Inflação baixa contribui para o desempenho, mas demanda ainda é “anêmica”, avaliou

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Florianópolis, 26.3.2018
– O Brasil pode crescer 4% em 2018, estima o presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, que participou da reunião do conselho estratégico da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), nesta segunda-feira (26), em Florianópolis. “A recuperação desse ano, que se iniciou em 2017, é praticamente uma recuperação estatística. Uma parte desse resultado é da inflação abaixo da meta, que de um lado tem o agronegócio que jogou os preços dos alimentos para baixo, o que é um ganho para o consumidor, que tem a possibilidade de ir mais ao supermercado”, explicou, acrescentando que houve também uma recuperação da indústria automobilística. Contudo, a demanda ainda está “bastante anêmica”. “Por isso, a nossa recuperação é mais estatística do que qualquer outra coisa. Motivo pelo qual, há meses, tenho falado que acho perfeitamente plausível que o Brasil venha apresentar um crescimento de 4% esse ano”, disse, explicando que, se o País estivesse com um crescimento vigoroso, depois de três anos de queda, no mínimo tinha que apresentar o crescimento de 2010, que foi de 7,5%.  

Para Rabello, é natural que, depois de um período de estagnação, uma economia que esteja mais ou menos organizada cresça na faixa de 6% a 7%, caso do Brasil. “A grande pergunta é por quanto tempo vai crescer 4%. Será que temos um País organizado para uma sucessão de 4%? A minha resposta é que não temos. Esse é o drama. E esse é o problema que temos que enfrentar num planejamento mais a longo prazo”, sugeriu.

O presidente da FIESC, Glauco José Côrte, apresentou um panorama da economia catarinense e observou os índices positivos registrados em 2017 em indicadores como vendas industriais (2,8%), produção (4,5%), exportações (12,1%) e importações (21,4%). “Segundo o Banco Central, Santa Catarina cresceu 4,2% no período. É quatro vezes mais do que a média brasileira”, declarou, salientando que outro dado positivo foi o saldo de empregos. A indústria de transformação encerrou o ano passado com saldo positivo de 12,4 mil vagas. “Lideramos a geração de empregos na indústria de transformação no País”, relatou. Além disso, o nível de desocupação do Estado é o mais baixo entre as unidades da federação (6,3%). 

Ainda em relação ao emprego, no primeiro bimestre do ano, o setor de transformação catarinese acumula saldo positivo de 20,1 mil vagas. De acordo com o Banco Central, o Estado teria crescido quase 6% em janeiro de 2018 comparando com janeiro de 2017. “Portanto, estamos crescendo o dobro do País. Enfim, o ano começou bem para Santa Catarina, puxado sobretudo pelo desempenho da indústria”, disse Côrte.

Em sua apresentação, o presidente do BNDES também defendeu a execução de reformas e classificou a tributária como a “mãe das reformas”. “Este é um País que precisa da sua transformação tributária. Quando definitivamente implantada, terá um impacto pelo menos igual ao que teve o Plano Real com a estabilização da moeda. Será um verdadeiro Plano Real dos impostos”, afirmou, salientando que é difícil implementar. Por isso, na opinião dele, é necessário debater o tema no plano político. “A reforma precisa ser enfrentada em 2019”, reforçou, lembrando que, caso contrário, o País seguirá com baixo crescimento do PIB. 

Rabello de Castro também salientou que para o País melhorar, precisa criar convergência entre as regiões, ampliar a estrutura produtiva e a infraestrutura que, segundo ele, hoje não passa de 50% do total da infraestrutura necessária para o estágio atual de desenvolvimento.

Agenda para infraestrutura: Na reunião, o 1º vice-presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar, apresentou a Agenda Estratégica da Indústria para Infraestrutura e destacou que Santa Catarina demanda, por ano, até 2021, investimento de R$ 5,1 bilhões, entre recursos federais e estaduais, para manter e ampliar a infraestrutura de transporte nos modais rodoviário (R$ 2,85 bilhões), ferroviário (R$ 1,8 bilhão), aeroviário (R$ 95,5 milhões) e aquaviário (R$ 342,6 milhões). Ele ressaltou que para o Brasil crescer de forma sustentável precisa de uma infraestrutura adequada e não é diferente em Santa Catarina. “O bom desempenho econômico do Estado está mais relacionado ao empreendedorismo do povo catarinense do que propriamente às condições de infraestrutura. Temos uma preocupação grande com a questão dado que na composição dos custos a infraestrutura tem um peso significativo”, disse. 

Instituto da Indústria: durante a reunião também foi apresentado o Instituto da Indústria, que recebeu investimento de R$ 15 milhões e trabalha no desenvolvimento de inovações para o setor. A estrutura, de 3,3 mil m², localizada no Sapiens Parque, em Florianópolis, foi entregue em março e abriga o Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados e o Centro de Inovação SESI em Tecnologias para Saúde. 

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