para vocês para que as empresas se desenvolvam, para que o país se desenvolva”, disse.


Dallagnol apresentou a campanha “Unidos contra a corrupção”, que recebeu o apoio da FIESC. “O procurador foi aplaudido em pé pelos industriais, o que mostra o apoio que a Lava-Jato tem no setor industrial”, disse o presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar. Integram a campanha organizações da sociedade civil, da academia e de governos, sem fins lucrativos e movimentos e instituições sem vínculos partidários.

Dallagnol disse que a Lava Jato desvendou o que chamou de “esquema sistêmico político partidário”. No entendimento do procurador, essa condição proporcionou a expansão das investigações para outras empresas e órgãos públicos – citando Eletrobras, Ministério do Planejamento, BR Distribuidora, órgãos estaduais do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Parte da propina é embolsada ao patrimônio pessoal e outra parte é destinada a financiar campanhas eleitorais, o que, no seu entendimento, gera um círculo vicioso. “Propinas alavancam a permanência dos corruptos no poder; permanecendo no poder eles mantêm seus esquemas, gerando mais propina, que gera mais permanência no poder”, disse.

O procurador ainda abordou a questão de passos futuros. Citou o caso da Itália, onde, segundo ele, após a operação Mãos Limpas houve alteração na legislação, prejudicando investigações de casos de corrupção. Para ele, é necessário mudar as condições do ambiente político e empresarial para que as práticas de corrupção sejam reduzidas. Ele lamentou a rejeição pelo Congresso Nacional do pacote de dez medidas contra a corrupção e defendeu novas medidas defendidas na campanha “Unidos contra a corrupção”, que defende o voto a candidatos com passado limpo, com compromisso com a democracia e que apoiem medidas contra a corrupção.

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