Apesar de oscilações no mercado externo, 90% das companhias consultadas projetam incremento nos embarques, mostra a Análise do Comércio Internacional Catarinense 2018, lançada pela FIESC, nesta segunda-feira (30), em Florianópolis

Florianópolis, 30.7.2018 – A Análise do Comércio Internacional Catarinense 2018 revela que 90% das empresas consultadas projetam aumento das exportações em 2018 e 2019.O documento foi lançado pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), nesta segunda-feira (30), em Florianópolis. Para 53,4% delas, a expectativa é que o incremento dos embarques ocorra pelo aumento na participação dos mercados em que já atuam, ou seja, pela ampliação do market share. Enquanto isso, para 36,4% das companhias, a ampliação ocorrerá por meio de vendas para novos mercados. Somente 10% não estimam incremento das exportações no período. Clique aqui e veja a íntegra da Análise

O presidente da FIESC, Glauco José Côrte, observa que os resultados da análise permitem à entidade propor iniciativas e soluções que viabilizam o desenvolvimento do potencial das indústrias catarinenses, inclusive de pequeno e médio portes, com vistas à ampliação de suas rentabilidades e a minimizar e eliminar as barreiras ao processo de internacionalização. “O resultado se traduz em uma maior integração da economia catarinense ao mercado global, um desafio que, vencido, propiciará benefícios significativos em médio e longo prazos”, afirma ele na apresentação do documento.

A presidente da Câmara de Comércio Exterior da FIESC, Maria Teresa Bustamante, ressalta que a pesquisa mostra claramente que a exportação continua sendo uma bandeira das empresas. “Santa Catarina continua dando demonstração clara de investimento pelas empresas no comércio internacional e a participação das pequenas e médias vem acompanhando esse crescimento”, explicou. 

Ela chamou a atenção para o esforço que é feito para intensificar a internacionalização, especialmente das pequenas e médias empresas. “O foco é na educação empresarial, com a criação de uma cultura voltada ao comércio internacional, tanto de importação quanto de exportação, formação de alianças estratégicas e identificação de mercados que sejam promissores para distribuir produtos e fazer parte de cadeia de valor agregado internacional”, completou Maria Teresa.

A pesquisa mostra que na comparação dos valores exportados no ano de 2017 com o ano anterior, 61% das companhias ouvidas registraram crescimento. 49% aumentaram os embarques acima de 10% e 12% afirmam que tiveram alta de até 10%. Conforme a análise, um fator que possivelmente tenha influenciado este incremento substancial é o câmbio favorável às exportações. “Apesar da forte sensibilidade das operações ao câmbio, há que se considerar a continuidade das vendas internacionais como estratégia de permanência dos negócios das empresas. O câmbio, por si só, não deve ser o único motivador das exportações. Esses resultados de crescimento refletem as projeções estabelecidas pelas empresas exportadoras na pesquisa do ano anterior, no qual a maioria havia indicado a intenção de ampliar suas operações”, destaca o documento.

Em relação ao percentual de participação dos valores das exportações no faturamento das empresas em 2017, 34% informaram que os embarques representaram 5% do faturamento; 20% responderam que as vendas externas geraram entre 11% e 30% do faturamento, e outras 20% disseram que as exportações estão acima de 50% do total de vendas. Esses resultados também indicam o grau de internacionalização das empresas, que é elevado para 28% delas, que têm mais de 31% dos valores das exportações compondo seus faturamentos. A publicação destaca que quanto mais elevado o grau de internacionalização, maior o comprometimento da empresa com as exportações e, consequentemente, melhora a continuidade da frequência exportadora.

Comparativamente ao ano de 2016, a maioria das empresas informou que a participação dos valores das exportações no faturamento de 2017 se manteve estável (44% dos respondentes), 46% tiveram crescimento nesta participação; sendo que 28% obtiveram aumento acima de 10%, o que representa um bom desempenho, haja visto o baixo crescimento econômico do Brasil no período. A análise observa que as empresas buscaram na exportação uma alternativa de crescimento de suas vendas. Mas há que se observar que para 10% das respondentes houve decréscimo nos embarques, fato que pode ser decorrente do desempenho internacional do segmento em que atuam, ou ainda da perda de competitividade internacional dessas empresas.

O documento também informa que 70% das companhias consultadas mantiveram regularidade de suas exportações nos últimos cinco anos, dado considerado expressivo e que mostra uma forte cultura exportadora dada a relevância das operações de vendas ao exterior para as empresas. Para 25% das respondentes, ocorreu descontinuidade em seus processos, ou seja, exportaram esporadicamente, com interrupções. 

Quanto ao número de mercados compradores em 2017, 36% das empresas pesquisadas diversificaram moderadamente suas vendas e indicaram que possuem atuação em até cinco países. Porém, se observados os dados de forma agregada, mais de 50% das empresas tiveram abrangência dos mercados compradores, com presença em mais de cinco países, um indicativo de diversidade e amplitude geográfica de mercados. Apenas 11% dos respondentes concentraram-se em um único país. Isso mostra como resultado geral que as empresas participantes da pesquisa possuem um baixo risco de dependência em um único mercado comprador. Participaram da pesquisa 182 empresas de pequeno, médio e grande portes dos segmentos de indústria, comércio e serviços. 

Desburocratização do comércio: Em uma apresentação conjunta, a chefe da divisão de modernização de operações do Ministério do Desenvolvimento (MDIC), Taís Salem, e o auditor fiscal da Receita Federal, Alexandre da Rocha Zambrano, apresentaram o Portal Único do Comércio Exterior, sistema que está parcialmente em operação e traz mudanças para as empresas que operam na área. Eles ressaltaram que o objetivo é desburocratizar os processos. No caso das exportações, a redução será de 13 dias para 8 dias e a importação cairá de 17 dias para 10 dias. Estes são os prazos médios dos países da OCDE.

Alexandre destacou que o Portal foi construído em conjunto com a ampla participação da sociedade. “É uma nova realidade da Aduana brasileira. O papel dela mudou e internamente isso vem sendo comunicado. A mudança de cultura é difícil e, muitas vezes, encontra resistência nas pessoas. O Portal Único visa facilitar o comércio legítimo e trazer segurança e proteção à sociedade. Em prol da sociedade temos que pensar na desburocratização e na melhoria do ambiente de negócios. É evidente que cada mudança exige um tempo de maturação. O Portal é um novo conceito e muda o paradigma da atuação entre Estado e setor privado”, reforçou.
“Nossa parceria com o setor privado é de longa data e é imprescindível. Temos que desenvolver melhores produtos e serviços. Estamos mudando os processos de comércio exterior e ouvir a parte mais afetada é fundamental. Quem realmente sabe quais as dificuldades e pontos a ser melhorado é o setor privado”, declarou Taís.

Acordos comerciais: no seminário, a analista de negociações internacionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carolina Teles Matos, informou que o Brasil tem em andamento negociações com México, União Europeia, Associação Europeia de Livre Comércio (Efta), Canadá, Coreia do Sul e Cingapura. “Para 2018 há expectativa de anúncio político com a União Europeia e com a celebração de acordos podemos ampliar o potencial de acesso a mercados das exportações brasileiras. Atualmente, 35% dos embarques de bens industriais são para países com os quais o Brasil tem acordo”, disse, lembrando que com a celebração das negociações em andamento o percentual aumentaria para 55%.

A analista de comércio internacional da CNI, Camila Mafissoni, abordou o tema Certificado de Origem Digital, documento que garante que o produto é brasileiro e tem direito a benefícios tarifários em diversos países. 
 

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