Relação Terra-Sol é um dos campos promissores de pesquisa, diz cientista da NASA a alunos do SENAI/SC

Palestra marcou o lançamento das oficinas de contraturno do ensino médio do SENAI de Florianópolis e de Criciúma, nas quais os alunos vão desenvolver satélites e impressoras 3D
Imprimir
  • Para James Spann, possibilidade de vida fora da Terra é mais uma probabilidade estatística do que resultado de comprovações científicas. Foto: Fernado Willadino

Florianópolis, 11.9.17 – Estudar a relação existente entre o Sol e a Terra é uma forma de se compreender as condições que determinam a existência da vida no planeta, afirmou, nesta segunda-feira, dia 11, o cientista James Spann, da National Aeronautics and Space Administration (NASA, agência espacial americana) a estudantes do SENAI de Florianópolis e Criciúma. O tema, na avaliação do cientista, é um dos campos de estudo mais promissores para os jovens. Segundo Spann, que, na infância, residiu em Pernambuco, a agência está aberta a receber pesquisadores do mundo inteiro.

Clique aqui para ver a cobertura fotográfica do evento

Spann é o cientista-chefe da Marshall Space Flight Center, a base  da NASA especializada em propulsão e na qual o alemão Wernher von Braun liderou o desenvolvimento do foguete que, em 1969, levou os astronautas dos EUA à Lua. Na palestra desta segunda, Spann citou as missões de pesquisa que a NASA vem preparando, “algumas bem grandes custando bilhões de dólares, e outras que são menores”. Segundo ele, as grandes são o James Webb Space Telescope (JWST), telescópio infravermelho que vai estudar elementos da astrofísica. Existe também um sucessor do carrinho que está em Marte agora, chamado Curiosity. Outro carrinho vai ser depositado na superfície de Marte em 2020. “Existem missões para a lua de Júptiter, chamada Europa, que é coberta de gelo e embaixo desta superfície de gelo imaginamos que tenha água - então é um lugar em que pode ter vida. E tem o Parker Solar Probe, que vai tocar a atmosfera do sol, que será lançado em 2018 e chegará lá em três ou quatro anos”. Spann destacou ainda as pesquisas sobre o planeta Terra. “A gravidade da Terra é diferente e nos ajuda a entender a Terra como um sistema completo”.

Segundo James Spann a vida na Terra é possível graças a um conjunto de fatores, que incluem, por exemplo, a existência de um campo magnético na atmosfera terrestre, que desvia a radiação solar, presente nas cargas negativas e positivas que compõem os ventos solares. Além disso, explica, durante as explosões solares são emitidas ondas de Raio X, que passam pelo campo magnético, mas são absorvidas pela atmosfera.

Esse campo magnético, a atmosfera, gravidade e temperatura adequada são, na opinião de Spann, alguns dos fatores essenciais para que haja vida. A existência da vida fora da Terra ou mesmo do Sistema Solar está mais associada a uma probabilidade estatística do que a indícios que pesquisadores tenham encontrado. “Existe a possibilidade [de vida fora da Terra] porque existem tantas estrelas no universo e estamos descobrindo que uma grande parte das estrelas têm planetas; então com tantas estrelas e tantos planetas, achamos que deve ter uma vida, mas descobrir vai ser um pouco difícil”, afirmou. “Estatisticamente as condições são prováveis, mas agora não temos as medidas para saber que existem”, destacou.

A palestra de Spann abriu o Conecte Day, evento no qual foram lançados as próximas atividades de contraturno do SENAI Conecte, ensino médio integrado ao curso técnico em informática, oferecido pela instituição em Florianópolis e Criciúma e que no ano que vem chega também a São José, Tijucas e Brusque. Os clubes (como são denominadas as oficinas do SENAI Conecte) são os do Cansat (satélites meteorológicos embarcados em latas descartáveis), Lab Aberto (no qual os alunos trabalharão na implantação dos Laboratórios Abertos de Criciúma e Florianópolis, além de planejar, organizar e operar um Grand Prix de Inovação), Impressora 3D (desenvolvimento de impressoras 3D, que serão ferramentas nos Laboratórios Abertos) e Maker Experience (dedicado a criar outras ferramentas que serão utilizadas posteriormente nos laboratórios).

O desenvolvimento de satélites embarcados em latas descartáveis é chamado de cansat, expressão que associa “can” (lata, em inglês) e “sat”, de satélite. Para a professora Maria Cecília Pereira, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e que será a mentora do projeto, o cansat não se caracteriza como uma revolução tecnológica. “Seu maior mérito é despertar vocações e mostrar para alunos de ensino médio como a engenharia é feita”. Ela ressalta a relevância da iniciativa na inclusão de mulheres no desenvolvimento tecnológico.

As atividades serão desenvolvidas sob a metodologia Problem Based Learning (PBL, aprendizado com base em problemas), na qual os alunos aprendem solucionando um problema proposto. “Os alunos são estimulados a procurar soluções à medida que o problema se apresenta; as soluções encontradas por eles são discutidas com professores especializados na área em questão e decisões de engenharia são tomadas”, explica Maria Cecília. “Neste caso, o problema proposto é de engenharia, contemplando várias áreas, assim como gerenciamento de projeto. Espera-se despertar interesse e vocação de alunos, e principalmente alunas, para as carreiras nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática”, acrescenta.

Os estudantes vão desenvolver os satélites utilizando processadores tipo Arduino, sensores diversos e componentes relacionados à comunicação, que serão embarcados em latas descartáveis de alimentos. Depois, os dispositivos serão lançados na atmosfera com a ajuda de balões. A professora Maria Cecília Pereira estima que os artefatos devam permanecer em voo por cerca de quatro horas, em altitude de 20 a 30 quilômetros, enviando informações sobre o clima e componentes ambientais, conforme objetivos de cada missão, estabelecidos entre os alunos e os professores.

 

 

Assessoria de Imprensa

Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina